Apresentação do Cartão bio da BIOFUND e do BCI

BIOFUND e BCI Mobilizam 47 Milhões de Meticais Para Conservação da Biodiversidade Através de Cartão Bancário

0
187

A parceria entre a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) mobilizou 47 milhões de meticais desde 2017, através do Cartão bio. Deste montante, cerca de 33 milhões foram canalizados para projectos de conservação e desenvolvimento comunitário, enquanto 14 milhões permanecem disponíveis para futuras iniciativas. O mecanismo demonstra o potencial dos serviços financeiros para mobilizar recursos privados destinados à protecção dos ecossistemas e à criação de oportunidades económicas nas comunidades locais.

Questões-Chave:

  • Parceria entre BIOFUND e BCI mobilizou 47 milhões de meticais desde 2017 através das operações associadas ao Cartão bio;
  • Cerca de 33 milhões de meticais foram destinados à conservação da biodiversidade e ao desenvolvimento comunitário, permanecendo 14 milhões por alocar;
  • Primeiros 12 projectos apoiados abrangem a protecção de espécies ameaçadas, mitigação dos conflitos entre pessoas e fauna bravia e promoção de meios de subsistência sustentáveis;
  • Mecanismo envolve aproximadamente 45 mil utilizadores e transforma uma parcela das transacções bancárias em contribuições para a conservação, sem encargos adicionais para os titulares;
  • Projectos em Maputo, Manica e Chimanimani apresentam resultados em monitorização de elefantes, protecção de machambas, apicultura e recuperação de pangolins;
  • Experiência evidencia o potencial das parcerias entre instituições financeiras e organizações ambientais para diversificar o financiamento da conservação em Moçambique.

Transacções Bancárias Geram Recursos Para a Conservação

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) mobilizaram aproximadamente 47 milhões de meticais, desde 2017, através do Cartão bio, um instrumento financeiro que permite transformar operações bancárias correntes em contribuições para projectos ambientais e iniciativas de desenvolvimento comunitário.

Os resultados foram apresentados a 15 de Outubro de 2026, em Maputo, durante um seminário dedicado à divulgação dos projectos financiados pelo mecanismo, sob o lema “Da Contribuição ao Impacto: Conhecendo as Iniciativas DAQUI que Fazem a Diferença”.

Do montante acumulado, cerca de 33 milhões de meticais foram destinados ao financiamento de projectos, enquanto os restantes 14 milhões ainda não tinham sido alocados, devendo apoiar futuras intervenções de conservação.

A iniciativa integra uma parceria entre o sector bancário e uma instituição especializada no financiamento da biodiversidade, permitindo mobilizar recursos através de uma actividade económica já incorporada no quotidiano dos consumidores: a utilização de cartões de débito.

A experiência assume relevância num contexto em que a protecção dos ecossistemas exige fontes de financiamento regulares e diversificadas, capazes de complementar os recursos públicos e as contribuições dos parceiros internacionais.

Cartão bio | Recursos Mobilizados Desde 2017: 47 Milhões de Meticais

Destino Valor Peso
Destinados a projectos33 milhões MT70,2%
Por alocar14 milhões MT29,8%
Total mobilizado47 milhões MT100%

Fonte: BIOFUND e BCI. Percentagens calculadas a partir dos valores divulgados.

Cartão bio Liga Pagamentos Electrónicos ao Financiamento Ambiental

Criado em 2017, o Cartão bio é um cartão de débito emitido no âmbito da parceria entre a BIOFUND e o BCI.

O seu funcionamento assenta na canalização para a conservação de uma percentagem das transacções realizadas através de terminais de pagamento automático, complementada por uma contribuição associada à emissão de cada cartão.

Segundo as instituições, estas contribuições não implicam custos adicionais para os titulares.

O modelo permite associar uma operação financeira habitual à mobilização de recursos destinados à protecção da biodiversidade, criando uma ligação entre o consumo, os serviços bancários e o financiamento ambiental.

A parceria envolve aproximadamente 45 mil utilizadores do cartão, segundo os dados divulgados durante o encontro.

O número de participantes constitui um indicador da capacidade de mobilização de contribuições de pequena escala através da rede bancária.

A acumulação destas contribuições ao longo do tempo pode representar uma fonte complementar de financiamento para projectos que, isoladamente, enfrentariam dificuldades na obtenção de recursos.

A iniciativa demonstra também como os produtos financeiros podem incorporar objectivos ambientais na sua concepção comercial, contribuindo para aproximar a actividade bancária das necessidades de desenvolvimento sustentável.

