Coral Norte Avança Para Perfuração de Seis Poços com Sonda Já em Cabo Delgado e Construção da Unidade a 72%

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Chegada da SAIPEM 12000 assinala nova etapa operacional do investimento de US$ 7,2 mil milhões liderado pela Eni. Campanha de perfuração, prevista para começar em Novembro, deverá prolongar-se por 270 dias, enquanto a plataforma flutuante de liquefacção continua em construção na Coreia do Sul. Entrada em produção mantém-se prevista para 2028.

QUESTÕES-CHAVE
  • Nova Etapa Operacional: Sonda SAIPEM 12000 chegou a Cabo Delgado em 25 de Outubro para executar a campanha de perfuração do Coral Norte;
  • Poços de Desenvolvimento: Programa prevê até seis poços, quatro na primeira fase e dois na segunda, durante aproximadamente 270 dias;
  • Construção da Plataforma: Unidade flutuante de liquefacção apresenta um progresso global de 72%, segundo o Instituto Nacional de Petróleo;
  • Investimento: Projecto dispõe de uma estrutura de financiamento aprovada com limite de US$ 7,2 mil milhões e capacidade prevista de 3,55 milhões de toneladas anuais de GNL;
  • Licenciamento e Segurança: INP iniciou vistoria para verificar as condições técnicas, operacionais e ambientais necessárias à emissão da licença de operação;
  • Conteúdo Local: Campanha abre oportunidades de prestação de serviços offshore e apoio logístico, embora os contratos e montantes destinados a fornecedores nacionais não tenham sido quantificados;
  • Calendário: Início da perfuração estava previsto para 1 de Novembro, mas a sua concretização efectiva ainda carece de confirmação pública.

Coral Norte Entra Numa Nova Etapa de Execução Operacional

O projecto Coral Norte FLNG, desenvolvido pela Eni na Área 4 da Bacia do Rovuma, entrou numa nova etapa de implementação com a chegada a Cabo Delgado da sonda de perfuração SAIPEM 12000, destinada à abertura dos poços que irão abastecer a futura unidade flutuante de liquefacção de gás natural.

A embarcação chegou à província em 25 de Outubro, segundo informação divulgada pelo Instituto Nacional de Petróleo (INP), que anunciou a realização de uma vistoria técnica e ambiental como parte dos procedimentos necessários ao licenciamento das operações.

A campanha compreende a perfuração e completação de até seis poços de desenvolvimento, num período estimado de 270 dias, com início inicialmente previsto para 1 de Novembro de 2026.

Paralelamente, a construção da unidade flutuante Coral Norte prossegue na Coreia do Sul, tendo atingido um progresso global de 72%, de acordo com a actualização oficial do regulador.

Estes desenvolvimentos representam uma evolução relativamente aos anúncios anteriores da Eni sobre o calendário do projecto, uma vez que confirmam a mobilização física dos meios de perfuração e o avanço simultâneo da construção da infra-estrutura de processamento.

A chegada da sonda, contudo, não deve ser confundida com o início efectivo da perfuração. Até à informação oficial mais recente identificada, o INP confirmou a chegada da embarcação, o início do processo de vistoria e a data prevista para o arranque das operações, mas não divulgou uma confirmação específica de que o primeiro poço tenha começado a ser perfurado em 1 de Novembro.

A distinção é importante para avaliar o progresso do projecto com base em marcos operacionais efectivamente documentados. O Coral Norte representa a segunda unidade flutuante de GNL associada ao reservatório Coral, juntando-se ao Coral Sul, em produção desde 2022.

A presença da SAIPEM 12000 em águas moçambicanas constitui um marco operacional na preparação da futura produção de gás natural do Coral Norte. Segundo o INP, a campanha de perfuração está estruturada em duas fases, envolvendo quatro poços numa primeira etapa e dois adicionais numa segunda. A duração global estimada é de 270 dias, incluindo as actividades de perfuração e completação.

A completação corresponde à instalação dos componentes necessários para preparar os poços para uma futura operação de produção, respeitando os requisitos técnicos e de segurança aplicáveis.

