Lucros da ExxonMobil e Chevron Disparam Para US$ 25,3 Mil Milhões Enquanto Crise dos Combustíveis Agrava Custos Globais

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Gigantes petrolíferas norte-americanas registam resultados extraordinários no terceiro trimestre, impulsionados pela escassez de diesel e pelas margens recorde de refinação. Donald Trump critica os ganhos associados à crise de abastecimento, numa altura em que refinarias operam próximo da capacidade máxima e os consumidores enfrentam aumentos expressivos dos preços.

QUESTÕES-CHAVE
  • Lucros Petrolíferos: ExxonMobil e Chevron registam, conjuntamente, US$ 25,3 mil milhões de lucros líquidos no terceiro trimestre de 2026;
  • Refinação em Alta: Chevron quadruplica resultados do segmento downstream, enquanto a ExxonMobil obtém ganhos superiores na transformação e comercialização de produtos energéticos;
  • Crise de Abastecimento: Ataques a refinarias na Rússia e no Médio Oriente reduzem a disponibilidade internacional de diesel e combustível de aviação;
  • Preços dos Combustíveis: Diesel nos Estados Unidos alcança US$ 6,32 por galão, mais de 70% acima do nível registado um ano antes;
  • Impacto Económico: Escassez de derivados petrolíferos aumenta custos de transporte, indústria e comércio, com consequências para países importadores como Moçambique.

Crise Energética Multiplica Lucros das Petrolíferas e Agrava Custos Para os Consumidores

As duas maiores petrolíferas norte-americanas, ExxonMobil e Chevron, encerraram o terceiro trimestre de 2026 com lucros líquidos conjuntos de aproximadamente US$ 25,3 mil milhões, beneficiando da forte valorização dos combustíveis refinados e das restrições de abastecimento provocadas pelos conflitos no Médio Oriente e pelos ataques a infra-estruturas energéticas russas.

Os resultados, divulgados na sexta-feira, 30 de Outubro, revelam um contraste expressivo entre o desempenho financeiro das grandes empresas petrolíferas e o aumento dos custos energéticos suportados pelos consumidores, transportadores e sectores industriais.

A ExxonMobil registou lucros de US$ 15,4 mil milhões, aproximadamente o dobro do resultado obtido no período homólogo de 2025. A Chevron apresentou ganhos de US$ 9,9 mil milhões, contra US$ 3,5 mil milhões no terceiro trimestre do ano anterior, uma subida próxima de 183%.

O crescimento foi particularmente significativo nas actividades de refinação e comercialização de combustíveis, onde a escassez de capacidade disponível e o aumento dos preços internacionais do diesel elevaram as margens de rentabilidade.

A evolução ocorre depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter criticado, em Agosto, os lucros das grandes empresas petrolíferas, considerando que estavam a beneficiar excessivamente da escassez de combustíveis.

Segundo a CNBC, o governante afirmou que a ExxonMobil e a Chevron estavam a ganhar demasiado dinheiro com as restrições de abastecimento criadas pela guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão.

Os resultados mais recentes mostram que as restrições internacionais de oferta continuam a proporcionar margens elevadas às empresas que dispõem de capacidade de refinação e distribuição, mesmo quando os preços dos combustíveis representam um encargo crescente para a actividade económica.

ExxonMobil Duplica Lucros e Chevron Regista Crescimento Próximo de 200%

A ExxonMobil reportou lucros líquidos de US$ 15,4 mil milhões, equivalentes a US$ 3,72 por acção, contra US$ 7,5 mil milhões e US$ 1,76 por acção no terceiro trimestre de 2025.

Excluindo elementos extraordinários, o lucro por acção atingiu US$ 4,23, superando as expectativas dos analistas consultados pela LSEG, que apontavam para US$ 4,08.

A Chevron apresentou lucros líquidos de US$ 9,9 mil milhões, correspondentes a US$ 5,06 por acção. Em termos ajustados, o resultado atingiu US$ 5,28 por acção, acima dos US$ 4,89 antecipados pelo mercado.

A receita trimestral da ExxonMobil alcançou US$ 113,2 mil milhões, enquanto a Chevron registou US$ 67,8 mil milhões, também acima das estimativas dos analistas, segundo os dados apresentados pela CNBC.