O Cartão bio é igualmente apresentado pelas instituições como o primeiro cartão bancário biodegradável em Moçambique, associando a componente de financiamento ambiental às características físicas do produto.

Conservação e Desenvolvimento Comunitário Integram Modelo de Financiamento

Os projectos apoiados pelo mecanismo abrangem diferentes dimensões da conservação da biodiversidade, incluindo a protecção de espécies ameaçadas, a recuperação de animais selvagens, a monitorização da fauna e a redução dos conflitos entre pessoas e animais.

As iniciativas também incorporam componentes de desenvolvimento comunitário, através da promoção de actividades económicas sustentáveis e de mecanismos de protecção dos meios de subsistência das populações.

Esta articulação reveste-se de particular importância económica nas regiões onde as comunidades partilham o território com espécies selvagens.

A ocorrência de conflitos entre pessoas e fauna bravia pode provocar perdas de produção agrícola, danos em infra-estruturas familiares e riscos para a segurança das populações.

A protecção da biodiversidade exige, por isso, soluções que considerem simultaneamente a conservação dos ecossistemas e as necessidades económicas das comunidades.

Segundo a BIOFUND e o BCI, os primeiros 12 projectos apoiados pelo Cartão bio têm contribuído para responder a estas questões, mediante intervenções em diferentes áreas de conservação do País.

Durante o seminário, o presidente da Comissão Executiva do BCI, José Furtado, destacou que os resultados da parceria devem ser avaliados pelos seus efeitos sobre a protecção das espécies, a mitigação dos conflitos entre comunidades e elefantes e a melhoria das condições de vida das populações.

O presidente do Conselho de Administração da BIOFUND, Carlos dos Santos, salientou, por sua vez, a importância de transformar as contribuições financeiras em resultados concretos e benefícios duradouros para as pessoas e para a natureza.

Projectos em Maputo e Manica Apresentam Resultados na Protecção de Comunidades

Entre as iniciativas financiadas encontra-se o projecto “Vozes da Savana: Elefantes Monitorados, Comunidades Ouvidas”, implementado pela Mozambique Wildlife Alliance (MWA), na província de Maputo.

A intervenção concentra-se na monitorização de elefantes e no fortalecimento da capacidade de resposta aos conflitos entre a fauna bravia e as comunidades locais.

Segundo os resultados apresentados, foram instaladas duas vedações eléctricas e colocadas seis coleiras GPS/VHF em elefantes, permitindo melhorar o acompanhamento dos seus movimentos.

O projecto capacitou igualmente mais de 1.630 pessoas em medidas de coexistência e mitigação de conflitos.

Entre Janeiro e Setembro de 2025, as operações de afugentamento registaram uma taxa de sucesso superior a 81%, de acordo com os dados divulgados pelos implementadores.

Na Área de Conservação Macossa-Tambara, província de Manica, o projecto “Investir nas Comunidades, Fortalecer a Coexistência com Elefantes”, desenvolvido pela Associação NATURA Moçambique, apresenta uma abordagem semelhante.

A intervenção beneficiou 104 famílias e contribuiu para a protecção de mais de 160 machambas, através da instalação de aproximadamente 670 metros de barreiras de protecção.

Foram igualmente construídos 36 celeiros melhorados e promovida a apicultura sustentável, enquanto alternativa económica associada à conservação.

Estas actividades demonstram como os investimentos ambientais podem produzir efeitos económicos directos sobre as comunidades, ao reduzir perdas agrícolas, proteger recursos produtivos e diversificar fontes de rendimento.

Chimanimani Beneficia de Estrutura Especializada na Recuperação de Pangolins

No Parque Nacional de Chimanimani, os recursos mobilizados através da parceria contribuíram para o desenvolvimento de um projecto dedicado ao resgate, reabilitação e devolução de pangolins ao seu habitat natural.

A iniciativa permitiu construir um centro especializado, formar 13 colaboradores e disponibilizar equipamentos de monitorização GPS/VHF.

Em Fevereiro de 2026, a estrutura realizou a sua primeira operação de resgate, reabilitação e posterior libertação de um pangolim.

A protecção desta espécie apresenta particular importância devido às ameaças associadas à captura e ao comércio ilegal de animais selvagens.

A existência de instalações especializadas e técnicos capacitados amplia a capacidade de intervenção das organizações de conservação, permitindo melhorar os procedimentos de recuperação e acompanhamento dos animais.

