
Moçambique Regista Mais De 75 Mil Novas Ligações Eléctricas No Primeiro Trimestre
- Governo mantém meta anual de 420 mil novas ligações em 2026, num esforço para acelerar o acesso universal à energia até 2030, mas financiamento, capacidade de execução e riscos climáticos continuam a pesar sobre o ritmo de expansão
Questões-Chave
- Moçambique realizou 75.411 novas ligações eléctricas no primeiro trimestre de 2026.
- Do total, 44.743 ligações foram feitas através da Rede Eléctrica Nacional.
- Outras 30.668 ligações resultaram de sistemas independentes, incluindo soluções solares e pequenas centrais hidroeléctricas.
- A meta anual da Electricidade de Moçambique é alcançar 420 mil novas ligações em 2026.
- A taxa actual de electrificação situa-se em 66,4%, num contexto em que o país pretende atingir acesso universal à energia até 2030.
Moçambique realizou mais de 75 mil novas ligações eléctricas nos primeiros três meses de 2026, num sinal de continuidade dos esforços de expansão do acesso à energia, embora ainda distante da meta anual de 420 mil novas ligações prevista para este ano.
De acordo com dados do Governo citados pela Lusa, o país registou 75.411 novas ligações no primeiro trimestre. Deste total, 44.743 foram efectuadas através da Rede Eléctrica Nacional, enquanto 30.668 resultaram de sistemas independentes alimentados por centrais solares e pequenas hidroeléctricas.
Os números mostram que a electrificação em Moçambique está a avançar em duas frentes complementares: por um lado, a expansão da rede convencional; por outro, a adopção de soluções fora da rede, particularmente relevantes para zonas rurais, dispersas ou de difícil integração imediata na infraestrutura nacional.
Expansão Da Rede E Soluções Fora Da Rede
A combinação entre ligações à Rede Eléctrica Nacional e sistemas independentes revela uma mudança importante na abordagem de electrificação. Num país com elevada dispersão populacional e grandes assimetrias territoriais no acesso à energia, a expansão da rede, por si só, não é suficiente para garantir cobertura universal dentro dos prazos definidos.
As soluções solares e pequenas centrais hidroeléctricas surgem, neste contexto, como instrumentos de aceleração do acesso, sobretudo em comunidades onde a extensão da rede implica custos elevados ou prazos de execução mais longos.
Esta abordagem é particularmente relevante para a inclusão energética, uma vez que o acesso à electricidade tem efeitos directos sobre a qualidade de vida, a produtividade, a educação, a saúde e o desenvolvimento de pequenas actividades económicas. A electrificação não representa apenas iluminação doméstica; significa também maior capacidade para conservar produtos, operar pequenos negócios, melhorar serviços públicos e reduzir desigualdades territoriais.
Meta De 420 Mil Ligações Em 2026
A Electricidade de Moçambique pretende realizar 420 mil novas ligações até ao final de 2026, beneficiando cerca de dois milhões de pessoas. O objectivo insere-se no compromisso estratégico de alcançar 100% de acesso à electricidade até 2030, através da expansão da Rede Eléctrica Nacional, da implementação de soluções fora da rede e do reforço das infraestruturas existentes.
Em Março, o presidente do Conselho de Administração da EDM, Joaquim Ou-chim, indicou à Lusa que a empresa pública prevê investir 82 milhões de dólares este ano. Deste montante, cerca de 70 milhões de dólares provêm do projecto ProEnergia, financiado pelo Banco Mundial, enquanto os restantes 12 milhões de dólares serão assegurados pela tesouraria da própria empresa.
A dimensão do investimento mostra que o acesso universal à energia continua a depender de financiamento externo e de capacidade interna de execução. Ao mesmo tempo, confirma o papel central da EDM como operador público num sector em que as necessidades de expansão continuam elevadas.