Resultados Financeiros | 3.º Trimestre de 2026 (ExxonMobil & Chevron)

Empresa / Segmento Lucro Líquido (3Q26) Variação Homóloga (%)
ExxonMobil (Lucro Líquido Total) US$ 15,4 Mil Milhões +105% (vs. US$ 7,5B em 3Q25)
— ExxonMobil: Produtos Energéticos (Downstream) US$ 7,2 Mil Milhões Supera ganhos da exploração/produção
Chevron (Lucro Líquido Total) US$ 9,9 Mil Milhões +183% (vs. US$ 3,5B em 3Q25)
— Chevron: Segmento Downstream (Refinação) US$ 4,9 Mil Milhões +345% (Mais de 4x vs 3Q25)
TOTAL CONJUNTO (3.º Trimestre 2026) US$ 25,3 Mil Milhões Desempenho impulsionado pela refinação

Fonte: Relatórios Trimestrais da ExxonMobil e Chevron (30 de Outubro de 2026).

O desempenho financeiro foi suficientemente expressivo para impulsionar as acções das duas empresas para máximos históricos durante a sessão de sexta-feira. A Chevron valorizou-se perto de 2%, enquanto a ExxonMobil avançou mais de 1%.

O comportamento bolsista reflecte a expectativa de que as margens elevadas da refinação continuem a beneficiar as empresas com capacidade operacional disponível, sobretudo enquanto persistirem restrições ao fornecimento de combustíveis.

Refinação Transforma-se no Principal Motor dos Resultados

Um dos aspectos mais relevantes dos resultados empresariais é a crescente contribuição das actividades de transformação de petróleo bruto em combustíveis.

Na Chevron, os lucros do segmento downstream, que inclui refinação e comercialização, ultrapassaram US$ 4,9 mil milhões, contra aproximadamente US$ 1,1 mil milhões no mesmo período de 2025. A empresa atribuiu o desempenho ao aumento das margens dos produtos refinados e à elevada utilização das suas instalações industriais.

As refinarias norte-americanas da Chevron processaram volumes recorde de petróleo bruto, ultrapassando um milhão de barris por dia e operando com uma taxa de utilização de 98% da capacidade disponível.

Segundo Mike Wirth, presidente executivo da Chevron, a produção de diesel e combustível de aviação aumentou mais de 10%, num esforço de resposta à escassez internacional destes produtos.

A ExxonMobil apresentou um movimento semelhante. Os lucros reportados na actividade de produtos energéticos atingiram cerca de US$ 7,2 mil milhões no trimestre, ultrapassando os ganhos de aproximadamente US$ 7,1 mil milhões registados nas actividades de exploração e produção.

Esta inversão é particularmente relevante, uma vez que as operações de produção de petróleo e gás costumam representar uma das principais fontes de rentabilidade das petrolíferas integradas.

No acumulado dos primeiros nove meses de 2026, os lucros da actividade de produtos energéticos da ExxonMobil atingiram aproximadamente US$ 11,4 mil milhões, contra US$ 4 mil milhões no período homólogo de 2025.

O desempenho demonstra que, no actual contexto energético, possuir capacidade de refinação operacional pode representar uma vantagem económica significativa. A diferença entre o preço do petróleo bruto e o valor dos produtos refinados tornou-se um dos factores determinantes da rentabilidade, particularmente no mercado do diesel.

Diesel Torna-se Principal Ponto de Tensão do Mercado Energético

O diesel assumiu particular importância na actual crise internacional de combustíveis, reflectindo a sua utilização intensiva nos transportes rodoviários, na agricultura, na mineração, na indústria e na logística de mercadorias.

Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel atingiu US$ 6,32 por galão na sexta-feira, 30 de Outubro, representando um aumento superior a 70% face ao período homólogo de 2025, segundo a Associação Automóvel Americana, citada pela CNBC.

O encarecimento ocorre apesar de as refinarias norte-americanas estarem a operar próximo dos seus limites de capacidade, procurando responder à crescente procura internacional.

Darren Woods, presidente executivo da ExxonMobil, identificou o diesel como um dos principais constrangimentos do mercado. Em declarações à CNBC, o responsável explicou que a capacidade global de refinação se encontra fortemente limitada e que a procura de diesel apresenta uma elasticidade reduzida, devido à importância do combustível para o funcionamento da economia.

A observação é economicamente relevante: a procura de diesel não diminui necessariamente na mesma proporção em que o preço aumenta, porque muitas actividades produtivas dependem directamente da sua utilização.

Transportar mercadorias, operar maquinaria agrícola, movimentar equipamentos mineiros ou assegurar determinadas operações industriais exige consumo energético que, no curto prazo, nem sempre pode ser substituído por alternativas mais baratas. Esta característica aumenta a capacidade de transmissão dos choques de preços para os custos de produção e distribuição.

Guerra no Irão e Ataques às Refinarias Russas Agravam Escassez

As restrições de abastecimento resultam de uma combinação de factores geopolíticos e estruturais.

