Acordo Entre Estados Unidos E Irão Faz Petróleo Cair Mais De 5%, Mas Mercado Continua A Enfrentar Elevadas Incertezas

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  • Anúncio de entendimento para reabertura do Estreito de Ormuz provocou forte queda dos preços do petróleo e impulsionou os mercados financeiros internacionais. Analistas alertam, contudo, que a normalização dos fluxos energéticos poderá demorar semanas ou mesmo meses, mantendo riscos significativos para a economia global.
Questões-Chave:
  • Petróleo Brent caiu cerca de 5% após anúncio de acordo entre EUA e Irão;
  • Estreito de Ormuz deverá reabrir após mais de três meses de perturbações;
  • Cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial passa por esta rota;
  • Mercados accionistas internacionais reagiram com fortes ganhos;
  • Especialistas alertam que a recuperação dos fluxos energéticos não será imediata;
  • Evolução do mercado continua relevante para países importadores como Moçambique.

Os mercados internacionais de energia registaram uma das suas maiores quedas dos últimos meses após o anúncio de um acordo preliminar entre os Estados Unidos e o Irão destinado a pôr termo ao conflito que, desde Março, tem condicionado o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas energéticas do mundo.

Segundo informações divulgadas por vários meios internacionais, incluindo a Reuters, CNBC e BBC, o preço do petróleo Brent caiu cerca de 5%, recuando para próximo dos 83 dólares por barril, enquanto o petróleo norte-americano (WTI) registou perdas superiores a 5%, atingindo os níveis mais baixos desde Março deste ano.

A reacção dos mercados reflecte a expectativa de que a reabertura do Estreito de Ormuz permita restaurar gradualmente os fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito, reduzindo os receios de escassez que alimentaram a escalada dos preços nos últimos meses.

O Gargalo Energético Que Abalou O Mundo

O Estreito de Ormuz ocupa uma posição central no sistema energético mundial.

Segundo dados citados pela Reuters, cerca de 20% do petróleo consumido globalmente e uma parcela semelhante do comércio internacional de gás natural liquefeito transitam normalmente por esta passagem marítima localizada entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico.

A interrupção parcial do tráfego provocada pelo conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão desencadeou uma das maiores perturbações energéticas da história recente.

Segundo o documento, o Brent, que era negociado em torno dos 70 dólares por barril antes do agravamento das tensões, chegou a atingir níveis próximos de 120 dólares durante o auge da crise.

A subida exerceu pressão significativa sobre economias importadoras de combustíveis, aumentando custos de transporte, produção e inflação em diversos mercados.

Acordo Gera Alívio Imediato Nos Mercados

A reacção dos investidores foi praticamente instantânea.

Segundo declarações do Presidente norte-americano Donald Trump, citadas pela CNBC e pela Reuters, o entendimento prevê a reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de taxas adicionais e o fim do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos.

O Primeiro-Ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, país que actuou como mediador entre as partes, anunciou igualmente que um memorando de entendimento deverá ser formalmente assinado na Suíça, abrindo caminho para negociações mais amplas durante um período inicial de cessar-fogo de 60 dias.

A confirmação do acordo foi suficiente para desencadear uma rápida redução do chamado “prémio de risco geopolítico” incorporado nos preços do petróleo ao longo dos últimos meses.

A Normalização Não Será Imediata

Apesar do optimismo inicial, vários especialistas alertam que a recuperação dos fluxos energéticos poderá ser mais lenta do que os mercados parecem antecipar.

Segundo Andrew Lipow, da consultora Lipow Oil Associates, citado no documento, será necessário remover minas marítimas, reorganizar o tráfego de navios e normalizar os processos de carregamento e produção antes de regressar aos níveis anteriores ao conflito.

O processo poderá demorar de algumas semanas a vários meses.

Analistas da Vanda Insights acrescentam que a ausência de detalhes completos sobre o acordo continua a gerar incertezas relevantes quanto à implementação efectiva dos compromissos assumidos.

Por sua vez, a agência Reuters refere que investidores continuam atentos à velocidade com que os produtores do Médio Oriente conseguirão recuperar exportações e restaurar a capacidade operacional afectada pelos confrontos.

Bolsas Mundiais Celebram O Fim Da Crise

O alívio não se limitou ao mercado petrolífero.

Segundo os dados divulgados, as principais bolsas asiáticas registaram ganhos expressivos após o anúncio do acordo.

O índice Nikkei, do Japão, avançou mais de 5%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul registou ganhos superiores a 5%. Na Austrália, o mercado accionista também encerrou em terreno positivo.

A recuperação reflecte a expectativa de redução dos custos energéticos globais e de menor risco para o comércio internacional.

O Que Significa Para Moçambique

Para Moçambique, a evolução do mercado petrolífero continua a ser acompanhada com particular atenção.

Embora o país seja produtor de gás natural, permanece fortemente dependente da importação de combustíveis líquidos para abastecer o mercado interno.

Durante os últimos meses, os preços elevados do petróleo aumentaram a pressão sobre os custos de importação, os preços dos combustíveis, os custos logísticos e diversas actividades económicas.

Uma estabilização do Brent em níveis próximos dos actuais poderá aliviar parte dessas pressões e reduzir riscos inflacionários associados à energia.

Contudo, a experiência recente demonstra que a geopolítica continua a ser um dos principais factores de volatilidade nos mercados internacionais de energia.

O Fim Da Crise Ainda Não É O Fim Da Incerteza

Segundo a Reuters, vários analistas consideram que a atenção dos mercados passará agora da assinatura do acordo para a sua implementação efectiva.

A reabertura gradual do Estreito de Ormuz poderá devolver ao mercado milhões de barris de petróleo e gás natural que ficaram temporariamente bloqueados durante o conflito. Porém, a velocidade desse processo continuará a determinar o comportamento dos preços nos próximos meses.

Para a economia global, o anúncio representa um importante sinal de alívio. Para os mercados energéticos, contudo, permanece uma realidade conhecida: mesmo quando as guerras terminam, os seus efeitos económicos tendem a prolongar-se muito para além dos acordos diplomáticos.