
Corredor da Beira Vai Aumentar Capacidade de Transporte de Combustíveis em 67% Até 2027
Expansão do oleoduto Beira–Feruka elevará a capacidade anual para cinco milhões de metros cúbicos, numa região onde a procura de combustíveis deverá crescer 35% na próxima década. Investimento abre oportunidades logísticas e comerciais, mas exige melhorias nos portos, armazenamento e distribuição.
- Investimento: CPMZ prepara expansão da capacidade de transporte do oleoduto Beira–Feruka de três para cinco milhões de metros cúbicos anuais;
- Prazo: Obras, incluindo duas novas estações de bombagem, deverão permitir atingir a nova capacidade até Dezembro de 2027;
- Procura Regional: S&P Global Energy projecta crescimento de aproximadamente 35% no consumo de combustíveis na zona de abastecimento da Beira durante a próxima década;
- Integração: Zimbabwe poderá assumir maior protagonismo como plataforma de distribuição para a Zâmbia, Malawi, Botswana e República Democrática do Congo;
- Competitividade: Redução dos custos logísticos, melhoria da capacidade de armazenamento e eficiência fronteiriça são apontadas como prioridades para consolidar o corredor.
Expansão do Oleoduto Beira–Feruka Prepara Resposta ao Crescimento Regional
A Companhia do Pipeline Moçambique–Zimbabwe (CPMZ) está a avançar com a expansão do oleoduto Beira–Feruka, que deverá aumentar a capacidade anual de transporte de combustíveis de três milhões para cinco milhões de metros cúbicos até Dezembro de 2027, representando um acréscimo de aproximadamente 67%. O investimento pretende responder ao crescimento da procura de produtos petrolíferos na África Austral e consolidar o Corredor da Beira como uma das principais rotas de abastecimento energético dos mercados do interior da região.
O projecto esteve no centro das discussões do Beira Corridor Forum 2026, realizado a 27 de Outubro, em Livingstone, na Zâmbia, por iniciativa da CPMZ, reunindo representantes governamentais, reguladores, investidores, instituições financeiras, operadores de infra-estruturas e dirigentes empresariais.
O encontro analisou o papel estratégico do corredor no abastecimento de combustíveis à Zâmbia, Zimbabwe, Malawi, Botswana e à região de Katanga, na República Democrática do Congo (RDC), num contexto de crescimento da procura energética e necessidade de diversificação das rotas regionais.
A expansão anunciada inclui a instalação de duas estações adicionais de bombagem, destinadas a elevar a capacidade operacional do sistema e acomodar volumes superiores de produtos petrolíferos.
O investimento introduz uma nova escala para a infra-estrutura, cuja importância decorre da ligação entre o Porto da Beira e os mercados do interior da África Austral, permitindo o transporte de combustíveis através de uma rota alternativa às cadeias de abastecimento predominantemente rodoviárias.
Patrick Dias da Cunha, Administrador e Director-Geral da CPMZ, destacou o papel das relações institucionais entre Moçambique e Zimbabwe no desenvolvimento do corredor, defendendo uma abordagem integrada de longo prazo.
«As nossas sólidas parcerias com os Governos de Moçambique e Zimbabwe têm sido fundamentais para o sucesso da CPMZ e para a nossa visão partilhada de desenvolver o Corredor da Beira como uma rota regional integrada de abastecimento energético», afirmou o responsável.
A estratégia da empresa contempla igualmente a transformação de Harare numa plataforma regional de distribuição de combustíveis, com capacidade de servir mercados vizinhos através de soluções logísticas complementares.
Procura de Combustíveis Deverá Crescer 35% na Próxima Década
As perspectivas de crescimento do consumo regional constituem um dos principais fundamentos económicos da expansão do oleoduto.
Segundo projecções apresentadas por Daniel Evans, Vice-Presidente da S&P Global Energy, a procura de combustíveis na denominada Beira Supply Zone deverá aumentar aproximadamente 35% durante os próximos dez anos, correspondendo a um acréscimo de cerca de quatro milhões de metros cúbicos.
A projecção foi apresentada numa comunicação intitulada Security of Supply in a Volatile Environment: Supporting the Growth of Fuel Demand in Southern Africa, dedicada à segurança do abastecimento num contexto internacional de volatilidade energética.
O crescimento previsto reflecte as necessidades dos mercados regionais, particularmente em actividades como mineração, agricultura, indústria transformadora e transportes, que continuam a depender fortemente de produtos petrolíferos.
A S&P Global Energy assinala ainda que África constitui a única região onde os seus diferentes cenários apontam para um crescimento prolongado da procura de combustíveis ao longo das próximas décadas.
Esta perspectiva contrasta com a evolução esperada noutras regiões, onde a electrificação dos transportes, os ganhos de eficiência energética e as políticas de descarbonização tendem a moderar o crescimento do consumo de derivados de petróleo.
O cenário africano coloca novas exigências sobre a capacidade das infra-estruturas de importação, armazenamento, transporte e distribuição.
No caso do Corredor da Beira, a expansão prevista de dois milhões de metros cúbicos anuais representa uma resposta importante, embora inferior ao aumento de quatro milhões de metros cúbicos de procura regional projectado pela S&P Global Energy para a próxima década.