O calendário anunciado aponta para a execução destas actividades antes da entrada em funcionamento da unidade flutuante, prevista para 2028. A existência de poços preparados é uma das condições necessárias para o abastecimento de gás à plataforma quando esta estiver instalada e operacional.

Contudo, o cumprimento do programa dependerá das condições técnicas encontradas durante a perfuração, da segurança das operações, da disponibilidade dos equipamentos e da observância dos requisitos regulatórios.

INP Submete Plataforma a Verificação de Segurança e Conformidade Ambiental

A chegada da SAIPEM 12000 foi acompanhada por procedimentos de fiscalização conduzidos por uma comissão interinstitucional liderada pelo Instituto Nacional de Petróleo.

A vistoria, com início anunciado para 27 de Outubro, destina-se a verificar as condições técnicas, operacionais, de saúde e segurança no trabalho e de protecção ambiental da embarcação. O processo também avalia a conformidade da sonda com o projecto apresentado e com as exigências legais necessárias à emissão da licença de operação.

Dércio Monteiro, director de Fiscalização e Segurança do INP, explicou que a intervenção pretende assegurar o cumprimento dos requisitos aplicáveis antes do início das operações.

“A vistoria permite verificar se a sonda reúne as condições exigidas para operar com segurança, salvaguardando a vida dos trabalhadores, a integridade das instalações e a protecção do ambiente.”

A comissão integra representantes do INP, dos sectores da Saúde, Ambiente e Trabalho, bem como do Serviço Nacional de Salvação Pública.

O procedimento dá continuidade a uma primeira vistoria, realizada entre 13 e 15 de Outubro, em Pemba, que incidiu sobre as bases logísticas das empresas contratadas para apoiar a campanha de perfuração. “A avaliação abrange tanto a plataforma como as infra-estruturas de apoio à campanha de perfuração”, acrescentou Dércio Monteiro.

A fiscalização das infra-estruturas de apoio assume particular importância porque a campanha envolve actividades marítimas, transporte de equipamentos, movimentação de pessoal e fornecimento contínuo de serviços especializados. A emissão da licença de operação constitui, assim, um dos marcos regulatórios relevantes para a confirmação do arranque da campanha.

Construção da Unidade Flutuante Atinge 72% na Coreia do Sul

Enquanto decorrem os preparativos para a perfuração dos poços em Moçambique, a unidade flutuante de processamento e liquefacção continua a ser construída na Coreia do Sul. O INP confirmou que o projecto tinha alcançado um progresso físico global de 72% no momento da actualização de finais de Outubro.

O indicador representa um avanço relevante relativamente ao balanço divulgado pelo regulador em Janeiro de 2026, segundo o qual o empreendimento tinha ultrapassado 43% de execução global em Novembro de 2025.

A comparação indica uma progressão superior a 29 pontos percentuais entre os dois marcos de reporte, embora não permita estabelecer uma taxa mensal uniforme de execução, dado que as datas e os critérios de medição não foram integralmente detalhados.

Moçambique | Projecto Coral Norte FLNG (Indicadores-Chave)

Indicador / Parâmetro Valor / Especificação Enquadramento / Estado
Investimento Total Previsto US$ 7,2 Mil Milhões Limite máximo aprovado (até 70% dívida / min. 30% capital próprio)
Progresso da Plataforma (FLNG) 72% de Execução Construção em curso nos estaleiros da Coreia do Sul
Sonda de Perfuração SAIPEM 12000 Chegada a Cabo Delgado a 25 de Outubro de 2026; vistoria do INP em curso
Programa de Perfuração 6 Poços (4 + 2) Duração estimada de 270 dias para perfuração e completação
Capacidade de Produção de GNL 3,55 MTPA Eleva capacidade conjunta da Área 4 (com Coral Sul) para ~7 MTPA
Quota de Gás Doméstico Até 25% Parcela inicial de 10% prevista para o arranque das operações
Início de Produção Previsto Ano 2028 Reservatório Coral, Bacia do Rovuma (Operador: Eni / Área 4)

Fonte: Instituto Nacional de Petróleo (INP) / Eni / Governo de Moçambique (Novembro de 2026).

