Eni Canaliza Cerca de US$ 1 Bilião Para Fornecedores Nacionais e Amplia Escala Com Coral Norte

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Relatório sobre duas décadas de presença em Moçambique destaca contratação de empresas nacionais, formação e investimento social. Nova plataforma Coral Norte, prevista para 2028, deverá ampliar a produção de LNG e abrir uma nova frente de oportunidades para fornecedores e trabalhadores moçambicanos.

Questões-Chave:

  • Eni atribuiu cerca de US$ 1 mil milhões em contratos a fornecedores moçambicanos desde 2016;
  • Mais de 200 empresas de Cabo Delgado participaram, em 2025, em iniciativas de aproximação à cadeia de fornecimento;
  • Coral Sul já ultrapassou uma centena de carregamentos de LNG desde o início das exportações em 2022;
  • Coral Norte acrescentará cerca de 3,6 milhões de toneladas de LNG por ano e tem entrada em operação prevista para 2028;
  • Governo aprovou recentemente uma estrutura de financiamento de até US$ 7,2 mil milhões para o Coral Norte;
  • Saúde, formação, água, saneamento e diversificação económica integram a componente social associada à presença da Eni.

A Eni atribuiu cerca de US$ 1 mil milhões em contratos a fornecedores moçambicanos desde 2016, um dos principais indicadores económicos apresentados pela companhia na avaliação dos seus 20 anos de presença em Moçambique.

Os dados foram divulgados em Pemba, Cabo Delgado, no âmbito da apresentação do relatório de sustentabilidade local “20 Anos da Eni em Moçambique: Juntos Crescemos 2025”, que reúne resultados relacionados com conteúdo local, desenvolvimento empresarial, formação profissional e intervenção social.

Em 2025, mais de 200 empresas locais participaram em iniciativas de aproximação à cadeia de fornecimento da companhia, incluindo acções destinadas a reforçar a capacidade para concorrer a contratos do sector de petróleo e gás.

A dimensão destes contratos coloca o conteúdo local entre os principais canais através dos quais os investimentos em gás natural começam a produzir ligações com o restante tecido económico nacional.

Contratação Local Aproxima-se De US$ 1 Mil Milhões

A evolução dos contratos com empresas moçambicanas acompanha a progressiva implantação da Eni na Bacia do Rovuma.

Em Abril de 2025, quando o Coral Sul atingiu o 100.º carregamento de LNG, a companhia reportava aproximadamente US$ 800 milhões em contratos atribuídos a pequenas e médias empresas moçambicanas, além de cerca de US$ 33 milhões investidos na formação de jovens graduados. O projecto tinha igualmente criado cerca de 1.400 postos de trabalho directos e indirectos para profissionais nacionais.

Os cerca de US$ 1 mil milhões actualmente reportados mostram uma expansão dessa contratação.

A continuidade desta trajectória ganha maior importância com a passagem do Coral Norte para a fase de construção e com o aumento previsto da procura por logística, manutenção, transporte, serviços técnicos, fornecimento de materiais e outras actividades relacionadas com a operação do projecto.

Informações divulgadas em Setembro indicam que a Eni pretende canalizar até US$ 3 mil milhões para empresas moçambicanas no quadro dos projectos associados à Área 4.

Esta previsão amplia substancialmente a dimensão potencial do mercado para fornecedores nacionais.

Coral Norte Eleva Escala Do Investimento

O próximo salto operacional da Eni em Moçambique está associado ao Coral Norte FLNG.

A decisão final de investimento foi adoptada em Outubro de 2025 e a construção da nova plataforma avançou em 2026, com lançamento do casco realizado em Janeiro, na Coreia do Sul. A entrada em produção está prevista para 2028.

O projecto terá capacidade de liquefacção de aproximadamente 3,6 milhões de toneladas por ano, semelhante à do Coral Sul. As duas unidades deverão elevar a produção combinada de LNG de Moçambique para mais de sete milhões de toneladas anuais.

O Governo aprovou, em Setembro, uma estrutura de financiamento do Coral Norte que permite mobilizar até US$ 7,2 mil milhões, incluindo a engenharia, construção, instalação e mobilização da unidade flutuante.

O modelo prevê até 70% de financiamento através de capitais alheios e pelo menos 30% através de capitais próprios, incluindo mecanismos destinados a assegurar a participação da ENH no empreendimento.

A nova escala industrial aumenta simultaneamente o volume potencial de negócios disponíveis no mercado doméstico.

Fornecedores Enfrentam Exigências De Maior Escala

A participação empresarial nacional no ciclo seguinte exige capacidade para responder aos padrões técnicos, financeiros e operacionais dos grandes projectos de LNG.

