
CTA Propõe Roteiro de Investimentos 2026–2030 Para Transformar Corredores Logísticos em Pólos Industriais
Na abertura da TRANSLOG MOZ 2026, sector privado defende uma carteira de projectos prioritários, concessões, parcerias público-privadas e metas de redução dos custos logísticos. Governo aponta a modernização dos corredores de Maputo, Beira e Nacala como prioridade para consolidar Moçambique enquanto plataforma de comércio e investimento na África Austral.
- CTA propõe Roteiro de Investimento em Transportes e Logística 2026–2030, com projectos prioritários, metas e mecanismos de acompanhamento;
- Portos moçambicanos movimentaram 66,5 milhões de toneladas em 2024, segundo os dados apresentados pela CTA;
- Porto de Maputo atingiu 32 milhões de toneladas em 2025, reforçando a importância dos corredores de trânsito regional;
- Sector privado identifica cinco prioridades, incluindo integração ferroviária, portos secos, digitalização, financiamento e conteúdo local;
- Governo destaca modernização, integração regional e eficiência operacional como condições para atrair investimentos e aumentar a competitividade logística.
Sector Privado Propõe Nova Agenda de Investimentos Para os Corredores
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) propôs a elaboração de um Roteiro de Investimento em Transportes e Logística 2026–2030, destinado a identificar projectos prioritários, reduzir os custos de circulação de mercadorias e acelerar a transformação dos principais corredores logísticos em plataformas de desenvolvimento industrial. A proposta foi apresentada no âmbito da primeira edição da Conferência de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique, TRANSLOG MOZ 2026, que decorre em Maputo, reunindo representantes governamentais, operadores logísticos, investidores e delegações de países da África Austral.
A iniciativa empresarial surge num contexto de expansão da movimentação portuária e de crescente importância dos corredores moçambicanos para o comércio regional, mas também de persistência de constrangimentos relacionados com os tempos de trânsito, a capacidade ferroviária, os procedimentos fronteiriços e os custos operacionais.
Na intervenção na Conferência, o Vice-Presidente da CTA, Onório Manuel, recordou que os portos moçambicanos movimentaram aproximadamente 66,5 milhões de toneladas de carga em 2024, enquanto o Porto de Maputo alcançou 32 milhões de toneladas em 2025.
Com estes indicadores, a CTA, buscou evidenciar a importância económica das infra-estruturas existentes, embora considerando que o aproveitamento da capacidade instalada continua condicionado por limitações de integração e eficiência ao longo das cadeias logísticas. A CTA, sublinhou que, “a nossa localização geográfica é uma vantagem estratégica. Transformá-la em valor económico depende da eficiência dos portos, corredores, fronteiras e serviços logísticos”.
A proposta do sector privado privilegia investimentos capazes de melhorar as ligações entre os portos, as infra-estruturas ferroviárias e rodoviárias e os mercados dos países do interior da região, particularmente aqueles que utilizam os corredores moçambicanos para o comércio internacional.
Movimentação Portuária Evidencia Potencial de Expansão Logística
O crescimento da actividade portuária constitui um dos principais argumentos utilizados pelo sector privado para defender novos investimentos em infra-estruturas logísticas e serviços complementares.
A Confederação considera, que o aumento dos volumes de carga deve ser acompanhado por melhorias na eficiência dos corredores e por uma maior integração das infra-estruturas com as actividades produtivas.
Na avaliação apresentada, a competitividade logística é influenciada pelos custos, pela duração das operações e pela previsibilidade dos serviços ao longo de toda a cadeia de transporte. "A competitividade de um corredor não se mede apenas pela capacidade do seu porto, mas pelo custo, tempo e previsibilidade com que a mercadoria chega ao destino final.". Destacou o Vice-Presidente da CTA.
A CTA chamou igualmente a atenção para situações em que a capacidade disponível numa infra-estrutura não se traduz em maior eficiência do sistema, devido à existência de limitações operacionais noutros pontos da cadeia.
A ausência de equipamentos ferroviários adequados nas ligações transfronteiriças, a retenção de mercadorias nos terminais e a morosidade dos procedimentos aduaneiros foram identificadas como exemplos de constrangimentos que reduzem a competitividade do transporte regional.
Estas limitações podem traduzir-se em maiores custos para importadores e exportadores, menor rotatividade dos equipamentos e redução da capacidade efectiva de circulação de mercadorias.
