
Fraudes nas Telecomunicações Caem 64%, Mas Vandalismo Causa Prejuízos de US$ 12 Milhões
Relatório do INCM revela que Moçambique registou 195.045 ocorrências de fraude em 2025, com impacto financeiro estimado em 128,31 milhões de meticais. Apesar da redução expressiva dos casos, a crescente sofisticação das burlas, a utilização indevida de identidades digitais e os danos provocados nas infra-estruturas continuam a representar riscos para operadores e consumidores.
- Fraudes em queda: Ocorrências diminuíram aproximadamente 64% em 2025, para 195.045 casos;
- Impacto financeiro: Incidentes reportados provocaram prejuízos estimados em 128,31 milhões de meticais;
- Vandalismo e sabotagem: Danos nas infra-estruturas de telecomunicações representaram perdas estimadas em US$ 12 milhões;
- Registo de subscritores: Processo iniciado em Maio de 2025 contribuiu para reduzir determinadas modalidades de fraude, segundo o INCM;
- Novas ameaças: Roubo de identidade, falsificação de identificações e mensagens fraudulentas em nome de instituições financeiras exigem maior capacidade de prevenção;
- Resiliência das redes: Ciclones Dikeledi e Jude deixaram 174 estações de telecomunicações inoperacionais.
Fraudes Diminuem, Mas Custos da Insegurança Continuam Elevados
Moçambique registou uma redução de aproximadamente 64% nos casos de fraude no sector das telecomunicações em 2025, passando para 195.045 ocorrências. Apesar da melhoria, os incidentes reportados provocaram prejuízos estimados em 128,31 milhões de meticais, enquanto os actos de vandalismo e sabotagem das infra-estruturas representaram perdas adicionais estimadas em cerca de US$ 12 milhões, segundo informações divulgadas pelo Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM).
Os dados constam do Relatório de Segurança e Resiliência das Telecomunicações 2025, apresentado aos operadores do sector na terça-feira, 3 de Novembro, na cidade de Maputo.
O documento avalia a segurança e a capacidade de resposta dos operadores perante fraudes, ameaças cibernéticas, falhas técnicas e outros incidentes que afectam os serviços de telefonia móvel, Internet e radiodifusão televisiva.
A redução das fraudes constitui um dos principais indicadores positivos do relatório. Contudo, a dimensão dos prejuízos financeiros e a persistência de mecanismos fraudulentos cada vez mais sofisticados evidenciam os desafios que continuam a afectar a segurança dos serviços e a protecção dos consumidores.
A Presidente do Conselho de Administração do INCM, Helena Fernandes, reconheceu a evolução favorável dos indicadores, mas advertiu que os resultados exigem continuidade das medidas de prevenção.
“Embora a redução registada constitua um sinal positivo, importa reconhecer que estas e outras modalidades de fraude continuam a representar um desafio significativo para a segurança do sector e para a protecção dos consumidores. Isso exige que continuemos atentos e a modernizar os nossos sistemas de prevenção, detecção e controlo
— Helena Fernandes, Presidente do Conselho de Administração do INCM
A dimensão económica dos incidentes revela que a segurança das telecomunicações constitui uma componente relevante da sustentabilidade operacional dos serviços digitais e da confiança dos seus utilizadores.
Registo de Subscritores Contribuiu Para a Redução das Fraudes
Um dos elementos acrescentados pela informação divulgada pelo Notícias relaciona-se com a identificação dos factores que contribuíram para a redução das ocorrências.
Segundo Osvaldo Cossa, Chefe do Departamento de Segurança de Redes de Telecomunicações e Registo de Subscritores do INCM, o processo de registo de subscritores, iniciado em Maio de 2025, contribuiu para diminuir determinadas modalidades de fraude, particularmente as associadas ao envio de mensagens através de telemóveis.
O mecanismo permite melhorar a identificação dos utilizadores dos serviços de telecomunicações, criando condições para uma maior rastreabilidade das comunicações e para o controlo de práticas fraudulentas.
A medida assume especial importância num sector em que a utilização de números telefónicos constitui um instrumento fundamental para o acesso a serviços de comunicação e plataformas digitais.
Apesar dos resultados positivos atribuídos ao processo, o regulador reconhece que a evolução das práticas fraudulentas continua a colocar desafios aos mecanismos tradicionais de identificação.
Persistem esquemas que recorrem ao roubo de identidade, à utilização de identificações falsas e à emissão de mensagens fraudulentas em nome de instituições legítimas.
O contributo do registo de subscritores representa, assim, um avanço nos mecanismos de prevenção, mas não elimina a necessidade de aperfeiçoamento permanente dos sistemas de segurança.
Burladores Utilizam Identidade de Instituições Financeiras Para Enganar Consumidores
Entre as ameaças identificadas pelo INCM, destacam-se os esquemas que recorrem à utilização indevida da identidade de prestadores de serviços financeiros móveis.
Segundo Osvaldo Cossa, os burladores fazem-se passar por instituições legítimas, enviando mensagens fraudulentas destinadas a obter informações pessoais, códigos de acesso ou induzir os utilizadores à realização de operações financeiras.
Estas práticas representam um risco particularmente relevante devido à crescente utilização das telecomunicações como suporte de serviços financeiros digitais.
O relatório identifica igualmente a fraude denominada Wangiri, que consiste na realização de chamadas de curta duração para induzir os destinatários a devolver a ligação, geralmente para números internacionais ou de valor acrescentado.
Outra modalidade recorrente é a SIMBOX, associada ao encaminhamento irregular de chamadas internacionais, com potenciais consequências para a integridade dos sistemas de interligação e para as receitas dos operadores.
O SMS Phishing constitui igualmente uma ameaça, através do envio de mensagens falsas destinadas à obtenção de dados pessoais, bancários e credenciais de acesso.
