
Moçambique Apresenta Até 50 Projectos Turísticos a Investidores e Prepara Corredor de 35 Quilómetros em Vilankulo–Inhassoro
- Presidente Daniel Chapo anuncia 25 oportunidades estruturadas para financiamento e parcerias, aponta novas medidas de facilitação do investimento e coloca a integração das empresas nacionais nas cadeias de valor entre as prioridades da estratégia de desenvolvimento turístico.
- Carteira de investimentos: Governo apresenta entre 40 e 50 projectos turísticos, dos quais 25 constituem oportunidades estruturadas para parcerias e financiamento;
- Novo corredor turístico: Projecto Âncora da Marginal Vilankulo–Inhassoro contempla 35 quilómetros destinados a empreendimentos hoteleiros, marinas, resorts ecológicos e serviços de elevado padrão;
- Reformas e incentivos: Visto electrónico, Vistos Gold, criação da ANDITUR, liberalização do mercado aéreo e zonas especiais integram a estratégia de atracção de investimentos;
- Conteúdo local: Executivo pretende aumentar a participação das empresas nacionais, dos produtores agrícolas, pescadores e prestadores de serviços na economia turística;
- Projecção internacional: Moçambique anuncia que acolherá, em 2027, o Fórum Global de Turismo, em parceria com a ONU Turismo e o Instituto Global do Turismo.
Turismo Entra Numa Nova Etapa de Mobilização de Investimentos
Moçambique apresentou uma carteira de 40 a 50 projectos turísticos, incluindo 25 oportunidades estruturadas para parcerias e financiamento, numa iniciativa destinada a mobilizar capital nacional e estrangeiro, acelerar o desenvolvimento de infra-estruturas turísticas e ampliar a contribuição do sector para a diversificação económica. O anúncio foi feito pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante a abertura da segunda edição do Mozambique Tourism Summit, realizada quinta-feira, 5 de Novembro, em Vilankulo, província de Inhambane.
A iniciativa integra uma estratégia governamental de desenvolvimento turístico assente na facilitação do investimento, melhoria da conectividade aérea, criação de zonas económicas especiais e integração das empresas moçambicanas nas cadeias de fornecimento de bens e serviços associados ao turismo.
Entre os empreendimentos anunciados destaca-se o Projecto Âncora da Marginal Vilankulo–Inhassoro, concebido como um corredor turístico costeiro de 35 quilómetros, destinado a acolher hotéis de cinco estrelas, marinas de classe mundial, resorts ecológicos, restaurantes de alta gastronomia e zonas residenciais de alto padrão.
No encontro, realizado sob o lema «Moçambique: Onde África se Reinventa», o Chefe do Estado apresentou o turismo como um dos sectores com potencial para dinamizar a actividade económica, gerar divisas, criar emprego e estabelecer novas ligações entre o investimento estrangeiro e a produção nacional.
“Queremos transformar estas oportunidades em investimentos concretos, empregos e benefícios para as comunidades locais”, afirmou Daniel Chapo, ao convidar operadores internacionais, instituições financeiras e empresários moçambicanos a participarem na concretização dos projectos apresentados.
Corredor Vilankulo–Inhassoro Abre Perspectivas Para Novos Empreendimentos Turísticos
O desenvolvimento da Marginal Vilankulo–Inhassoro constitui uma das principais apostas da carteira de investimentos apresentada pelo Governo. O projecto abrange uma extensão costeira de 35 quilómetros e prevê a criação de uma plataforma de empreendimentos turísticos de elevado padrão, combinando hotelaria, lazer, restauração, infra-estruturas náuticas e imobiliário turístico.
A iniciativa insere-se na criação da Zona Económica Especial Turística do Corredor Sul, que integra Vilankulo, Pomene e Inhassoro, procurando estabelecer condições específicas para a instalação de investimentos e a expansão da actividade turística.
A dimensão do projecto poderá estimular novas oportunidades de negócio em actividades complementares, particularmente na construção civil, fornecimento de materiais, transportes, manutenção, restauração e prestação de serviços especializados.