Os ataques ucranianos contra refinarias russas afectaram a capacidade de transformação e exportação de produtos petrolíferos daquele país, enquanto as operações militares no Médio Oriente provocaram interrupções em instalações de produção, processamento e distribuição de energia.

A Rússia desempenha um papel importante no fornecimento internacional de diesel, pelo que a redução das exportações contribuiu para agravar as dificuldades de abastecimento em vários mercados.

No Médio Oriente, as perturbações associadas à guerra com o Irão afectaram a produção de combustíveis e aumentaram os custos de transporte marítimo, seguros e logística.

Raphael Portela, director de estratégia corporativa e análise da Wood Mackenzie, explicou à CNBC que parte do petróleo bruto continua a sair do Golfo, embora com prémios de transporte elevados. O problema, segundo o especialista, é que uma quantidade significativa do diesel e do combustível de aviação que seria produzida a partir desse petróleo deixou de estar disponível devido às perturbações nas refinarias.

Portela considerou ainda que a recuperação do mercado dependerá da normalização das operações de refinação no Golfo e do restabelecimento das exportações russas. O especialista advertiu que, perante os níveis reduzidos dos inventários, a escassez física de produtos refinados poderá prolongar-se até 2027.

Esta perspectiva sugere que uma eventual diminuição das tensões geopolíticas poderá produzir efeitos relativamente rápidos sobre as expectativas e os preços financeiros, mas a recuperação efectiva do abastecimento exigirá a reposição da capacidade industrial e logística danificada.

Encerramento de Refinarias na Europa Agravou Desequilíbrios de Oferta

Para além dos efeitos imediatos dos conflitos, o mercado internacional enfrenta limitações estruturais de capacidade de refinação.

Nas últimas duas décadas, várias refinarias foram encerradas na Europa e na América do Norte, num processo associado à evolução dos custos operacionais, à competitividade industrial e às transformações das políticas energéticas.

Segundo o comissário europeu para a Energia e Habitação, Dan Jørgensen, aproximadamente um quarto das refinarias da União Europeia encerrou durante esse período.

A redução da capacidade europeia aumentou a importância das importações de produtos refinados e a exposição da região a perturbações internacionais do abastecimento.

Embora outras regiões tenham ampliado a capacidade de refinação, a distribuição geográfica das instalações industriais e as limitações logísticas podem dificultar a substituição imediata de volumes indisponíveis.

Os Estados Unidos, particularmente as refinarias localizadas na Costa do Golfo, passaram a assumir um papel ainda mais relevante no fornecimento de diesel para mercados internacionais. A ExxonMobil indicou que as suas refinarias naquela região operaram com utilização próxima de 100%, alcançando volumes recorde de produção de diesel.

A situação revela que o problema actual não se limita à disponibilidade de petróleo bruto. Está igualmente associado à capacidade de transformar esse recurso nos combustíveis específicos de que a economia mundial necessita.

Trump Critica Ganhos Extraordinários Enquanto Empresas Defendem Capacidade de Produção

O crescimento dos resultados das grandes petrolíferas reacendeu o debate político norte-americano sobre a distribuição dos benefícios económicos associados à crise energética.

Em Agosto, Donald Trump criticou publicamente a ExxonMobil e a Chevron, considerando excessivos os lucros registados num contexto de escassez de combustíveis.

A posição do Presidente norte-americano evidencia a sensibilidade política de uma conjuntura em que os consumidores enfrentam preços elevados, enquanto as empresas com capacidade produtiva disponível apresentam resultados financeiros extraordinários.

As petrolíferas, por seu lado, destacam os investimentos realizados nas refinarias e os esforços para aumentar a oferta de combustíveis.

A ExxonMobil salientou que os investimentos na expansão da refinaria de Beaumont, nos Estados Unidos, contribuíram para aumentar a produção de destilados em aproximadamente 40% desde 2019. A Chevron também destacou a utilização intensiva das suas unidades industriais e o aumento da produção de diesel e combustível de aviação.

A diferença entre estas posições reflecte uma tensão económica conhecida nos mercados de energia: quando a oferta se torna insuficiente, os preços e as margens tendem a aumentar, beneficiando os operadores que conseguem manter a produção.

Contudo, os ganhos empresariais não significam necessariamente um aumento equivalente da capacidade global de abastecimento, sobretudo quando as limitações estão associadas a instalações danificadas, encerramentos de refinarias ou dificuldades de transporte.

Moçambique: Crise do Diesel Aumenta Riscos Para Transportes, Agricultura e Indústria

A evolução dos mercados internacionais de combustíveis tem implicações importantes para Moçambique, particularmente pela dependência da importação de produtos petrolíferos refinados.

