
Manual De Bancabilidade Procura Aproximar PMEs Do Capital
• GIZ e Agência do Zambeze assinaram um memorando para desenvolver empresas da agricultura e economia azul. Nova metodologia deverá diagnosticar falhas de gestão, estruturar projectos e preparar negócios para negociar com bancos e investidores.
- A GIZ Moçambique e a Agência do Zambeze formalizaram uma parceria para o desenvolvimento do sector privado;
- A cooperação incide sobre agricultura, economia azul, financiamento, políticas públicas e promoção de investimentos;
- O Manual de Bancabilidade estabelece uma metodologia faseada para preparar micro, pequenas e médias empresas;
- Técnicos da Agência do Zambeze foram formados para diagnosticar empresas e definir medidas específicas de assistência;
- A iniciativa pretende criar uma carteira de negócios competitivos e preparados para receber financiamento;
- As actividades são financiadas pela União Europeia e pelo Ministério Federal Alemão da Cooperação Económica e do Desenvolvimento.
Parceria Avança Para A Preparação De Empresas
A Cooperação Alemã, através da GIZ Moçambique, e a Agência do Zambeze assinaram um Memorando de Entendimento destinado a melhorar a capacidade das micro, pequenas e médias empresas para acederem a financiamento e atraírem investimento nos sectores da agricultura e da economia azul.
O acordo foi formalizado durante a 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo, FACIM 2026, e organiza a cooperação em quatro áreas interligadas: promoção de modelos de negócio inclusivos, melhoria do acesso ao financiamento, diálogo sobre o ambiente de políticas públicas e desenvolvimento de cadeias de valor sustentáveis.
A parceria pretende transformar o potencial económico da região do Vale do Zambeze numa carteira de empresas e projectos com condições técnicas, comerciais e financeiras para serem apresentados a bancos, fundos e investidores.
Um dos primeiros instrumentos da cooperação é o Manual de Bancabilidade, lançado durante uma sessão conjunta sobre promoção de investimentos e parcerias estratégicas para o Vale do Zambeze.
Bancabilidade Vai Além Da Existência De Uma Ideia
Uma empresa pode ter um produto com procura, acesso a matéria-prima e oportunidade de mercado sem reunir condições para obter financiamento.
Para um banco ou investidor, a decisão depende da capacidade da empresa para demonstrar receitas, custos, fluxos de caixa, qualidade da gestão, situação fiscal, estrutura de propriedade, riscos operacionais e possibilidade de reembolso.
A bancabilidade corresponde ao conjunto de características que permite transformar uma oportunidade empresarial numa proposta financiável. Isso exige informação financeira organizada, um modelo de negócio coerente, conhecimento do mercado, capacidade técnica e uma estrutura de risco compatível com o instrumento procurado.
O novo manual apresenta uma metodologia faseada para avaliar cada empresa, identificar as lacunas que impedem o financiamento e definir intervenções específicas para melhorar a sua preparação.
Em vez de aplicar o mesmo programa de capacitação a todas as empresas, a abordagem procura diferenciar as necessidades. Algumas podem precisar de contabilidade organizada; outras, de melhorar a governação, elaborar um plano financeiro, certificar produtos ou encontrar contratos que sustentem as projecções de receitas.
Técnicos Foram Formados Para Aplicar A Metodologia
Antes do lançamento, técnicos da Agência do Zambeze participaram numa formação sobre o manual e os instrumentos de avaliação empresarial.
Os participantes trabalharam as diferentes fases da metodologia, desde a análise inicial do negócio e a identificação das deficiências de bancabilidade até à definição de medidas de assistência e à preparação do contacto com instituições financeiras.
A formação é importante porque transfere capacidade de avaliação para uma instituição pública com intervenção directa no desenvolvimento económico da região.
A Agência do Zambeze poderá utilizar a metodologia para seleccionar empresas com potencial, determinar o tipo de apoio necessário e acompanhar a evolução até à apresentação de uma proposta de financiamento.
Este processo também pode melhorar a utilização dos recursos destinados à capacitação empresarial. Uma avaliação inicial permite concentrar assistência técnica em lacunas concretas, em vez de financiar acções genéricas sem relação directa com as exigências do mercado financeiro.
Agricultura Precisa De Financiamento Ajustado Ao Ciclo Produtivo
A agricultura possui características que dificultam o acesso ao crédito através dos modelos bancários convencionais.
As receitas são sazonais, a produção está exposta ao clima, os preços variam e muitos produtores não dispõem de garantias aceites pelos bancos. Além disso, o período entre a compra de factores de produção e o recebimento das vendas pode prolongar-se por vários meses.
Uma metodologia de bancabilidade aplicada ao sector terá de considerar estas especificidades. Um projecto agrícola não pode ser avaliado apenas pelos resultados financeiros de curto prazo, sem observar o ciclo de produção, os contratos de comercialização, a disponibilidade de água, o acesso à terra e os riscos climáticos.
A preparação das empresas deverá incluir projecções realistas, seguros, acordos com compradores, sistemas de irrigação, assistência técnica e mecanismos de mitigação de risco.
A existência de contratos de fornecimento ou compra antecipada pode tornar as receitas mais previsíveis e aumentar a disposição das instituições financeiras para concederem crédito.
Economia Azul Exige Projectos Comercialmente Estruturados
A economia azul abrange actividades como pesca, aquacultura, processamento de pescado, logística marítima, turismo costeiro e aproveitamento sustentável dos recursos aquáticos.
Apesar do potencial, vários projectos permanecem numa fase conceptual por falta de estudos de viabilidade, licenciamento, dados de mercado, estrutura financeira e identificação clara das receitas.
