Moçambique Expande Cabotagem Para Reduzir Pressão Sobre Estradas e Integrar Mercados

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  • Governo pretende simplificar procedimentos portuários e tratar a carga de cabotagem como mercadoria nacional, enquanto operação marítima cresce para oito navios e ganha espaço como alternativa à EN1 e instrumento de integração económica.
QUESTÕES-CHAVE
  • Cabotagem nacional já liga oito províncias através de uma rede logística de cerca de 2.700 quilómetros;
  • Governo estima que a operação tenha retirado das estradas cerca de 14 mil camiões desde Abril de 2025;
  • Frota ligada à actividade passou de uma embarcação para oito navios, seis dos quais operados pela CPG;
  • Executivo pretende simplificar procedimentos portuários e assegurar tratamento da carga de cabotagem como mercadoria nacional;
  • Transporte marítimo é apontado como instrumento para aproximar zonas de produção dos centros de consumo e reduzir custos logísticos;
  • CPG defende o mar como uma “Estrada Nacional Número Zero”, complementar ao transporte rodoviário.

Moçambique está a reforçar a cabotagem como componente da sua rede logística nacional, numa estratégia destinada a reduzir a pressão sobre as estradas, melhorar a circulação de mercadorias entre regiões e aproveitar de forma mais intensiva a capacidade instalada nos portos.

O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, defendeu esta orientação durante o lançamento da Campanha de Promoção da Cabotagem Nacional, em Maputo, destacando o potencial do transporte marítimo doméstico para aumentar previsibilidade e eficiência na movimentação de carga.

A aposta ganha relevância num contexto em que vários troços da Estrada Nacional Número 1, sobretudo na região Centro, continuam a enfrentar limitações de conservação e capacidade.

“A cabotagem já resolve parte dos problemas que temos, sobretudo porque parte da Estrada Nacional Número 1 está em condições bastante precárias”, afirmou Matlombe, acrescentando que a utilização do mar também introduz maior previsibilidade no transporte de mercadorias. Governo quer tornar cabotagem n…

Oito Províncias Já Estão Ligadas Por Via Marítima

Segundo o Governo, a cabotagem nacional já permite ligar oito províncias através de uma rede logística de aproximadamente 2.700 quilómetros.

A actividade oferece às empresas uma alternativa ao transporte rodoviário de longa distância e ao recurso a circuitos marítimos internacionais para movimentação interna de mercadorias.

A expansão da operação também começa a produzir efeitos sobre a rede rodoviária. De acordo com João Matlombe, cerca de 14 mil camiões terão sido retirados das estradas desde o lançamento da iniciativa, em Abril de 2025. Governo quer tornar cabotagem n…

A redução do tráfego pesado pode contribuir para diminuir desgaste do pavimento, necessidades de manutenção e congestionamento em determinados corredores.

O impacto económico tende a depender do volume de carga transferido para o transporte marítimo, frequência das ligações e capacidade de coordenação entre navios, portos e transporte rodoviário de primeira e última milha.

Governo Procura Simplificar Procedimentos Nos Portos

Um dos principais constrangimentos identificados está na forma como a carga de cabotagem é processada nos portos.

João Matlombe defendeu que mercadorias transportadas entre portos moçambicanos devem ser tratadas como carga nacional, reduzindo procedimentos administrativos associados ao comércio internacional.

“Precisamos melhorar os serviços ao nível dos nossos portos e garantir uma coordenação institucional entre as diferentes entidades, para tratar a cabotagem não como mercadoria internacional, mas como nacional”, afirmou. Governo quer tornar cabotagem n…

A simplificação destes procedimentos pode influenciar directamente tempos de permanência da carga, custos portuários e competitividade do transporte marítimo face à rodovia.

Para investidores e operadores logísticos, previsibilidade regulatória e rapidez operacional constituem factores determinantes na decisão de colocar novos navios e serviços no mercado.

Frota Passa De Um Para Oito Navios

O crescimento da cabotagem já se reflecte no número de embarcações utilizadas.

Segundo informações apresentadas pelo ministro, a actividade passou de um navio no início da operação para oito actualmente, seis dos quais operados pela Civitas Partners Group, CPG Shipping. Governo quer tornar cabotagem n…

A CPG iniciou operações regulares em Abril de 2025 e tem procurado posicionar o transporte marítimo doméstico como alternativa estrutural para a circulação de mercadorias ao longo da costa.