Importa, contudo, distinguir a capacidade adicional de um oleoduto da totalidade da procura energética dos mercados que integra. O volume projectado pela consultora abrange a zona regional de abastecimento, que poderá continuar a recorrer a diferentes infra-estruturas e modalidades de transporte.
A capacidade futura do corredor para captar uma parcela crescente desse mercado será influenciada pelos custos de transporte, disponibilidade de armazenamento, eficiência das ligações transfronteiriças e condições comerciais oferecidas aos operadores.
Harare Poderá Tornar-se Plataforma Regional de Distribuição
Um dos aspectos estratégicos apresentados pela CPMZ consiste na intenção de consolidar Harare como um centro regional de distribuição de combustíveis, aproveitando a ligação existente ao Porto da Beira e a proximidade dos mercados do interior.
A proposta pretende ampliar a função económica do oleoduto, associando o transporte de produtos petrolíferos a uma rede integrada de armazenamento e distribuição.
Patrick Dias da Cunha explicou que a expansão das infra-estruturas e o aprofundamento das parcerias regionais deverão permitir posicionar a capital zimbabweana como uma plataforma de abastecimento para países vizinhos.
«Ao fortalecer as infra-estruturas e trabalhar em estreita colaboração com os nossos parceiros regionais, pretendemos posicionar Harare como um centro de distribuição de combustíveis que sirva mercados vizinhos, incluindo Zâmbia, Malawi, Botswana e RDC», declarou.
A estratégia poderá alterar gradualmente a organização dos fluxos de abastecimento energético na região, caso os investimentos sejam acompanhados por capacidade adicional de armazenamento, transporte terrestre e facilitação das operações fronteiriças.
A concentração de volumes numa plataforma regional pode criar oportunidades de economias de escala e maior previsibilidade de abastecimento, especialmente em mercados onde os custos logísticos representam uma componente significativa do preço final dos combustíveis.
Entretanto, a transformação de Harare num centro de distribuição exigirá coordenação entre operadores de infra-estruturas, empresas comercializadoras, autoridades reguladoras e entidades responsáveis pelos procedimentos aduaneiros.
Zâmbia Defende Diversificação das Rotas de Abastecimento
A Zâmbia identificou a expansão do Corredor da Beira como uma oportunidade para melhorar a segurança do abastecimento de combustíveis e reduzir a exposição a constrangimentos associados à dependência de determinadas rotas logísticas.
O Secretário Permanente para a Energia do Ministério da Energia zambiano, Professor Ephraim Kabunda Munshifwa, destacou a importância de ligações eficientes e diversificadas aos portos regionais, considerando a posição geográfica do país e as necessidades dos seus principais sectores produtivos.
«Enquanto país ligado aos portos marítimos através dos seus vizinhos, a Zâmbia depende de conexões eficientes e diversificadas aos portos regionais. Um Corredor da Beira mais forte poderá alargar as nossas opções de abastecimento de combustíveis, melhorar a fiabilidade e apoiar a competitividade das nossas indústrias», afirmou Munshifwa.
A economia zambiana apresenta necessidades significativas de energia associadas à mineração, agricultura, indústria transformadora e transportes, sectores cuja actividade depende de condições regulares de abastecimento.
O responsável advertiu, contudo, que o aumento da capacidade do oleoduto deverá ser acompanhado por investimentos complementares.
Na sua avaliação, a expansão da infra-estrutura precisa de ser articulada com maior capacidade de armazenamento, melhorias dos sistemas de transporte e procedimentos fronteiriços mais eficientes.
A posição apresentada pela Zâmbia evidencia que a segurança energética depende da capacidade de funcionamento de toda a cadeia de abastecimento, desde a recepção dos combustíveis nos portos até à sua distribuição aos consumidores industriais e comerciais.
Munshifwa defendeu igualmente uma cooperação mais estreita entre Moçambique, Zimbabwe e Zâmbia, apoiada por regulamentação transparente e investimentos comercialmente sustentáveis.
Porto da Beira e Infra-Estruturas Complementares Ganham Importância
A expansão do oleoduto coloca novas exigências sobre a capacidade logística do Corredor da Beira, particularmente no que respeita à recepção, movimentação, armazenamento e distribuição de combustíveis.
O aumento da capacidade de transporte para cinco milhões de metros cúbicos anuais pressupõe que as restantes infra-estruturas disponham de condições para acompanhar os volumes adicionais.
Esta necessidade foi destacada pelo Secretário de Estado do Ministério dos Transportes e Logística de Moçambique, Eng.º Chinguane Mabote, durante o fórum.
Na sua intervenção, o governante defendeu que o aumento da capacidade do oleoduto deve ser acompanhado por melhorias nas infra-estruturas portuárias, nos sistemas de armazenamento e nas redes de distribuição.
Mabote destacou igualmente a necessidade de reduzir os custos logísticos, encurtar os tempos de espera e assegurar maior fiabilidade dos serviços.
