Dólar Estabiliza Perto De Máximo Semanal Antes Do Discurso De Warsh Em Jackson Hole

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  • A moeda norte-americana recuperou terreno durante a semana, mas deverá encerrar Agosto com a segunda queda mensal consecutiva, num mercado dividido entre a persistência da inflação, a possibilidade de novas subidas das taxas de juro e os receios sobre a trajectória da dívida dos Estados Unidos.
Questões-Chave:
  • O índice do dólar situou-se em 99,18 pontos, acumulando uma valorização semanal de 0,3%, mas encaminhando-se para uma queda mensal de 0,6%;
  • Os investidores aguardam o primeiro discurso de Kevin Warsh, enquanto presidente da Reserva Federal, no simpósio de Jackson Hole;
  • A persistência da inflação elevou para cerca de 35% a probabilidade atribuída pelo mercado a uma subida das taxas de juro em Setembro;
  • O Yen deverá encerrar Agosto com uma valorização mensal de 1,3% face ao dólar;
  • O Bitcoin aproxima-se de um ganho mensal de 30%, o mais expressivo desde finais de 2024;

O dólar norte-americano estabilizou, esta sexta-feira, 28 de Agosto, próximo do nível mais elevado da última semana, à medida que os investidores reduziram posições antes do primeiro discurso de Kevin Warsh, na qualidade de presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, no simpósio anual de Jackson Hole.

Segundo a Reuters, o índice que mede o desempenho do dólar face a um cabaz de seis das principais moedas internacionais avançava marginalmente para 99,18 pontos. Embora acumule uma valorização de 0,3% na semana, o indicador continua a caminho de encerrar Agosto com uma queda de 0,6%, a segunda contracção mensal consecutiva.

O comportamento da moeda norte-americana reflecte um mercado dividido entre dois movimentos. Por um lado, a persistência das pressões inflacionárias e a possibilidade de novas subidas das taxas de juro oferecem suporte ao dólar. Por outro, as preocupações relacionadas com o custo da dívida pública, a intervenção do Tesouro no mercado obrigacionista e a orientação futura da política monetária limitam uma recuperação mais consistente.

Jackson Hole Concentra Atenções Dos Investidores

O discurso de Kevin Warsh constitui o principal acontecimento da sessão cambial. Os mercados procuram indicações sobre a forma como o novo presidente da Reserva Federal pretende conduzir a política monetária, responder à persistência da inflação e gerir a volatilidade observada no mercado de obrigações soberanas.

As expectativas de uma orientação explícita, contudo, permanecem contidas. Warsh tem-se mostrado contrário à utilização intensiva de indicações antecipadas sobre o percurso das taxas de juro, uma prática conhecida nos mercados como forward guidance. Essa posição poderá tornar a comunicação da Reserva Federal mais dependente da evolução efectiva dos indicadores económicos.

Analistas do Citi, citados pela Reuters, consideram que qualquer sinal de alinhamento entre Warsh e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, poderá reduzir a volatilidade ao longo da curva de rendimentos e exercer pressão descendente sobre o dólar.

O alcance desse eventual alinhamento será acompanhado com particular atenção. Uma maior coordenação entre a política monetária e a gestão da dívida pública poderá estabilizar os custos de financiamento, mas também alimentar dúvidas sobre a independência da Reserva Federal e sobre a preservação do valor da moeda norte-americana.

Inflação Recoloca Subida Dos Juros No Horizonte

Os dados mais recentes indicam que as pressões sobre os preços nos Estados Unidos permanecem elevadas, contrariando as expectativas de um processo mais rápido de desinflação. Alguns responsáveis da Reserva Federal reiteraram, na quinta-feira, as suas preocupações e admitiram manter aberta a possibilidade de novas subidas das taxas de juro.

Os operadores atribuem agora uma probabilidade de aproximadamente 35% a um aumento dos juros na reunião de Setembro. Essa probabilidade sobe para cerca de 75% até Dezembro, de acordo com os indicadores acompanhados pelo mercado.

