Quénia Assina Acordo De US$ 1,2 Mil Milhões Para Expandir Aeroporto De Nairobi

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  • Projecto no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta deverá quase triplicar a capacidade anual de passageiros, reforçando a posição de Nairobi na disputa regional por tráfego aéreo, turismo, logística e investimento.

Questões-Chave

  • O Governo do Quénia e a China Road and Bridge Corporation assinaram um acordo avaliado em 154,2 mil milhões de xelins quenianos, equivalentes a cerca de US$ 1,2 mil milhões.
  • A expansão do Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta prevê a reabilitação de terminais, pistas e plataformas, bem como a construção de um novo terminal de passageiros.
  • A capacidade anual do aeroporto deverá subir de cerca de 7,5 milhões para mais de 22 milhões de passageiros.
  • O projecto será estruturado com recurso a receitas aeroportuárias e financiamento mobilizado por instituições financeiras de desenvolvimento e bancos comerciais.
  • Nairobi procura defender o seu estatuto de hub da África Oriental perante os investimentos aeroportuários em curso na Etiópia e no Ruanda.

O Quénia assinou um acordo de cerca de US$ 1,2 mil milhões com a China Road and Bridge Corporation para expandir o Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairobi, numa operação que procura reforçar a capacidade aeroportuária do País e preservar a posição da capital queniana como um dos principais centros de aviação, comércio e logística da África Oriental.

O acordo, avaliado em 154,2 mil milhões de xelins quenianos, foi confirmado pelo Ministro dos Transportes, Davis Chirchir, e representa um passo decisivo num projecto considerado estratégico para o futuro da conectividade aérea do Quénia.

A intervenção deverá abranger a reabilitação das infra-estruturas existentes, incluindo terminais, pistas e plataformas de estacionamento de aeronaves, bem como a construção de um novo terminal de passageiros. Quando concluído, o projecto deverá elevar a capacidade anual do aeroporto de aproximadamente 7,5 milhões para mais de 22 milhões de passageiros.

Nairobi Procura Defender Estatuto De Hub Regional

A modernização do Jomo Kenyatta International Airport surge num momento de competição mais intensa entre os principais aeroportos da África Oriental.

Nairobi procura consolidar-se como porta de entrada para a África Oriental e Central, apoiando o crescimento do turismo, das viagens de negócios, da carga aérea, das conferências internacionais e dos fluxos de investimento. O aeroporto desempenha também um papel central para a Kenya Airways, cuja estratégia depende da capacidade de utilizar Nairobi como plataforma de ligação entre África, Europa, Médio Oriente e Ásia.

A expansão ganha urgência num contexto em que a Etiópia avança com o projecto do Aeroporto Internacional de Bishoftu, estimado em US$ 12,5 mil milhões e concebido para atingir, numa fase futura, capacidade para até 110 milhões de passageiros por ano. O Ruanda desenvolve igualmente o Aeroporto Internacional de Bugesera, com apoio da Qatar Airways, como parte da sua estratégia para consolidar Kigali como centro regional de aviação e turismo.

Mais do que simples infra-estruturas de transporte, os aeroportos tornaram-se activos estratégicos para atrair companhias aéreas, melhorar a competitividade das exportações, reforçar cadeias logísticas e aumentar a capacidade de integração económica regional.

Financiamento Procura Limitar Pressão Sobre Dívida Pública

O Executivo queniano pretende estruturar o financiamento com base no aproveitamento das receitas geradas pelo próprio aeroporto, num modelo que procura reduzir a pressão directa sobre a dívida pública.

Para esse efeito, o Governo tinha anteriormente mandatado a Africa Finance Corporation e o Trade and Development Bank para organizar o financiamento e mobilizar instituições financeiras de desenvolvimento e bancos comerciais.

A abordagem reflecte uma tendência crescente em vários países africanos, onde os governos procuram combinar receitas de activos estratégicos, capital privado, financiamento de desenvolvimento e instrumentos de mercado para viabilizar infra-estruturas de grande escala sem agravar excessivamente os encargos fiscais.

A execução do projecto deverá decorrer num horizonte de cerca de três anos, segundo informações avançadas anteriormente pelo Ministério dos Transportes do Quénia.

Novo Modelo Após Controvérsia Com Adani

A expansão do aeroporto tinha sido suspensa após o abandono de uma proposta anterior que envolvia o grupo indiano Adani. O processo tornou-se politicamente sensível no Quénia, gerando contestação pública, preocupações laborais e críticas relacionadas com transparência e controlo de um activo considerado estratégico.

O acordo agora firmado com a China Road and Bridge Corporation representa, por isso, uma tentativa de retomar o projecto sob um modelo diferente, num ambiente em que o Governo terá de demonstrar capacidade de execução, clareza contratual e salvaguarda do interesse público.

O desafio não será apenas construir um novo terminal ou ampliar a capacidade física do aeroporto. Será assegurar que o investimento se traduz em melhor experiência para os passageiros, maior eficiência operacional, reforço da carga aérea e ganhos económicos para sectores como turismo, horticultura, comércio regional e serviços empresariais.

Aeroporto Como Plataforma De Crescimento Económico

O Jomo Kenyatta International Airport é particularmente relevante para as exportações quenianas de flores, produtos frescos e mercadorias de maior valor, segmentos que dependem de ligações aéreas regulares, rápidas e fiáveis para chegar aos mercados internacionais.

Uma expansão bem executada poderá reforçar a competitividade logística do País e melhorar a capacidade de Nairobi para captar tráfego de trânsito, novas rotas, operações de carga e investimento associado aos serviços aeroportuários.

Para o Quénia, o acordo representa uma aposta na modernização de um activo económico decisivo. Para a região, confirma que a aviação está a assumir um papel cada vez mais central na disputa por integração, comércio, turismo e liderança logística em África.