O lançamento do casco da unidade flutuante ocorreu em Janeiro de 2026, assinalando uma das etapas fundamentais da construção naval. O INP tinha igualmente informado que os principais contratos de aquisição e instalação de equipamentos críticos foram assinados em Dezembro de 2025.

O avanço agora reportado demonstra a continuidade das actividades industriais necessárias à instalação dos sistemas de processamento, liquefacção, armazenamento e carregamento de gás natural.

Importa, contudo, não interpretar os 72% como garantia de conclusão dentro de determinado prazo. O progresso físico constitui um indicador de implementação, mas a entrada em operação também exige a conclusão das instalações, testes, comissionamento, integração dos sistemas submarinos, autorizações e preparação operacional.

Investimento de US$ 7,2 Mil Milhões e Financiamento Estruturado em Setembro

O Coral Norte representa um dos grandes investimentos energéticos em desenvolvimento em Moçambique, com um valor de referência estimado em US$ 7,2 mil milhões.

O Plano de Desenvolvimento foi aprovado pelo Governo através do Decreto n.º 9/2025, de 11 de Abril, estabelecendo a instalação de uma unidade flutuante com capacidade para produzir 3,55 milhões de toneladas de GNL por ano, durante um período previsto de 30 anos. A Decisão Final de Investimento foi tomada pelas concessionárias em 2 de Outubro de 2025.

Posteriormente, em 15 de Setembro de 2026, o Conselho de Ministros aprovou instrumentos relativos à estrutura de financiamento do empreendimento e à participação da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

Segundo o INP, a estrutura aprovada estabelece um limite máximo de financiamento de US$ 7,2 mil milhões, com a possibilidade de até 70% serem assegurados por capitais alheios e um mínimo de 30% por capitais próprios. Aplicadas ao limite de referência, estas proporções correspondem a até US$ 5,04 mil milhões em financiamento por dívida e pelo menos US$ 2,16 mil milhões em capitais próprios.

A decisão do Governo incluiu mecanismos destinados a organizar o financiamento da participação da ENH, nomeadamente através de entidades societárias específicas associadas ao projecto. A individualização da gestão financeira da participação nacional procura permitir a separação contabilística de activos, obrigações e riscos associados ao investimento.

O presidente do Conselho de Administração do regulador, Nazário Bangalane, considerou que as aprovações constituíam uma etapa importante na materialização do empreendimento e na organização da participação nacional.

Coral Norte Poderá Elevar Capacidade Conjunta de GNL Para Cerca de Sete Milhões de Toneladas

O Coral Norte foi concebido para complementar a produção do Coral Sul FLNG, unidade que começou a exportar gás natural liquefeito em Novembro de 2022. A capacidade prevista para o Coral Norte é de 3,55 milhões de toneladas anuais.

Considerando a capacidade aproximada de 3,4 milhões de toneladas por ano do Coral Sul, as duas instalações poderão assegurar uma capacidade nominal conjunta próxima de sete milhões de toneladas anuais.

Este valor representa a soma das capacidades de produção das plataformas, não uma previsão de exportações efectivas para um determinado ano. Os volumes realizados dependerão da disponibilidade dos equipamentos, das condições operacionais e dos níveis de utilização das instalações.

A expansão da capacidade nacional de liquefacção apresenta relevância estratégica para o posicionamento de Moçambique nos mercados internacionais de GNL, particularmente na Ásia.

Em declarações à Reuters, durante uma conferência de energia realizada na Cidade do Cabo, em meados de Outubro, Mario Bello, responsável da Eni para a África Subsaariana, destacou a localização geográfica de Moçambique e a sua ligação aos mercados consumidores asiáticos.

O dirigente considerou que a posição do País proporciona vantagens logísticas para o abastecimento de compradores do Extremo Oriente, sobretudo num contexto internacional marcado por perturbações nas principais rotas de transporte de energia.

Campanha de Perfuração Abre Nova Etapa de Contratação de Serviços

A mobilização da SAIPEM 12000 também introduz uma nova fase de procura de bens e serviços associados ao desenvolvimento offshore da Bacia do Rovuma.

A campanha de aproximadamente 270 dias exige uma estrutura de apoio que poderá envolver logística marítima, abastecimento, transporte de pessoal, manutenção, fornecimento de materiais, alimentação, alojamento e serviços de segurança e protecção ambiental.

