
Gigantes Petrolíferas Alertam: Brent Pode Disparar Para 160 Dólares Se Escassez De Reservas Se Agravar
- ExxonMobil e Chevron avisam que os inventários globais de petróleo aproximam-se de níveis críticos, enquanto o prolongamento das perturbações no Estreito de Ormuz continua a retirar entre 12 e 13 milhões de barris por dia do mercado. Analistas alertam para um potencial choque energético com implicações profundas para a inflação, crescimento económico e estabilidade financeira mundial.
- ExxonMobil estima que o Brent poderá atingir entre 150 e 160 dólares por barril se os inventários atingirem níveis operacionais mínimos;
- Chevron alerta que os “amortecedores” do mercado estão a desaparecer rapidamente;
- Goldman Sachs estima que os inventários globais tenham diminuído 8,7 milhões de barris por dia apenas em Maio;
- Encerramento parcial do Estreito de Ormuz continua a afectar entre 12 e 13 milhões de barris diários;
- Novo choque petrolífero poderá acelerar a inflação e aumentar o risco de recessão global.
Os maiores grupos petrolíferos norte-americanos estão a emitir alguns dos avisos mais severos desde o início da actual crise energética internacional. Executivos da ExxonMobil e da Chevron alertaram que o mercado mundial de petróleo aproxima-se de um ponto crítico, caracterizado por níveis excepcionalmente baixos de inventários e por uma crescente incapacidade de absorver interrupções adicionais da oferta.
Segundo Neil Chapman, Vice-Presidente Sénior da ExxonMobil, os modelos utilizados pela indústria apontam para um cenário em que o preço do Brent poderá disparar para um intervalo entre 150 e 160 dólares por barril assim que os inventários comerciais atingirem o chamado “piso operacional”, momento em que os stocks deixam de ser suficientes para garantir o funcionamento normal do sistema global de abastecimento.
“Estamos a aproximar-nos de níveis de inventários nunca vistos. Quando atingirmos esse ponto, os preços poderão disparar para 150 ou 160 dólares por barril”, afirmou Chapman durante uma conferência do sector energético.
Mercado Consome Reservas A Ritmo Recorde
O alerta surge num momento em que vários indicadores apontam para uma rápida deterioração do equilíbrio entre oferta e procura.
Dados citados pela Goldman Sachs mostram que os inventários globais de petróleo registaram em Maio uma redução recorde equivalente a 8,7 milhões de barris por dia, uma das maiores quedas alguma vez observadas num único mês.
Paralelamente, cálculos anteriormente divulgados pelo JPMorgan indicavam que, dos cerca de 8,4 mil milhões de barris existentes em inventários globais no início de 2026, apenas aproximadamente 800 milhões de barris poderiam ser utilizados sem provocar stress operacional no sistema energético internacional.
Esta realidade significa que grande parte das reservas actualmente existentes já desempenha funções logísticas essenciais e não pode ser mobilizada livremente para compensar défices prolongados de abastecimento.
Ormuz Continua A Ser O Principal Factor De Risco
No centro da actual crise continua a estar o Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do planeta.
Segundo os dados citados pelas grandes petrolíferas, a situação continua a impedir a circulação normal de aproximadamente 12 a 13 milhões de barris de petróleo por dia, equivalente a uma parcela significativa da oferta mundial.
Mike Wirth, CEO da Chevron, considera que os mercados ainda não reflectem plenamente a gravidade da situação.
“Os amortecedores e mecanismos de absorção de choque do mercado estão a ser progressivamente consumidos. A capacidade de absorver este desequilíbrio é hoje muito menor do que era no início da crise”, afirmou.
Segundo o responsável, as pressões sobre os preços físicos deverão tornar-se mais evidentes durante Junho e Julho, à medida que os inventários continuarem a diminuir.
Porque Os Preços Ainda Não Explodiram
Um dos aspectos mais intrigantes da actual conjuntura reside no facto de os preços do petróleo não terem ainda registado a escalada que muitos analistas antecipavam.
De acordo com a Chevron, este fenómeno foi possível graças a uma combinação de factores temporários: níveis elevados de reservas existentes antes do início da crise, libertação de petróleo das reservas estratégicas dos Estados Unidos e manutenção de fluxos provenientes de países sujeitos a sanções, como Irão, Rússia e Venezuela.
Contudo, as próprias petrolíferas alertam que estes factores estão a perder eficácia à medida que os inventários diminuem e a capacidade de compensar perdas de oferta se reduz.
Risco De Novo Ciclo Inflacionário
A eventual subida do Brent para níveis próximos de 150 ou 160 dólares teria implicações profundas para a economia mundial.
Os combustíveis continuam a influenciar directamente os custos de transporte, produção industrial, logística e agricultura. Uma escalada desta magnitude poderá alimentar uma nova vaga inflacionária precisamente quando muitos bancos centrais procuravam consolidar os progressos alcançados no combate à inflação pós-pandemia.
Além disso, preços elevados da energia tendem a reduzir o rendimento disponível das famílias, aumentar os custos das empresas e enfraquecer o crescimento económico.
O próprio CEO da Chevron reconheceu que, caso a crise se prolongue por demasiado tempo, o impacto económico poderá tornar-se suficientemente severo para provocar desaceleração económica ou mesmo recessão em algumas regiões.
Implicações Para Moçambique
Para Moçambique, a evolução dos preços internacionais do petróleo assume particular relevância.
Apesar das perspectivas favoráveis associadas ao gás natural, o país continua fortemente dependente da importação de combustíveis refinados. Uma subida significativa dos preços internacionais poderá pressionar a factura de importação, aumentar os custos logísticos, agravar as pressões inflacionárias e intensificar a procura por divisas num momento em que o mercado cambial já enfrenta desafios importantes.
Ao mesmo tempo, o cenário reforça a importância estratégica dos investimentos em gás natural, energias renováveis e segurança energética doméstica, reduzindo gradualmente a vulnerabilidade da economia a choques externos.
Mercado Aproxima-Se De Um Momento Decisivo
O alerta das duas maiores petrolíferas norte-americanas sugere que os próximos meses poderão revelar-se decisivos para os mercados energéticos internacionais.
Enquanto persistirem constrangimentos no Estreito de Ormuz e os inventários continuarem a diminuir, o sistema global ficará progressivamente mais vulnerável a novos choques.
A questão já não é apenas se os preços subirão, mas até que ponto os mercados conseguirão evitar que a actual escassez de reservas evolua para um verdadeiro choque petrolífero global.
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