Mónica Temporário, Directora Comercial da CPG, considera que a expansão da cabotagem pode acompanhar o crescimento dos investimentos e da procura logística nas diferentes regiões.

“A cabotagem é uma oportunidade para optimizarmos a nossa logística nacional”, afirmou. Governo quer tornar cabotagem n…

A empresa tem promovido o conceito de “Estrada Nacional Número Zero”, utilizando a extensa costa moçambicana como corredor complementar às ligações terrestres entre Sul, Centro e Norte.

Produção Agrícola Pode Ganhar Novo Canal De Escoamento

A cabotagem também está a ser associada à integração do mercado interno.

O Governo considera que ligações marítimas regulares podem aproximar zonas agrícolas dos principais centros de consumo e facilitar o escoamento de produtos entre províncias.

Matlombe apontou culturas como arroz e tomate entre os exemplos de produtos que podem beneficiar de uma rede logística nacional mais eficiente. Governo quer tornar cabotagem n…

A relevância económica desta ligação está na redução das distâncias efectivas entre produção e mercado.

Regiões com excedentes agrícolas podem enfrentar dificuldades de comercialização quando o custo de transporte torna determinados produtos menos competitivos nos grandes centros urbanos. Uma rede marítima regular pode criar novas opções de distribuição, sobretudo para cargas com volumes suficientes para justificar transporte consolidado.

Esta capacidade também pode contribuir para reduzir perdas pós-colheita, melhorar fornecimento aos mercados e aumentar previsibilidade para produtores e comerciantes.

Cabotagem E Rodovia Entram Numa Lógica Complementar

O Governo rejeita a ideia de que o crescimento do transporte marítimo represente uma ameaça ao sector rodoviário.

Segundo João Matlombe, os camiões continuarão a desempenhar um papel essencial na distribuição da carga entre portos, armazéns, empresas e consumidores.

“Ninguém tira negócio de ninguém. O volume de negócio até vai crescer e todos saem a ganhar”, afirmou o ministro. Governo quer tornar cabotagem n…

A lógica económica é de complementaridade modal.

O navio pode assumir trajectos de longa distância entre portos, enquanto o transporte rodoviário permanece indispensável na recolha e distribuição da carga antes e depois do percurso marítimo.

Esta combinação pode reduzir custos em determinadas rotas e aumentar a eficiência do sistema logístico quando os diferentes modos de transporte estão operacionalmente articulados.

Portos Podem Servir Melhor A Economia Doméstica

A expansão da cabotagem também introduz uma nova leitura sobre o papel dos portos nacionais.

Moçambique possui infra-estruturas portuárias com forte vocação regional, particularmente ligadas ao trânsito de mercadorias dos países do hinterland.

O reforço do transporte costeiro cria condições para utilizar parte dessa capacidade também na integração económica interna.

O objectivo passa por transformar portos, navios, estradas e plataformas logísticas numa rede nacional capaz de responder simultaneamente às necessidades do comércio regional e da economia doméstica. Governo quer tornar cabotagem n…

A eficiência desse sistema dependerá de horários regulares, volumes de carga, custos portuários competitivos, simplificação administrativa e capacidade de ligação entre os diferentes corredores.

Mar Assume Maior Peso Na Estratégia Logística

Com cerca de 2.700 quilómetros de costa, Moçambique dispõe de uma vantagem geográfica que ainda pode ser explorada de forma mais sistemática para o transporte interno de mercadorias. Moçambique aposta no mar para …

A consolidação da cabotagem acrescenta uma terceira componente à arquitectura logística nacional, ao lado dos corredores rodoviários e ferroviários.

A expansão da frota, os volumes já transferidos das estradas e a integração de oito províncias indicam uma actividade em crescimento.

A sustentabilidade deste avanço será determinada pela capacidade de aumentar frequência e escala das operações, simplificar procedimentos nos portos, atrair mais carga e tornar o custo final competitivo para empresas e produtores.

Nesse quadro, o mar começa a assumir um papel económico mais definido,  ligar mercados internos, reduzir pressão sobre as infra-estruturas rodoviárias e ampliar as alternativas logísticas disponíveis para a economia moçambicana.