A diversidade destas modalidades evidencia a importância da cooperação entre operadores de telecomunicações, instituições financeiras e entidades responsáveis pela segurança digital.
A evolução das burlas para esquemas baseados na falsificação de identidades institucionais também aumenta a relevância da literacia digital dos consumidores, especialmente no reconhecimento de mensagens suspeitas e na protecção das credenciais pessoais.
Vandalismo e Sabotagem Provocam Prejuízos de US$ 12 Milhões
A informação complementar acrescenta uma dimensão económica relevante ao relatório: os prejuízos associados à vandalização e sabotagem das infra-estruturas de telecomunicações.
De acordo com Osvaldo Cossa, estas ocorrências provocaram perdas estimadas em cerca de US$ 12 milhões durante 2025.
O montante evidencia os custos associados à insegurança física das redes, incluindo os danos causados aos equipamentos e às instalações utilizadas na prestação dos serviços.
As consequências económicas podem estender-se à necessidade de reposição de infra-estruturas, intervenções técnicas de recuperação e interrupções da continuidade operacional.
A dimensão dos prejuízos também demonstra que a segurança do sector deve ser analisada considerando tanto as ameaças digitais como os riscos físicos que afectam as infra-estruturas.
Importa distinguir os dois indicadores financeiros apresentados: os 128,31 milhões de meticais correspondem ao impacto consolidado dos incidentes reportados, enquanto os cerca de US$ 12 milhões foram atribuídos especificamente aos actos de vandalismo e sabotagem.
A informação disponibilizada não esclarece se existe alguma sobreposição entre estas estimativas, pelo que os valores devem ser apresentados separadamente, sem serem agregados num montante global.
Ciclones Deixaram 174 Estações de Telecomunicações Inoperacionais
Os fenómenos climáticos extremos constituem outra fonte de vulnerabilidade identificada no Relatório de Segurança e Resiliência das Telecomunicações 2025.
Os ciclones Dikeledi e Jude provocaram a inoperacionalidade de 174 estações de telecomunicações, afectando a capacidade de funcionamento das redes em diferentes zonas do território nacional.
As consequências das interrupções ultrapassam o sector das comunicações, podendo afectar actividades empresariais, operações financeiras, serviços públicos e a comunicação em situações de emergência.
A crescente utilização das redes de telecomunicações na prestação de serviços económicos aumenta a importância da sua capacidade de recuperação após incidentes climáticos.
O relatório recomenda, por isso, investimentos na segurança física das infra-estruturas, no desenvolvimento de sistemas redundantes e na melhoria dos mecanismos de continuidade dos serviços.
A redundância constitui uma componente importante da resiliência operacional, permitindo que sistemas alternativos assegurem a continuidade de determinadas funções quando os equipamentos principais ficam indisponíveis.
INCM Recomenda Supervisão Baseada no Risco e Maior Coordenação Entre Operadores
Perante os desafios identificados, o INCM apresentou recomendações destinadas a melhorar a capacidade de prevenção, detecção e resposta aos incidentes de segurança.
Entre as prioridades figura o combate às modalidades de fraude mais frequentes, incluindo Wangiri, SIMBOX e Phishing, assim como o reforço da protecção contra o comprometimento da identidade digital.
O regulador recomenda igualmente o fortalecimento da segurança das infra-estruturas críticas e a harmonização dos mecanismos de reporte de incidentes, incluindo formatos, prazos, classificações e indicadores utilizados pelos operadores.
Outro domínio considerado prioritário é a partilha estruturada de informações sobre ameaças e vulnerabilidades entre os operadores, o INCM, a Unidade de Combate aos Crimes Cibernéticos e Tecnológicos (UCTT) e outras entidades competentes.
O documento aponta também para a necessidade de fortalecer as capacidades técnicas de prevenção e resposta a incidentes cibernéticos, acompanhadas por programas de capacitação e literacia digital dirigidos aos intervenientes do sector e aos consumidores.
A adopção de mecanismos de supervisão baseada no risco constitui outra recomendação, permitindo concentrar os esforços de fiscalização nos activos essenciais, operadores e zonas com maior exposição a ameaças.
Estas medidas representam uma orientação para melhorar a capacidade de resposta do sector e reduzir os riscos associados à expansão dos serviços digitais.
Segurança Digital Torna-se Factor de Sustentabilidade Económica do Sector
Os resultados de 2025 revelam um contraste entre a redução expressiva das ocorrências de fraude e a persistência de custos financeiros relevantes associados à insegurança das telecomunicações.
A diminuição de aproximadamente 64% dos casos constitui um indicador positivo, particularmente pela contribuição atribuída ao registo de subscritores. Contudo, a evolução das modalidades de burla e os danos provocados nas infra-estruturas demonstram que a segurança exige uma abordagem abrangente.
Num contexto de crescente utilização das redes para operações financeiras, actividades empresariais e prestação de serviços públicos, a capacidade de proteger os utilizadores e assegurar a continuidade operacional constitui uma condição importante para o desenvolvimento da economia digital.
O relatório do INCM evidencia, deste modo, três prioridades complementares: consolidar os mecanismos de combate à fraude, melhorar a protecção física e tecnológica das infra-estruturas e aprofundar a cooperação entre regulador, operadores e instituições responsáveis pela segurança.
A evolução futura destes indicadores permitirá avaliar se a redução das ocorrências também se traduz numa diminuição sustentada dos prejuízos financeiros e numa maior capacidade de resistência das redes perante ameaças digitais e fenómenos climáticos.
Indicadores Centrais | Telecomunicações 2025
Fonte: INCM — Relatório de Segurança e Resiliência das Telecomunicações 2025.














