ETG Mobiliza US$600 Milhões Para Financiar Cadeias Agrícolas Africanas

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• Facilidade co-organizada pelo FMO e pelo TDB Group destina-se a financiar a compra, processamento, armazenagem e transporte de produtos agrícolas, com o custo do crédito associado ao cumprimento de metas sociais e ambientais.

Questões-Chave:
  • A facilidade de financiamento concedida à Export Trading Group foi ampliada de US$ 394 milhões para US$ 600 milhões;
  • A operação disponibiliza capital circulante para a aquisição, processamento, armazenagem e transporte de produtos agrícolas em África;
  • O financiamento abrange cereais, leguminosas, oleaginosas, castanha de caju, café e fertilizantes;
  • O custo do crédito está associado a indicadores relacionados com agricultores, participação das mulheres, extensão rural e protecção das florestas;
  • O impacto sobre os produtores será determinado pelas condições comerciais, pela distribuição geográfica dos recursos e pelo valor acrescentado localmente.

A Export Trading Group (ETG) assegurou uma facilidade de financiamento de US$600 milhões para sustentar as suas operações agrícolas em África, numa transacção que amplia em US$206 milhões o montante inicialmente mobilizado e coloca o capital circulante no centro da organização das cadeias de abastecimento do continente.

A facilidade havia sido estruturada inicialmente em US$394 milhões pelo Banco Neerlandês de Desenvolvimento Empresarial, conhecido pela sigla FMO, e pelo Trade and Development Bank Group (TDB Group). A entrada de novos financiadores permitiu elevar o montante total para US$600 milhões.

Entre as instituições que se juntaram à operação encontram-se o Banco Africano de Desenvolvimento, a instituição financeira italiana CDP Cassa Depositi e Prestiti, a finlandesa Finnfund, o Impact Fund Denmark e o Banco de Desenvolvimento da Áustria, OeEB.

A FinDev Canada já participava no financiamento, enquanto o grupo de credores anteriores incluía a alemã DEG, o Fundo da OPEP para o Desenvolvimento Internacional e a agência francesa Proparco.

Embora o anúncio seja apresentado como um investimento de US$600 milhões nas cadeias agrícolas africanas, a operação corresponde, em termos financeiros, a uma facilidade de crédito disponibilizada à ETG. Não se trata, portanto, de uma aplicação integral de capitais próprios da empresa, mas de recursos mobilizados junto de instituições financeiras de desenvolvimento.

Capital Circulante Para Ligar a Produção Aos Mercados

Os recursos destinam-se a financiar as operações africanas da ETG, abrangendo a aquisição de produtos junto dos fornecedores, processamento, armazenagem, transporte e distribuição. A facilidade inclui cadeias de cereais, leguminosas, oleaginosas, castanha de caju e café, além do comércio e distribuição de fertilizantes.

Esta configuração confere à operação uma dimensão que ultrapassa o financiamento de activos físicos. Nas cadeias agrícolas, a disponibilidade de capital circulante determina a capacidade dos operadores para adquirir a produção durante a campanha, assegurar o armazenamento, suportar os custos logísticos e esperar pelo momento adequado de colocação dos produtos no mercado.

A ausência desse capital obriga frequentemente os produtores a venderem imediatamente após a colheita, quando a oferta é elevada e os preços tendem a ser mais baixos. Também limita a capacidade de conservar os produtos, financiar o processamento e negociar contratos de fornecimento com compradores de maior dimensão.

Ao disponibilizar liquidez a um operador integrado, a facilidade poderá acelerar a circulação dos produtos entre as zonas de produção, as unidades de processamento, os armazéns e os mercados domésticos ou internacionais.

O efeito económico, porém, não é automático. A existência de mais financiamento ao nível do agregador ou comprador não significa necessariamente melhores rendimentos para os agricultores. Essa transmissão estará associada aos preços pagos, à previsibilidade das compras, aos prazos de pagamento e ao acesso dos produtores a insumos, assistência técnica e informação de mercado.

Operação Cresce Mais de 52%

A passagem de US$394 milhões para US$600 milhões representa um acréscimo de US$206 milhões, equivalente a aproximadamente 52,3% do valor inicial.

O aumento traduz a disposição das instituições financeiras de desenvolvimento para ampliar a exposição às cadeias agrícolas africanas através de empresas com capacidade de operar em vários mercados e de integrar diferentes etapas da produção e comercialização.

Para os financiadores, a dimensão e a presença regional da ETG permitem distribuir os recursos por várias cadeias e geografias. Para a empresa, a facilidade reduz as limitações de liquidez num sector marcado pela sazonalidade, pela volatilidade dos preços, pelos riscos climáticos e pela necessidade de adquirir grandes volumes num período relativamente curto.

O financiamento da agricultura apresenta características particulares. As despesas são realizadas antes da comercialização, enquanto as receitas dependem da colheita, da qualidade dos produtos, dos preços e da capacidade de transporte. Entre a compra e a venda, o operador precisa de financiar inventários, armazenagem, processamento e logística.

