Bolsas Disparam E Petróleo Cai Após Acordo Entre EUA E Irão Reduzir Temores Sobre Inflação Global

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  • Mercados asiáticos registaram fortes ganhos e o petróleo recuou quase 5% após o anúncio de um acordo entre Washington e Teerão para reabrir o Estreito de Ormuz. Analistas acreditam que a descida dos preços da energia poderá aliviar pressões inflacionárias e reduzir a probabilidade de novas subidas das taxas de juro pelas principais autoridades monetárias.
Questões-Chave:
  • Acordo entre Estados Unidos e Irão impulsiona mercados globais;
  • Brent recua 4,7% e petróleo norte-americano cai 5,5%;
  • Bolsas do Japão e Coreia do Sul sobem mais de 5%;
  • Investidores reduzem expectativas de subida das taxas de juro;
  • Bancos centrais enfrentam menor pressão inflacionária associada à energia;
  • Evolução poderá beneficiar economias importadoras de combustíveis, incluindo Moçambique.

Os mercados financeiros iniciaram a semana em forte alta depois de um acordo preliminar entre os Estados Unidos e o Irão ter reduzido significativamente os receios de uma prolongada perturbação dos fluxos energéticos globais.

Segundo a agência Reuters, as bolsas asiáticas registaram ganhos expressivos na segunda-feira, enquanto os preços do petróleo recuaram de forma acentuada, reflectindo a expectativa de que a reabertura do Estreito de Ormuz contribua para estabilizar os mercados energéticos e aliviar as pressões inflacionárias que vinham a preocupar investidores e bancos centrais.

A reacção demonstra até que ponto a evolução do conflito no Golfo Pérsico se transformou num dos principais factores de influência sobre os mercados financeiros globais nos últimos meses.

Petróleo Recuou Quase 5%

A resposta mais imediata surgiu no mercado petrolífero.

Segundo a Reuters, o Brent caiu 4,7%, para 83,24 dólares por barril, enquanto o petróleo norte-americano (WTI) perdeu 5,5%, recuando para 80,16 dólares.

Apesar da queda, os preços continuam significativamente acima dos níveis observados antes do início da crise.

De acordo com a mesma fonte, o Brent continua acima dos 70 dólares por barril registados antes do conflito, embora muito distante do pico de 126,41 dólares alcançado durante os momentos de maior tensão.

A descida dos preços reflecte a expectativa de que as exportações de petróleo e produtos refinados possam retomar gradualmente através do Estreito de Ormuz, rota por onde circula uma parcela significativa do comércio energético mundial.

Investidores Apostam Em Menor Inflação

O impacto da notícia foi além do sector energético.

Segundo Sean Callow, analista da ITC Markets, citado pela Reuters, a perspectiva de uma queda sustentada dos preços da energia está a alterar o debate em torno da política monetária internacional.

Nos últimos meses, o aumento dos preços do petróleo alimentou receios de uma nova vaga inflacionária, levando investidores a considerar a possibilidade de novas subidas das taxas de juro em várias economias.

Com a redução das tensões no Golfo, os mercados começaram rapidamente a rever essas expectativas.

A própria Reuters refere que os investidores reduziram a probabilidade de novos aumentos das taxas de juro nos Estados Unidos ainda este ano, numa altura em que vários bancos centrais se preparam para reuniões decisivas ao longo desta semana.

Bancos Centrais Ganham Algum Espaço De Manobra

O momento do acordo não poderia ser mais relevante para os decisores monetários.

Segundo a Reuters, os bancos centrais dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Austrália, Suíça, Suécia, Noruega e Rússia reúnem-se esta semana para avaliar a evolução da inflação, do crescimento económico e das condições financeiras globais.

A redução dos preços da energia poderá aliviar uma das principais fontes de pressão inflacionária dos últimos meses.

Segundo a mesma fonte, os mercados acreditam que a Reserva Federal norte-americana deverá manter as taxas de juro inalteradas na sua reunião de quarta-feira, enquanto os investidores acompanham atentamente qualquer sinal sobre a trajectória futura da política monetária.

A expectativa de menor inflação também impulsionou o mercado obrigacionista.

Os rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano a dois anos recuaram para 4,02%, reflectindo a procura por activos considerados seguros e a revisão das expectativas de taxas de juro.

Bolsas Asiáticas Lideram Ganhos

As bolsas asiáticas foram as principais beneficiárias da melhoria do sentimento dos investidores.

Segundo a Reuters, o índice Nikkei, do Japão, valorizou 5,4%, enquanto o mercado sul-coreano avançou 5,6%. Os principais índices chineses também encerraram em alta, acompanhando a recuperação generalizada dos activos de risco.

Na Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 e do DAX alemão subiram 1,7%, enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq apontavam igualmente para uma abertura positiva em Wall Street.

A reacção demonstra o alívio dos investidores perante a possibilidade de uma normalização gradual dos mercados energéticos internacionais.

O Dólar Perde Força

O ambiente mais favorável ao risco teve igualmente impacto nos mercados cambiais.

Segundo a Reuters, o dólar norte-americano perdeu terreno face às principais moedas internacionais, enquanto o euro valorizou 0,4%, atingindo 1,1608 dólares, e a libra esterlina avançou 0,3%.

A desvalorização da moeda norte-americana foi influenciada pela descida dos rendimentos das obrigações e pela percepção de que os riscos inflacionários associados à energia poderão diminuir nos próximos meses.

Ainda Existem Incertezas

Apesar da reacção positiva dos mercados, os analistas mantêm alguma cautela.

Segundo Vivek Dhar, analista de energia da Commonwealth Bank of Australia (CBA), citado pela Reuters, a previsão de queda do Brent para cerca de 80 dólares até ao final do ano depende da manutenção da abertura do Estreito de Ormuz e da rápida recuperação das exportações de petróleo.

Persistem igualmente dúvidas sobre o modelo de gestão futura da rota marítima.

Segundo a Reuters, o Irão indicou que o tráfego no estreito passará a ser regulado conjuntamente com Omã, levantando questões sobre eventuais taxas, regras de navegação e impacto sobre os princípios do comércio internacional.

A falta de detalhes completos sobre o acordo continua, por isso, a ser observada pelos investidores.

Um Alívio Para Economias Importadoras

Para países importadores líquidos de combustíveis, como Moçambique, a redução dos preços internacionais do petróleo representa uma notícia potencialmente positiva.

Combustíveis mais baratos tendem a reduzir custos de transporte, aliviar pressões inflacionárias e diminuir encargos sobre empresas e consumidores.

Contudo, os efeitos dependerão da estabilidade do acordo e da rapidez com que os fluxos energéticos forem efectivamente normalizados.

Segundo a Reuters, os mercados celebram o acordo como um passo importante para a estabilização económica global. Mas, como acontece frequentemente em momentos de elevada tensão geopolítica, o verdadeiro teste começará agora: transformar um entendimento político numa normalização efectiva dos mercados e das cadeias de abastecimento globais.