Electrificação Em 66,4%
A taxa actual de electrificação em Moçambique situa-se em 66,4%, segundo os dados citados pela Lusa. Embora represente um progresso significativo face aos níveis históricos de acesso, o indicador mostra que cerca de um terço da população ainda permanece fora do acesso regular à electricidade.
A meta de cobertura universal até 2030 é, por isso, ambiciosa. Para ser alcançada, exigirá a manutenção de um ritmo elevado de novas ligações anuais, a mobilização contínua de financiamento, a melhoria da eficiência de execução dos projectos e a capacidade de responder a riscos externos, incluindo choques climáticos.
O próprio PCA da EDM reconheceu que o objectivo é “ambicioso e desafiante”, apesar dos progressos já registados. Entre os factores críticos para o cumprimento da meta estão a estabilidade macroeconómica, a capacidade de execução dos projectos, a mobilização de recursos financeiros e a mitigação de riscos associados a eventos climáticos extremos.
ProEnergia Como Pilar Da Expansão
Um dos principais instrumentos de aceleração do acesso à energia é o programa Energia para Todos, conhecido como ProEnergia. Na sua segunda fase, o programa tem permitido reforçar a rede de distribuição, instalar novas infraestruturas e ampliar o número de ligações domésticas.
Segundo a informação citada pela Lusa, no âmbito do ProEnergia já foram instalados 1.123 quilómetros de rede de média tensão, face a uma meta de 2.545 quilómetros. Na rede de baixa tensão, foram instalados 1.907 quilómetros, contra um objectivo de 3.299 quilómetros.
O programa já permitiu ainda a instalação de 1.401 postos de transformação, de um total previsto de 2.831, e a conclusão de 477.100 novas ligações, face a uma meta de 541.365.
Estes dados indicam que o programa apresenta avanços relevantes, mas ainda com margem significativa de execução. A expansão da rede de média e baixa tensão é essencial para garantir que a produção e a transmissão de energia se traduzam efectivamente em acesso nas casas, nos serviços e nas unidades produtivas.
Infraestruturas De Transmissão Também Em Reforço
Para além da distribuição, a EDM está a prosseguir com a modernização das infraestruturas de transmissão em alta e média tensão, incluindo linhas estratégicas e subestações. O objectivo é melhorar a evacuação de energia, reduzir constrangimentos operacionais e aumentar a fiabilidade do sistema.
Este aspecto é determinante porque a electrificação não depende apenas do número de ligações realizadas. A qualidade do fornecimento, a estabilidade da rede e a capacidade de suportar o crescimento da procura são igualmente importantes para transformar o acesso à energia em ganhos económicos e sociais duradouros.
À medida que mais famílias, empresas e serviços públicos são ligados à rede, aumenta também a necessidade de reforçar a capacidade do sistema eléctrico, reduzir perdas técnicas e melhorar a gestão da distribuição.
Um Desafio Económico E Social
A expansão do acesso à electricidade é um dos pilares estruturais do desenvolvimento económico de Moçambique. Sem energia acessível, fiável e sustentável, torna-se mais difícil promover industrialização, desenvolver cadeias de valor locais, melhorar a competitividade das pequenas empresas e garantir serviços públicos de qualidade.
Os dados do primeiro trimestre mostram progresso, mas também evidenciam a escala do desafio. As 75.411 novas ligações representam um avanço importante, mas correspondem ainda a menos de um quinto da meta anual de 420 mil ligações.
O desempenho dos próximos trimestres será, por isso, decisivo para avaliar se o país conseguirá manter o ritmo necessário para cumprir os objectivos de 2026 e aproximar-se da meta de acesso universal até 2030.
A electrificação continua a ser uma das frentes mais relevantes da agenda de desenvolvimento nacional. O desafio já não é apenas ligar mais famílias à energia, mas garantir que essas ligações sejam sustentáveis, financeiramente viáveis e capazes de gerar impacto económico real nos territórios.
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