O aumento do preço do diesel merece especial atenção devido à sua utilização transversal na actividade económica nacional. Os transportes rodoviários desempenham um papel dominante na circulação de mercadorias e passageiros, enquanto sectores como agricultura, mineração, construção e logística portuária utilizam equipamentos e maquinaria que dependem de combustíveis líquidos.

Uma valorização persistente dos preços internacionais pode aumentar os custos de importação e, dependendo dos mecanismos de formação de preços internos, transmitir pressões adicionais aos custos operacionais das empresas.

Na agricultura, o encarecimento do diesel pode afectar o funcionamento de tractores, bombas de irrigação e equipamentos de transporte, contribuindo para aumentar os encargos de produção e comercialização. O efeito torna-se particularmente relevante num mercado onde a distância entre regiões produtoras e consumidoras já constitui um factor importante de formação de preços.

No sector logístico, a valorização dos combustíveis pode influenciar os custos de transporte ao longo dos corredores de Maputo, Beira e Nacala, com possíveis consequências para a competitividade das operações de comércio nacional e regional.

A dependência de importações também coloca a questão cambial. Quanto mais elevados forem os preços internacionais dos produtos petrolíferos, maior poderá ser a necessidade de moeda estrangeira para financiar volumes equivalentes de importação.

Importa, contudo, distinguir o comportamento do preço internacional do petróleo bruto das cotações dos combustíveis refinados. A evolução dos preços internos depende de diferentes componentes, incluindo os preços de aquisição, transporte, armazenamento, fiscalidade, taxa de câmbio e mecanismos regulatórios.

ExxonMobil: Lucros Crescentes Coincidem com Expansão dos Interesses em Moçambique

O desempenho financeiro da ExxonMobil apresenta também uma dimensão de interesse directo para Moçambique, considerando o envolvimento da multinacional no desenvolvimento dos recursos de gás natural da Bacia do Rovuma.

Na divulgação dos resultados do terceiro trimestre, a empresa confirmou um acordo para aumentar a sua participação no projecto Rovuma LNG para 50%, consolidando a posição de operador. A informação foi incluída entre os principais desenvolvimentos estratégicos destacados pela companhia, juntamente com outros investimentos internacionais em gás natural liquefeito.

O crescimento dos lucros e a forte geração de caixa da empresa constituem elementos relevantes para a avaliação da sua capacidade financeira global, embora não representem compromissos automáticos de investimento adicional em Moçambique.

A decisão de financiamento dos projectos de LNG continua dependente de factores específicos, incluindo aprovações de investimento, estrutura contratual, condições de segurança, custos de desenvolvimento e perspectivas de procura internacional de gás natural.

Ainda assim, a expansão dos interesses da ExxonMobil em Rovuma ocorre numa fase em que a companhia apresenta resultados financeiros robustos e destaca o crescimento das suas operações internacionais.

Lucros Extraordinários Evidenciam Desequilíbrio Entre Capacidade de Refinação e Procura Mundial

A evolução dos resultados da ExxonMobil e da Chevron demonstra a importância económica assumida pelas actividades de refinação num mercado internacional confrontado com dificuldades de abastecimento.

Os lucros conjuntos de US$ 25,3 mil milhões no terceiro trimestre reflectem a combinação de preços elevados, margens de transformação favoráveis e capacidade operacional disponível. O contraste com o aumento dos custos suportados pelos consumidores e pelas empresas torna-se particularmente significativo num momento em que a escassez de diesel ameaça prolongar-se para 2027.

A recuperação das instalações afectadas pelos conflitos, o eventual regresso das exportações russas e a evolução da capacidade global de refinação serão determinantes para as perspectivas dos preços.

Os resultados das grandes petrolíferas também demonstram que a disponibilidade de petróleo bruto, isoladamente, não assegura estabilidade no abastecimento de combustíveis. Uma economia pode dispor de crude no mercado internacional e, simultaneamente, enfrentar escassez de diesel, gasolina ou combustível de aviação, caso a capacidade de refinação e distribuição permaneça limitada.

Esta é uma distinção particularmente relevante para os países importadores de produtos petrolíferos, cujos custos energéticos são determinados não só pela cotação do crude, mas também pelas margens de refinação e pela disponibilidade efectiva dos combustíveis.

Com as refinarias norte-americanas próximas da capacidade máxima e parte da produção do Médio Oriente e da Rússia ainda condicionada, o mercado entra em Novembro com o diesel como uma das principais fontes de pressão sobre os custos da economia mundial.