A revisão das expectativas mantém os rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano em níveis elevados. A taxa das obrigações de referência a dez anos situava-se em 4,68%, reflectindo o prémio exigido pelos investidores perante a inflação persistente, as necessidades de financiamento do Governo e a incerteza sobre a orientação da Reserva Federal.

Taxas de juro mais elevadas tendem, em condições normais, a aumentar a atractividade dos activos denominados em dólares. No actual contexto, porém, esse efeito está a ser parcialmente neutralizado pelos receios em torno da sustentabilidade fiscal e pela decisão do Tesouro de aumentar as recompras de obrigações de maturidades mais longas.

A medida anunciada por Scott Bessent procura melhorar o funcionamento do mercado e conter os custos de financiamento. Contudo, também suscitou preocupações de que uma intervenção destinada a reduzir os rendimentos das obrigações possa diminuir a remuneração relativa dos activos norte-americanos e enfraquecer o dólar.

Euro E Libra Mantêm Ganhos Mensais

O euro e a libra permaneceram próximos dos níveis mais baixos da última semana face à moeda norte-americana. A moeda europeia era negociada a US$1,1645, enquanto a libra se situava em US$1,3588.

Apesar da retracção recente, ambas as moedas deverão completar o segundo mês consecutivo de valorização face ao dólar. O desempenho mensal traduz a perda de dinamismo da moeda norte-americana, depois de um período marcado pela deterioração das expectativas fiscais e por dúvidas quanto à capacidade da Reserva Federal de conciliar o controlo da inflação com a estabilidade do mercado obrigacionista.

O Yen recuou ligeiramente para 159,55 unidades por dólar, devolvendo parte dos ganhos associados à intervenção das autoridades japonesas no mercado cambial. Ainda assim, a moeda japonesa encaminha-se para uma valorização mensal de 1,3%.

A evolução do Yen continua condicionada pelo diferencial entre as taxas de juro do Japão e dos Estados Unidos. Rendimentos norte-americanos elevados favorecem a procura pelo dólar, enquanto intervenções oficiais e expectativas de normalização monetária no Japão oferecem suporte à moeda japonesa.

Dólares Australiano E Neozelandês Avançam

O dólar australiano apreciou-se até 0,1%, alcançando US$0,7205, o nível mais elevado dos últimos três meses. O movimento foi impulsionado pelo aumento das expectativas de uma subida das taxas de juro na Austrália.

O dólar neozelandês também avançou 0,1%, para US$0,5955. Já o dólar canadiano manteve-se praticamente inalterado em 1,3844 unidades por dólar norte-americano e deverá registar a segunda queda mensal consecutiva, num contexto de agravamento das tensões comerciais entre o Canadá e os Estados Unidos.

O desempenho das moedas ligadas a matérias-primas ocorre num momento em que os futuros do petróleo Brent permanecem próximos de US$90 por barril. A manutenção dos preços da energia em níveis elevados tende a favorecer as moedas de países exportadores, embora esse efeito possa ser limitado pela evolução das relações comerciais e pelas perspectivas para o crescimento mundial.

Bitcoin Aproxima-Se De Ganho Mensal De 30%

Nos activos digitais, o Bitcoin ultrapassou temporariamente US$81 mil antes de reduzir parte dos ganhos. A principal criptomoeda deverá encerrar Agosto com uma valorização próxima de 30%, o seu melhor desempenho mensal desde finais de 2024.

A subida ocorre num ambiente de procura por activos alternativos, apesar da manutenção de rendimentos elevados nas obrigações norte-americanas. O movimento sugere que parte dos investidores continua a procurar instrumentos de diversificação perante as dúvidas sobre o valor futuro do dólar e a condução das políticas monetária e fiscal nos Estados Unidos.

Para os mercados cambiais, a mensagem de Jackson Hole poderá definir a direcção das próximas sessões. Uma orientação mais restritiva, centrada na persistência da inflação, tenderá a sustentar o dólar e os rendimentos das obrigações. Uma comunicação mais favorável à estabilização dos custos de financiamento poderá, em contrapartida, prolongar a depreciação mensal da moeda norte-americana e favorecer o euro, a libra, o Yen e os activos alternativos.

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