Cinco Prioridades Para Aumentar a Competitividade Logística
Onório Manuel indicou cinco áreas consideradas fundamentais para melhorar o desempenho dos corredores e ampliar as oportunidades de investimento.
A primeira consiste na integração efectiva dos corredores de Maputo, Beira e Nacala com os mercados do interior da África Austral, através do desenvolvimento das ligações ferroviárias, rodoviárias e fronteiriças.
A segunda prioridade envolve investimentos em infra-estruturas logísticas complementares, incluindo portos secos, terminais interiores, armazéns, cadeias de frio e plataformas de distribuição.
A terceira centra-se na mobilização de capital privado, concessões e parcerias público-privadas, sustentadas por projectos economicamente viáveis, contratos transparentes e mecanismos adequados de distribuição de riscos.
A quarta prioridade corresponde à simplificação e digitalização dos procedimentos fronteiriços, incluindo a criação de uma Janela Única Logística e o aproveitamento da cabotagem como alternativa complementar ao transporte rodoviário.
A CTA reforçou a necessidade de integrar as empresas nacionais nas cadeias de fornecimento, manutenção, engenharia, tecnologia e prestação de serviços, permitindo ampliar as oportunidades de participação empresarial e criação de emprego.
Estas propostas apontam para uma abordagem integrada dos investimentos, combinando infra-estruturas físicas, serviços, tecnologia, financiamento e desenvolvimento da capacidade empresarial.
Corredores Devem Impulsionar a Industrialização Regional
O sector privado moçambicano quer ver estabelecida uma relação mais estreita entre o desenvolvimento dos corredores logísticos e a transformação produtiva das economias da região. Considera que os investimentos portuários e ferroviários devem contribuir para criar condições de instalação de actividades industriais, armazenamento, transformação e distribuição de mercadorias.
“Temos de converter corredores e portos em verdadeiros motores de industrialização das nossas nações.
Na perspectiva da Confederação, os corredores não devem continuar a funcionar predominantemente como vias de trânsito de matérias-primas destinadas à exportação e de produtos manufacturados provenientes do exterior.
A proposta envolve o desenvolvimento de actividades económicas complementares, incluindo indústrias de transformação, serviços técnicos especializados e operações de distribuição associadas aos fluxos comerciais.
A instalação dessas actividades poderá criar novas oportunidades de investimento nos territórios servidos pelos corredores e ampliar a participação das empresas nacionais nas cadeias regionais de valor.
A CTA serviu-se da conferencia para introduzir uma dimensão industrial na agenda logística, associando a modernização das infra-estruturas à diversificação da base produtiva e ao desenvolvimento de serviços empresariais.
Governo Defende Integração dos Corredores e Modernização das Infra-Estruturas
Na intervenção de abertura da Conferência, o Ministro dos Transportes e Logística, João Jorge Matlombe, destacou a importância estratégica da localização geográfica de Moçambique e das suas ligações aos mercados da África Austral.
O governante considera que o país dispõe de condições para consolidar a sua posição enquanto plataforma logística regional, beneficiando da existência de portos, corredores de desenvolvimento e ligações naturais aos países do interior do continente.
“Moçambique tem uma oportunidade estratégica de consolidar o seu papel como plataforma logística regional, devido à sua localização geográfica, dos seus portos, dos corredores de desenvolvimento e das ligações naturais aos mercados da África Austral e do interior do continente.
O Ministro identificou a modernização das infra-estruturas de transportes e logística, a melhoria da mobilidade urbana, o aumento da segurança rodoviária, a digitalização dos processos e a integração dos corredores como prioridades sectoriais.
Segundo, a eficiência logística assume importância directa para a competitividade empresarial, a expansão das exportações, a integração regional e a atracção de investimentos.
O governante destacou particularmente os corredores de Maputo, Beira e Nacala, considerando que o seu potencial económico poderá ser ampliado através de uma maior integração e de melhorias na gestão operacional.
“Os corredores de Maputo, Beira e Nacala demonstram que Moçambique dispõe de activos estratégicos importantes.
João Matlombe salientou a necessidade de aprofundar a cooperação entre os países da região, mediante a harmonização de procedimentos, a partilha de informação e o desenvolvimento das ligações transfronteiriças.
A participação de delegações de Angola, Botswana, Eswatini, Malawi, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe confere à Conferência uma dimensão regional, particularmente relevante para a articulação das políticas de transporte e facilitação do comércio.