Os contratos abrangem áreas distintas, desde fornecimento básico e logística até serviços industriais especializados, manutenção, engenharia e segurança.

A experiência acumulada no Coral Sul cria uma base de fornecedores e profissionais com contacto prévio com os requisitos da indústria.

A própria Eni tem ajustado processos de procurement e desenvolvido iniciativas destinadas a aumentar o número de empresas nacionais registadas e aptas a participar nos concursos.

A expansão do Coral Norte acrescenta uma oportunidade para elevar a presença das empresas nacionais para segmentos de maior complexidade e valor.

Financiamento empresarial, certificação, capacidade de gestão, segurança industrial, tecnologia e formação técnica assumem particular importância nesta fase.

Formação Cria Competências Para A Indústria Do Gás

O desenvolvimento de competências constitui outro eixo da presença da companhia.

No Coral Sul, mais de 200 jovens moçambicanos receberam formação especializada em áreas como logística, produção de petróleo e gás, integridade de activos, serviços técnicos e saúde, segurança e ambiente.

A Eni indicava, em 2025, que cerca de 200 profissionais moçambicanos já participavam directamente nas operações a bordo do Coral Sul.

O efeito desta qualificação ultrapassa a operação de uma plataforma específica.

Profissionais formados em actividades altamente especializadas passam a constituir uma base de competências disponível para outros projectos energéticos, industriais e logísticos que avancem no País.

A entrada do Coral Norte cria uma nova fase de procura por estes perfis.

Saúde, Educação E Água Integram Intervenção Social

O relatório apresentado em Pemba contabiliza igualmente intervenções nas áreas de saúde, educação, água e desenvolvimento comunitário.

Em 2025, a Eni reportava cerca de 50 mil beneficiários de iniciativas de diversificação económica e coesão social e aproximadamente 60 mil pessoas com melhorias no acesso a água segura, higiene e saneamento.

Na área da saúde, a empresa financiou a instalação do primeiro equipamento de tomografia computorizada no Hospital Provincial de Pemba.

O equipamento reduziu a necessidade de deslocação de pacientes para outras províncias para realização deste tipo de diagnóstico. O programa de saúde incluiu também milhares de exames ligados à prevenção do cancro do colo do útero.

Em Maio de 2026, a Eni e os parceiros da Área 4 assinaram novos memorandos com o Ministério da Saúde para reforçar o diagnóstico e tratamento do cancro da mama e do colo do útero e melhorar infra-estruturas hospitalares em Cabo Delgado e Maputo.

Coral Sul Consolida Produção Da Bacia Do Rovuma

O Coral Sul iniciou as exportações de LNG em Novembro de 2022, tornando-se o primeiro projecto a colocar em produção comercial o gás da Bacia do Rovuma.

A unidade possui capacidade aproximada de 3,6 milhões de toneladas anuais e utiliza seis poços ligados à plataforma flutuante.

O marco do 100.º carregamento foi alcançado em Abril de 2025, cerca de dois anos e meio depois da primeira exportação.

A produção criou uma base operacional que está agora a ser utilizada no desenvolvimento do Coral Norte. A Eni considera que a experiência adquirida permitirá reduzir custos e riscos de execução e cumprir o calendário definido para 2028.

Com as duas unidades em funcionamento, Moçambique deverá reforçar a sua presença no mercado africano e internacional de LNG.

Conteúdo Local Entra Numa Nova Escala

Os primeiros 20 anos da Eni em Moçambique incluem exploração, descoberta de grandes reservas, entrada em produção do Coral Sul e desenvolvimento do Coral Norte.

A fase seguinte deverá ser marcada pela ampliação simultânea da produção e da actividade associada aos projectos.

Os cerca de US$ 1 mil milhões já atribuídos a fornecedores nacionais estabelecem uma base concreta para avaliar esta trajectória. A expansão anunciada para até US$ 3 mil milhões elevará significativamente o volume de negócios disponível para empresas moçambicanas caso os contratos previstos avancem conforme o calendário dos projectos.

A evolução poderá ser medida pelo número de empresas nacionais que entram na cadeia de fornecimento, pela dimensão dos contratos adjudicados, pelos segmentos técnicos ocupados por fornecedores locais e pela formação de trabalhadores moçambicanos.

Com o Coral Norte em desenvolvimento e a capacidade de LNG do País a caminho de praticamente duplicar, o conteúdo local entra igualmente numa nova escala de exigência e oportunidade empresarial.

Fontes: Eni; Instituto Nacional de Petróleo; AIM; relatório “20 Anos da Eni em Moçambique: Juntos Crescemos 2025”.