É essa diferença temporal entre os pagamentos e as receitas que torna o capital circulante decisivo para a continuidade das operações agrícolas.

Sustentabilidade Influencia O Custo Do Crédito

A facilidade foi estruturada como financiamento ligado à sustentabilidade. Neste modelo, o preço do crédito, normalmente expresso através da margem de juros, pode variar consoante o desempenho da empresa em indicadores previamente estabelecidos.

Entre as áreas associadas à operação encontram-se o apoio aos agricultores, a participação das mulheres nas cadeias de valor, a prestação de serviços de extensão rural e as medidas relacionadas com a desflorestação e a reflorestação.

A natureza do instrumento deve ser distinguida de um empréstimo exclusivamente destinado a projectos ambientais. Num financiamento ligado à sustentabilidade, os recursos podem apoiar as actividades gerais da empresa, mas as condições financeiras ficam associadas à evolução de indicadores sociais e ambientais.

Deste modo, os financiadores procuram induzir mudanças no comportamento do mutuário, vinculando parte do custo do capital a resultados verificáveis. A eficácia do mecanismo estará relacionada com a qualidade dos indicadores, a ambição das metas, a existência de informação de base e a verificação independente dos resultados reportados.

Metas pouco exigentes ou assentes apenas no crescimento das operações podem reduzir o alcance do instrumento. Em sentido contrário, indicadores claros e auditáveis podem transformar o financiamento numa ferramenta de gestão, obrigando a empresa a integrar critérios ambientais e sociais nas decisões comerciais.

Agricultura Atrai Capital De Desenvolvimento

A composição do sindicato financeiro mostra a crescente convergência entre segurança alimentar, desenvolvimento rural, comércio agrícola e financiamento sustentável.

A participação de instituições da Europa, de África e da América do Norte permite repartir o risco de uma operação de grande dimensão e ampliar a capacidade de financiamento de uma empresa que trabalha com produtos sujeitos a oscilações de preços, condições climáticas e limitações logísticas.

Para os bancos de desenvolvimento, financiar uma plataforma agrícola integrada oferece a possibilidade de alcançar produtores que dificilmente receberiam crédito directo de instituições internacionais. A ETG funciona, neste caso, como intermediária entre o capital institucional e as cadeias produtivas.

Este modelo também concentra responsabilidades. A capacidade de o financiamento chegar indirectamente aos produtores depende das práticas comerciais da empresa, da qualidade das relações contratuais e da distribuição dos recursos entre países, produtos e segmentos da cadeia.

O anúncio não apresenta uma repartição pública dos US$600 milhões por mercado. Por isso, o montante global não deve ser interpretado como uma dotação assegurada para cada país africano onde a ETG desenvolve actividades.

Processamento Local Define O Valor Económico

Para as economias africanas, um dos aspectos centrais será a parcela da produção que receberá transformação antes de ser exportada ou distribuída.

A aquisição de maiores volumes pode aumentar o rendimento agrícola e dinamizar o comércio. Todavia, os efeitos sobre o emprego, a industrialização e as receitas fiscais tornam-se mais significativos quando o financiamento também sustenta armazenagem, classificação, embalagem, transformação e comercialização local.

Produtos como a castanha de caju, o café e as oleaginosas podem gerar resultados económicos distintos consoante sejam vendidos em bruto ou processados nos países produtores. A expansão da capacidade de compra, sem correspondente desenvolvimento industrial, poderá elevar os volumes comercializados sem alterar substancialmente a posição dos países africanos nas cadeias internacionais de valor.

A operação ganha maior significado se permitir reduzir as perdas pós-colheita, elevar os padrões de qualidade, aumentar a transformação local e criar relações comerciais mais estáveis com pequenos e médios produtores.

Financiamento Abre Espaço Para Maior Escala

A facilidade de US$600 milhões dá à ETG capacidade adicional para financiar inventários e movimentar maiores volumes de produtos agrícolas. Também permite consolidar a presença de instituições financeiras de desenvolvimento num sector que enfrenta dificuldades de acesso ao crédito de médio e longo prazo.

Para os produtores, as oportunidades poderão materializar-se através de mercados mais previsíveis, maior disponibilidade de insumos, assistência técnica e integração em circuitos formais de comercialização. Os riscos incluem a concentração do poder de compra, a desigualdade na negociação dos preços e a expansão agrícola para áreas ambientalmente sensíveis.

A combinação entre financiamento, indicadores de sustentabilidade e uma plataforma comercial de dimensão continental constitui, assim, o elemento distintivo da operação.

Mais do que o valor anunciado, serão a distribuição dos recursos, o volume adquirido junto dos produtores, o processamento realizado em África, os preços pagos e o cumprimento das metas sociais e ambientais que permitirão avaliar a contribuição económica desta facilidade para as cadeias agrícolas do continente.