Para além da protecção de espécies específicas, o investimento em infra-estruturas e competências técnicas contribui para fortalecer a capacidade institucional de gestão da biodiversidade.

Sector Financeiro Pode Diversificar Fontes de Financiamento da Natureza

A experiência da BIOFUND e do BCI evidencia o potencial de utilização de produtos e serviços financeiros como instrumentos complementares de mobilização de recursos para a conservação.

Ao associar transacções bancárias regulares a contribuições ambientais, o mecanismo cria um fluxo de financiamento que não depende exclusivamente de dotações orçamentais ou de donativos ocasionais.

A sustentabilidade deste modelo, contudo, está associada à continuidade da utilização dos cartões, ao volume das operações e à capacidade de transformar os recursos acumulados em projectos com resultados verificáveis.

A presença de aproximadamente 45 mil utilizadores demonstra a existência de uma base de participação, enquanto os 47 milhões de meticais mobilizados desde 2017 evidenciam a capacidade de acumulação financeira do mecanismo.

Em termos económicos, trata-se de uma experiência de financiamento associado à actividade comercial, na qual uma parcela de receitas geradas por serviços bancários é canalizada para objectivos ambientais previamente definidos.

O modelo poderá oferecer referências para o desenvolvimento de outros instrumentos financeiros ligados à conservação, ao turismo sustentável, à protecção dos ecossistemas e ao desenvolvimento comunitário.

A ampliação de mecanismos desta natureza poderá contribuir para diversificar o financiamento ambiental, desde que os recursos mobilizados sejam acompanhados por critérios de transparência, eficácia e avaliação dos resultados.

Transparência e Monitorização Tornam-se Centrais na Gestão dos Recursos

A BIOFUND desenvolveu uma plataforma digital de acompanhamento do Cartão bio, destinada a disponibilizar informação sobre os recursos mobilizados, os projectos apoiados e os respectivos resultados.

A ferramenta permite fortalecer a transparência do mecanismo e facilitar a consulta dos dados associados ao financiamento das iniciativas.

Esta dimensão assume importância particular em modelos que dependem de contribuições realizadas por um número elevado de participantes.

A confiança dos utilizadores e parceiros está relacionada com a possibilidade de acompanhar a aplicação dos recursos e compreender os benefícios produzidos pelos projectos financiados.

A divulgação periódica dos montantes arrecadados, desembolsados e disponíveis poderá contribuir para melhorar a prestação de contas.

O facto de 14 milhões de meticais permanecerem por alocar também demonstra a importância de uma programação de investimentos capaz de transformar os recursos disponíveis em novas intervenções de conservação.

A disponibilização de informação sobre os resultados ambientais e socioeconómicos constitui uma condição importante para avaliar a eficácia das iniciativas.

Financiamento da Biodiversidade Pode Gerar Benefícios Económicos Duradouros

A conservação da biodiversidade representa uma dimensão estratégica do desenvolvimento económico de Moçambique, pela sua relação com o turismo, a agricultura, os recursos naturais e os meios de subsistência das comunidades.

A degradação dos ecossistemas e os conflitos entre pessoas e fauna bravia podem provocar perdas económicas, comprometer actividades produtivas e aumentar a vulnerabilidade das populações que dependem directamente dos recursos naturais.

Por outro lado, investimentos orientados para a protecção de espécies, recuperação de habitats e gestão sustentável dos recursos podem contribuir para preservar activos naturais que sustentam actividades económicas importantes.

Os projectos financiados através do Cartão bio apresentam exemplos desta ligação, ao combinar medidas de conservação com intervenções destinadas a proteger machambas, desenvolver a apicultura e fortalecer competências locais.

Os 47 milhões de meticais mobilizados desde 2017 representam uma contribuição complementar para estas actividades, demonstrando a possibilidade de envolver instituições financeiras e utilizadores de serviços bancários no financiamento ambiental.

O alcance económico do mecanismo poderá ser ampliado através da continuidade das contribuições, da aplicação dos recursos ainda disponíveis e da avaliação sistemática dos benefícios gerados.

A experiência da BIOFUND e do BCI evidencia, assim, uma possibilidade de diversificação do financiamento da biodiversidade, associando instrumentos financeiros do quotidiano à protecção do património natural e à melhoria das condições económicas das comunidades.

A relevância da iniciativa reside na capacidade de transformar transacções bancárias correntes em recursos para projectos concretos, aproximando o sector financeiro das necessidades de conservação e desenvolvimento sustentável de Moçambique.