A apresentação da carteira de investimentos, contudo, não equivale à confirmação de financiamento ou ao arranque das obras. Os documentos oficiais consultados não especificam o valor financeiro global dos 40 a 50 projectos, os respectivos investidores, os calendários de implementação ou os montantes já assegurados.
Segundo informações divulgadas no âmbito da cimeira, a organização estabeleceu como objectivo mobilizar entre US$ 350 milhões e US$ 500 milhões em investimentos para o sector. Trata-se de uma meta de mobilização de capital, e não de investimentos já contratualizados.
Reformas no Ambiente de Negócios e Conectividade Aérea Ganham Prioridade
A estratégia de atracção de investidores contempla igualmente medidas destinadas a simplificar procedimentos administrativos, melhorar a acessibilidade dos destinos turísticos e criar maior previsibilidade para os operadores económicos.
Entre os avanços apresentados pelo Presidente da República constam a introdução da plataforma de visto electrónico, a concessão de Vistos Gold, a criação da Agência Nacional de Desenvolvimento e Investimentos do Turismo (ANDITUR) e a adopção de uma nova legislação de liberalização do mercado aéreo.
Daniel Chapo anunciou também a entrada em funcionamento da Solenta Aviation, em colaboração com a Cotur, identificando a iniciativa como parte dos esforços para ampliar as ligações aéreas.
No entendimento do Chefe do Estado, o desenvolvimento do turismo exige intervenções simultâneas na mobilidade internacional, na oferta de infra-estruturas e no funcionamento das instituições públicas responsáveis pela tramitação dos investimentos.
“Um destino turístico só se torna verdadeiramente global quando o mundo consegue chegar até ele com facilidade”, afirmou, sublinhando a necessidade de aumentar as ligações aéreas, assegurar tarifas competitivas e simplificar os procedimentos de entrada no país.
O Presidente reconheceu igualmente que a segurança jurídica, a previsibilidade regulatória, a eficiência administrativa e a protecção dos investidores constituem condições essenciais para atrair capital internacional.
Neste contexto, reiterou o compromisso governamental de combater a corrupção, o crime organizado, os raptos e a burocracia, bem como de modernizar os procedimentos de licenciamento turístico.
A ANDITUR deverá desempenhar um papel de articulação com a APIEX e o Gabinete Central de Reformas e Projectos Estratégicos na Presidência da República, acompanhando os investimentos desde a concepção até à concretização.
Conteúdo Local e Integração Produtiva Como Prioridades da Estratégia Turística
Um dos aspectos centrais da intervenção presidencial incidiu sobre a necessidade de aumentar a participação das empresas moçambicanas na actividade turística, através de uma maior articulação entre a hotelaria e os sectores produtivos nacionais.
O Governo pretende que a expansão dos empreendimentos turísticos estimule a produção agrícola, as pescas, a indústria transformadora, os transportes, o comércio e os serviços, contribuindo para ampliar as oportunidades económicas associadas ao fluxo de visitantes.
Ao exemplificar esta ligação, Daniel Chapo referiu que os estabelecimentos hoteleiros podem adquirir pescado aos produtores nacionais, produtos hortícolas aos agricultores e mobiliário à indústria moçambicana, enquanto os serviços de transporte, restauração e outras actividades complementares podem beneficiar pequenas e médias empresas.
“A nossa ambição não é apenas aumentar o número de turistas que visitam Moçambique. É também aumentar o valor que cada visita acrescenta à economia nacional, fortalecer o conteúdo local, gerar mais divisas para o nosso país”, declarou o Presidente.
Esta orientação coloca a capacidade de fornecimento das empresas nacionais entre as componentes relevantes da política turística. A expansão da actividade poderá abrir oportunidades comerciais para fornecedores moçambicanos, particularmente se acompanhada pelo desenvolvimento de capacidades produtivas, padrões de qualidade e relações comerciais estáveis com os grandes operadores.
No plano económico, a integração das cadeias de fornecimento constitui um mecanismo através do qual as despesas realizadas pelos visitantes podem gerar efeitos sobre outros sectores da economia, em vez de permanecerem concentradas exclusivamente na hotelaria e nos operadores turísticos.
