
FMI Discute Novo Programa Com Moçambique E Defende Consolidação Fiscal Para Restaurar Estabilidade Económica
- Missão do Fundo Monetário Internacional reconhece recuperação gradual da economia, mas alerta para vulnerabilidades fiscais, inflação crescente e impactos da crise no Médio Oriente
- FMI concluiu missão de avaliação a Moçambique entre 8 e 12 de Junho;
- Instituição considera que a economia está em recuperação gradual após a contracção de 2025;
- Inflação voltou a acelerar, impulsionada por factores externos;
- Vulnerabilidades fiscais e da dívida pública permanecem elevadas;
- Escassez de divisas continua a afectar importações e actividade económica;
- Governo e FMI iniciaram discussões sobre um possível novo programa apoiado pelo Fundo;
- Consolidação fiscal e estabilidade macroeconómica assumem-se como prioridades centrais.
Moçambique e o Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciaram uma nova fase de diálogo económico que poderá culminar na negociação de um programa de apoio financeiro e de reformas estruturais destinado a reforçar a estabilidade macroeconómica do país.
Uma missão técnica do FMI, liderada por Pablo Lopez Murphy, esteve em Maputo entre os dias 8 e 12 de Junho para avaliar a situação económica nacional e discutir com as autoridades moçambicanas as medidas necessárias para enfrentar os desafios que continuam a afectar a economia.
No final da visita, a instituição reconheceu que a actividade económica está a recuperar gradualmente após a contracção registada em 2025. Contudo, alertou que o crescimento permanece moderado, enquanto persistem importantes vulnerabilidades fiscais, externas e financeiras.
Recuperação Económica Ainda É Frágil
A avaliação do FMI surge num momento particularmente complexo para a economia moçambicana.
Apesar dos sinais de recuperação observados em vários sectores, o país continua a enfrentar os efeitos acumulados dos choques climáticos recentes, das limitações de financiamento e das perturbações no ambiente económico internacional.
Segundo o FMI, a inflação voltou a aumentar recentemente, embora continue abaixo dos níveis observados em anteriores períodos de instabilidade macroeconómica. Ao mesmo tempo, os desequilíbrios externos agravaram-se em 2025, reflectindo uma combinação entre exportações mais fracas e aumento das importações associadas aos grandes projectos de investimento.
A escassez persistente de divisas continua igualmente a afectar as importações e a actividade empresarial, constituindo um dos principais constrangimentos identificados pelo sector privado.
Guerra No Médio Oriente Agrava Pressões Externas
O FMI sublinha que os desafios internos estão a ser agravados pelo actual contexto internacional.
Segundo a instituição, a guerra no Médio Oriente está a provocar aumentos dos preços internacionais dos combustíveis e dos fertilizantes, factores que afectam directamente uma economia importadora como a moçambicana.
A subida dos custos energéticos e agrícolas surge num momento em que a recuperação económica ainda é considerada frágil e em que o país continua a lidar com os impactos dos choques climáticos recentes.
Para o FMI, esta conjuntura cria riscos adicionais de desaceleração económica e de aumento da inflação, reduzindo a margem de manobra das autoridades económicas.
Consolidação Fiscal No Centro Das Discussões
Um dos temas centrais da missão foi a situação das finanças públicas.
Segundo o comunicado divulgado após os encontros, as discussões concentraram-se nas políticas necessárias para restaurar a estabilidade macroeconómica e assegurar a sustentabilidade da dívida pública.
O Governo e o FMI analisaram medidas destinadas a reforçar a consolidação fiscal de forma sustentável, procurando simultaneamente proteger os grupos mais vulneráveis da população.
O comunicado das autoridades moçambicanas refere que o diálogo decorreu num ambiente aberto e construtivo, tendo incidido sobre a implementação de políticas e medidas orientadas para a consolidação fiscal de médio prazo.
A estratégia procura reduzir gradualmente os desequilíbrios das contas públicas sem comprometer os objectivos de crescimento económico e protecção social.
Novo Programa Com O FMI Ganha Forma
O desenvolvimento mais relevante da missão poderá estar relacionado com a possibilidade de um novo programa de apoio financeiro.
Segundo o FMI, as autoridades moçambicanas formalizaram um pedido para um acordo apoiado pelo Fundo, tendo as duas partes iniciado discussões preliminares sobre as políticas económicas que poderão enquadrar esse eventual programa.
Por sua vez, o Governo confirmou que aguarda o regresso da missão para aprofundar as negociações sobre um potencial Programa de Facilidade de Crédito Alargado, instrumento habitualmente utilizado pelo FMI para apoiar reformas económicas e programas de estabilização em países de baixo rendimento.
A próxima missão deverá aprofundar os detalhes das medidas fiscais, monetárias e estruturais necessárias para sustentar um eventual acordo.
Reformas Estruturais Continuam Na Agenda
Além da consolidação fiscal, as discussões abrangeram outros temas considerados fundamentais para o futuro da economia moçambicana.
Entre eles destacam-se o fortalecimento da política monetária e cambial, a preservação da estabilidade financeira, a melhoria da governação económica e a promoção do crescimento liderado pelo sector privado.
Estas prioridades estão alinhadas com várias das reformas que o Governo tem vindo a identificar como essenciais para melhorar o ambiente de negócios, atrair investimento e reforçar a competitividade da economia.
Um Momento Decisivo Para A Economia
A missão do FMI ocorre numa fase particularmente importante para Moçambique.
Por um lado, o país procura consolidar a recuperação económica após um período marcado por múltiplos choques internos e externos. Por outro, enfrenta um ambiente internacional cada vez mais desafiante, caracterizado por tensões geopolíticas, volatilidade energética e condições financeiras mais restritivas.
Neste contexto, as discussões em torno de um novo programa com o FMI poderão desempenhar um papel relevante na definição da trajectória económica dos próximos anos.
A principal mensagem transmitida pelas duas partes é que a estabilidade macroeconómica, a sustentabilidade da dívida e o fortalecimento das instituições económicas continuam a ser condições indispensáveis para criar um ambiente favorável ao investimento, ao crescimento e à geração de emprego.
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