A realização de uma vistoria às bases logísticas em Pemba demonstra que parte das actividades de preparação e apoio operacional está organizada em território moçambicano.

Contudo, a existência destas necessidades não significa que todos os serviços tenham sido ou venham a ser contratados a empresas nacionais. A participação empresarial dependerá dos procedimentos de contratação, dos requisitos técnicos, das certificações exigidas e da capacidade dos fornecedores para assegurar padrões internacionais de segurança e qualidade.

A actualização do INP não identifica os valores dos contratos adjudicados a empresas moçambicanas, o número de fornecedores nacionais envolvidos nem a quantidade de postos de trabalho já criados especificamente pela campanha. Por conseguinte, seria prematuro quantificar o impacto económico local desta etapa.

Conteúdo Local: Importa Distinguir Compromissos de Resultados

A participação das empresas nacionais constitui uma das dimensões relevantes para a avaliação económica do Coral Norte.

No lançamento do casco da unidade flutuante, em Janeiro, o presidente do INP, Nazário Bangalane, reafirmou que o regulador acompanharia o cumprimento das obrigações legais, contratuais e ambientais, incluindo os compromissos de conteúdo local e sustentabilidade.

A fase de perfuração permitirá acompanhar a concretização destes compromissos num segmento de elevada especialização tecnológica.

A estrutura das operações offshore, contudo, apresenta características distintas das actividades industriais desenvolvidas em terra. Os equipamentos principais são frequentemente fornecidos por operadores internacionais especializados, enquanto determinadas actividades auxiliares podem ser executadas por empresas locais que cumpram os requisitos exigidos.

Para medir a contribuição económica efectiva da campanha, será necessário conhecer o valor das aquisições nacionais, a participação de fornecedores moçambicanos nos contratos, os empregos ocupados por trabalhadores nacionais e os programas de transferência de competências.

Gás Para o Mercado Nacional Integra Plano de Desenvolvimento

Para além da capacidade exportadora, o Plano de Desenvolvimento do Coral Norte inclui disposições relacionadas com a disponibilização de gás natural para utilização no mercado doméstico.

Segundo informações do INP, o enquadramento aprovado prevê que possam ser disponibilizados para uso nacional até 25% dos volumes de petróleo e gás a produzir, com uma parcela inicial de 10% prevista para o arranque da produção.

O regulador associa esta componente às oportunidades de desenvolvimento industrial e de utilização interna dos recursos energéticos.

Contudo, a existência de uma previsão de disponibilização de gás não equivale à confirmação de contratos de fornecimento, infra-estruturas de transporte ou projectos industriais já operacionalizados. A utilização efectiva do recurso exigirá soluções técnicas e comerciais para assegurar a sua entrega aos consumidores nacionais.

Próximas Etapas Serão Determinantes Para o Calendário de 2028

O projecto Coral Norte encontra-se numa fase em que diferentes componentes de execução avançam em paralelo.

Em Moçambique, a chegada da SAIPEM 12000 prepara a campanha destinada a assegurar os poços de produção. Na Coreia do Sul, prossegue a construção da unidade flutuante de liquefacção, cujo progresso global alcançou 72%.

No plano financeiro, a aprovação dos instrumentos necessários à estruturação do financiamento e à participação da ENH representa um desenvolvimento institucional relevante.

A conclusão da construção da plataforma não substitui a necessidade de preparar os poços. A perfuração, por sua vez, não assegura automaticamente a entrada em produção sem a instalação, integração, testes e licenciamento dos restantes sistemas.

A próxima informação operacional particularmente relevante será a confirmação do início efectivo da perfuração e da emissão da licença correspondente. Posteriormente, a evolução do programa de seis poços e os resultados da construção deverão permitir avaliar a consistência do calendário previsto para 2028.

A principal novidade do Coral Norte está agora na passagem dos anúncios de investimento e engenharia para a mobilização de equipamentos destinados à produção efectiva do gás. A chegada da SAIPEM 12000 a Cabo Delgado e o avanço da construção para 72% constituem marcos documentados dessa transição.