O Chefe do Estado dirigiu ainda um apelo aos empresários nacionais para que se organizem, estabeleçam parcerias, inovem e melhorem a qualidade dos serviços, de modo a ampliarem a sua presença nas cadeias de valor nacionais e internacionais.
Turismo de Negócios, Golfe e Eventos Internacionais Integram Nova Estratégia
A diversificação da oferta turística figura igualmente entre as prioridades anunciadas pelo Executivo, que pretende aumentar a participação de Moçambique nos segmentos de turismo de negócios, conferências, exposições e grandes eventos internacionais.
Daniel Chapo destacou a aprovação da primeira Estratégia Nacional para o Turismo de Negócios e MICE — Reuniões, Incentivos, Conferências e Exposições — como instrumento destinado a estimular a realização de eventos e a atrair novos visitantes e investimentos.
A província de Inhambane foi igualmente declarada Primeira Zona Especial de Turismo de Golfe de Moçambique, iniciativa que procura criar oportunidades para novos empreendimentos associados a este segmento.
Neste contexto, Vilankulo acolherá, nos dias 7 e 8 de Novembro, a primeira edição do Golf Summit, dedicada à promoção de parcerias e à mobilização de investimentos.
A segunda edição do Mozambique Tourism Summit, realizada nos dias 5 e 6 de Novembro, integra também a 12.ª edição da Feira Internacional de Turismo de Moçambique (FIKANI), reunindo representantes de cadeias hoteleiras, companhias aéreas, operadores turísticos, instituições financeiras e investidores nacionais e internacionais.
A realização destes eventos integra os esforços de posicionamento de Moçambique como destino turístico e plataforma de negócios na África Austral.
Moçambique Acolherá Fórum Global de Turismo em 2027
Na dimensão internacional da estratégia, Daniel Chapo anunciou que Moçambique acolherá, pela primeira vez, em 2027, o Fórum Global de Turismo, numa parceria com a ONU Turismo e o Instituto Global do Turismo.
A iniciativa constitui uma oportunidade de promoção do país junto de operadores internacionais e potenciais investidores, num contexto em que o Governo pretende ampliar a visibilidade dos destinos nacionais e estabelecer novas relações comerciais.
“Moçambique está aberto a parcerias de investimento sérias, duradouras e mutuamente vantajosas”, afirmou o Presidente, reiterando a disponibilidade do país para receber investimentos que contribuam para a formação de profissionais, desenvolvimento de fornecedores locais e criação de oportunidades económicas.
Durante a cerimónia, o Chefe do Estado lançou igualmente a iniciativa dos 7 Tesouros de Moçambique, destinada a valorizar e promover o património natural, histórico e cultural nacional.
Sustentabilidade e Benefícios Comunitários Integram Critérios de Desenvolvimento
A agenda de desenvolvimento turístico apresentada pelo Presidente inclui preocupações com a conservação da biodiversidade, a protecção dos ecossistemas e a participação das comunidades locais nos benefícios económicos dos investimentos.
O Chefe do Estado salientou a necessidade de conciliar o desenvolvimento de novos empreendimentos com a preservação das áreas naturais que sustentam a atractividade turística de Moçambique, particularmente os ecossistemas marinhos e as zonas de conservação.
“Queremos um turismo que cresça sem destruir a natureza que o torna atractivo e sem deixar para trás as comunidades que o acolhem”, declarou.
Daniel Chapo acrescentou que o desempenho dos empreendimentos deverá ser avaliado também pela capacidade de gerar emprego, integrar empresas locais e produzir benefícios para as comunidades.
A formação dos jovens, o empreendedorismo feminino e o desenvolvimento do turismo comunitário e rural foram igualmente identificados como prioridades para alargar a participação económica no sector.
Estas orientações acompanham a aposta governamental na diversificação da economia e no aproveitamento do potencial turístico como fonte de rendimento, emprego e actividade empresarial.
Da Carteira de Projectos à Mobilização Efectiva de Capital
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026