O Manual de Bancabilidade poderá ajudar a separar iniciativas com potencial comercial de propostas que ainda necessitam de investigação, assistência técnica ou investimento público prévio.
Na aquacultura, por exemplo, a avaliação deve considerar a qualidade da água, fornecimento de ração, sanidade, capacidade de processamento, cadeia de frio e acesso aos mercados. Na pesca, entram igualmente os custos das embarcações, combustível, conservação, certificação e cumprimento das quotas.
A bancabilidade deverá ser acompanhada por critérios ambientais e sociais, uma vez que o financiamento de actividades da economia azul depende cada vez mais da sustentabilidade dos recursos e da protecção das comunidades costeiras.
Parceria Procura Construir Uma Carteira De Investimentos
O objectivo institucional é desenvolver uma carteira, ou pipeline, de empresas competitivas e preparadas para receber capital.
Uma carteira organizada permite apresentar aos financiadores negócios em diferentes fases de maturidade, sectores e níveis de risco. Também facilita a ligação entre empresas que procuram capital e instituições com instrumentos adequados.
Os bancos comerciais podem financiar fundo de maneio e activos com fluxos de caixa previsíveis. Fundos de investimento podem assumir participações em empresas com elevado potencial de crescimento. Linhas concessionais e garantias públicas podem apoiar projectos cujo risco ainda seja considerado elevado pelo mercado.
A utilidade do manual será maior se a avaliação das empresas estiver ligada a estes instrumentos concretos. Preparar um plano de negócio sem identificar o financiador, a modalidade de capital e as condições de acesso pode produzir documentação formalmente correcta, mas sem capacidade de mobilizar recursos.
A metodologia deverá, por isso, aproximar as empresas dos financiadores ao longo do processo, e não apenas depois da conclusão da capacitação.
Acesso Ao Crédito Continua A Ser Um Obstáculo Estrutural
As micro, pequenas e médias empresas moçambicanas enfrentam dificuldades recorrentes no acesso ao financiamento devido às taxas de juro, exigências de garantias, informalidade, reduzida qualidade dos registos financeiros e percepção elevada de risco.
Nos sectores agrícola e pesqueiro, estas barreiras são agravadas pela volatilidade das receitas e pela vulnerabilidade a choques climáticos e logísticos.
A preparação empresarial pode reduzir parte do risco percebido pelos bancos, mas não resolve, por si só, o custo do dinheiro ou a falta de instrumentos financeiros ajustados às cadeias produtivas.
O avanço da bancabilidade deverá ser acompanhado por garantias parciais de crédito, linhas de financiamento de médio e longo prazo, seguros e mecanismos de partilha de risco.
Sem estes instrumentos, empresas melhor organizadas podem continuar excluídas do crédito por não possuírem garantias ou por operarem em sectores que as instituições financeiras consideram demasiado arriscados.
Diálogo De Políticas Deve Remover Barreiras Ao Investimento
A parceria entre a GIZ e a Agência do Zambeze inclui o apoio ao diálogo sobre a criação de um ambiente de políticas favorável ao investimento privado.
Esta componente deverá permitir que as dificuldades identificadas durante a avaliação das empresas alimentem propostas de melhoria regulatória.
Se várias empresas enfrentarem o mesmo obstáculo no licenciamento, acesso à terra, importação de equipamentos, certificação ou contratação com o Estado, o problema deixa de ser apenas empresarial e passa a exigir uma resposta institucional.
O diagnóstico agregado pode ajudar a identificar custos regulatórios que reduzem a competitividade das cadeias agrícolas e da economia azul.
A ligação entre assistência às empresas e reforma do ambiente de negócios é uma das dimensões mais relevantes do acordo. Sem essa articulação, cada empresa é obrigada a enfrentar individualmente obstáculos que resultam do funcionamento do mercado ou das instituições.
Resultados Precisam De Indicadores Mensuráveis
O lançamento do manual e a assinatura do memorando representam o início da parceria, mas os resultados deverão ser avaliados pela evolução das empresas apoiadas.
Indicadores relevantes incluem o número de empresas diagnosticadas, planos de melhoria implementados, pedidos de financiamento apresentados, crédito aprovado, capital mobilizado, contratos conquistados, empregos criados e aumento das vendas.
Também será necessário acompanhar quantas empresas continuam em actividade depois de receberem o financiamento e se conseguem cumprir as obrigações assumidas.
A taxa de aprovação de crédito, isoladamente, não determina o sucesso. Um programa de bancabilidade deve contribuir para financiar empresas viáveis e reduzir o risco de incumprimento.
A informação produzida durante o acompanhamento poderá ainda ajudar bancos e investidores a compreender melhor o desempenho das cadeias agrícolas e da economia azul no Vale do Zambeze.
Cooperação É Financiada Pela União Europeia E Alemanha
As actividades são implementadas com financiamento da União Europeia e do Ministério Federal Alemão da Cooperação Económica e do Desenvolvimento.
O apoio internacional deverá financiar a assistência técnica, capacitação institucional, desenvolvimento das ferramentas e promoção das ligações entre empresas e investidores.
A sustentabilidade da iniciativa dependerá da incorporação da metodologia nos processos regulares da Agência do Zambeze e da capacidade de atrair instituições financeiras para a carteira de empresas preparada.
O Manual de Bancabilidade oferece uma base para organizar a passagem entre potencial empresarial e investimento. O seu efeito económico dependerá do número de negócios que conseguirem melhorar a gestão, mobilizar capital e transformar financiamento em produção, emprego e crescimento das cadeias de valor.
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26 de Agosto, 2026
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