A posição introduz uma dimensão económica importante no projecto: a expansão física do oleoduto poderá aumentar a capacidade potencial de transporte, mas a utilização dessa capacidade será condicionada pela eficiência dos restantes segmentos da cadeia.
A existência de estrangulamentos na recepção portuária, no armazenamento ou na distribuição terrestre poderá limitar os ganhos esperados com o investimento.
A coordenação entre operadores portuários, empresas transportadoras, autoridades reguladoras e serviços aduaneiros constitui, neste contexto, uma condição relevante para melhorar a competitividade do corredor.
A modernização das infra-estruturas complementares poderá igualmente criar oportunidades de investimento em armazenagem, serviços logísticos, manutenção industrial e operações de transporte.
Investimento em Infra-Estruturas Deve Gerar Oportunidades Económicas
A necessidade de associar a expansão logística ao desenvolvimento económico regional constituiu outro tema central do fórum.
Osam Iyahen, representante da Africa Finance Corporation (AFC), defendeu que o sucesso dos corredores económicos africanos depende da capacidade de articular infra-estruturas, investimentos e parcerias entre os diferentes intervenientes.
«O futuro dos corredores económicos de África dependerá tanto das parcerias que ligam as nossas infra-estruturas como das próprias infra-estruturas», afirmou Iyahen, durante a sua intervenção principal.
O representante da AFC defendeu maior coordenação transfronteiriça, planeamento integrado e envolvimento dos principais consumidores industriais, bem como investimentos em instalações logísticas e industriais complementares.
A perspectiva apresentada pela instituição financeira coloca a expansão do Corredor da Beira no quadro mais amplo da integração económica regional.
A concentração de actividades logísticas e comerciais ao longo de um corredor pode criar oportunidades para empresas de transporte, manutenção, armazenagem, serviços técnicos e fornecimento de equipamentos.
Contudo, a materialização dessas oportunidades estará associada à capacidade de mobilização de investimentos privados, desenvolvimento de competências e existência de condições comerciais competitivas.
A articulação com os grandes consumidores industriais será igualmente relevante, uma vez que a previsibilidade dos volumes transportados constitui um elemento importante para a sustentabilidade económica das infra-estruturas.
Segurança Energética Regional Exige Coordenação Entre Países
A expansão do Corredor da Beira ocorre num contexto em que a segurança energética assume crescente importância nas estratégias económicas dos países da África Austral.
A volatilidade dos mercados internacionais de petróleo, os riscos geopolíticos e as limitações das infra-estruturas de abastecimento aumentam a necessidade de diversificação de rotas e de maior coordenação regional.
A dependência dos mercados do interior relativamente aos portos marítimos torna particularmente relevantes os investimentos em corredores capazes de assegurar fornecimentos regulares e custos competitivos.
Neste quadro, Moçambique ocupa uma posição estratégica por disponibilizar infra-estruturas portuárias e ligações terrestres de acesso aos mercados vizinhos.
O desenvolvimento do Corredor da Beira poderá ampliar a sua importância na organização das cadeias regionais de abastecimento energético, especialmente se a expansão do oleoduto for acompanhada por melhorias operacionais e integração dos serviços logísticos.
A capacidade adicional prevista até Dezembro de 2027 representa um incremento significativo da infra-estrutura existente, mas o seu aproveitamento económico exigirá investimentos complementares e acordos comerciais capazes de assegurar volumes regulares de transporte.
O crescimento da procura projectado pela S&P Global Energy oferece uma referência importante para a avaliação da dimensão futura desse mercado.
Fórum Defende Compromissos Concretos Para Acelerar Investimentos
O encerramento do Beira Corridor Forum 2026 foi marcado por apelos à transformação das recomendações apresentadas em compromissos institucionais e empresariais concretos.
O Secretário de Estado Chinguane Mabote destacou a importância de assegurar continuidade às discussões, sobretudo no que respeita à implementação de investimentos e à melhoria das condições operacionais do corredor.
«O valor deste encontro será avaliado não só pela qualidade das discussões, mas também pela nossa capacidade de dar seguimento às oportunidades identificadas e às recomendações apresentadas», afirmou o governante.
A declaração reflecte a necessidade de estabelecer mecanismos de coordenação entre os países e operadores envolvidos, particularmente perante o calendário de expansão do oleoduto e as perspectivas de crescimento da procura regional.
A CPMZ considera que o aprofundamento das parcerias com os Governos de Moçambique e Zimbabwe continuará a desempenhar um papel importante na consolidação do corredor.
O desafio imediato consiste em assegurar que a expansão da capacidade de transporte seja acompanhada por investimentos nas infra-estruturas de recepção, armazenamento e distribuição, evitando que limitações operacionais reduzam a competitividade da rota.
Com a procura regional de combustíveis projectada para crescer quatro milhões de metros cúbicos na próxima década, a expansão do oleoduto Beira–Feruka acrescentará dois milhões de metros cúbicos à sua capacidade anual até 2027. A diferença entre estas duas grandezas evidencia a dimensão das oportunidades de investimento ainda existentes na logística energética da África Austral, particularmente no armazenamento, transporte e distribuição transfronteiriça de produtos petrolíferos.













