BCE confirma sua tendência agressiva, aumenta as taxas em 0,75 ponto percentual, afastando, por enquanto, um cenário de recessão

Como que a confirmar o vaticínio dos especialistas, o Banco Central Europeu (BCE) subiu, quinta-feira, as taxas de juro de referência em 75 pontos base, em vez dos 50 pb e 25 pb inicialmente projectados. Assim, a taxa de juros agora, na Zona Euro,  é de 1,25% em relação aos 0,50% anteriores.

Apesar de todas as previsões apontarem nesse sentido, O BCE que refez as projeções com um corte severo, mas não vê, para já,  uma recessão.

“A inflação vai ficar mais alta e por mais tempo. Só depois de 2024 é que deverá baixar para valores inferiores à meta dos 2%. A pressão subiu”. Disse Christine Lagarde, a Presidente do BCE, que adiantou que “só no cenário mais extremo, em que tudo corre mal, é que a economia da Zona Euro entrará em recessão, ou seja, com dois trimestres consecutivos de variação negativa do produto interno bruto (PIB).

Autoridades reconhecem o risco de recessão e prometem medidas contra a inflação

Os governos da Zona Euro estão cientes de que a guerra na Ucrânia aumentou o risco de recessão, mas descartam que a economia esteja inevitavelmente fadada a cair e prometem tomar medidas para conter a inflação e mitigar s seus efeitos sobre famílias e empresas.

“O risco aumentou, mas a recessão não é inevitável”, repetiram o presidente do Eurogrupo, Paschal Donohe, e o comissário de Economia europeu, Paolo Gentiloni, durante a conferência de imprensa desta sexta-feira, após uma reunião em Praga dos ministros da Economia e das Finanças da Zona Euro centrada em como responder à crise decorrente da invasão russa na Ucrânia.

A subida dos preços da energia agravada pela invasão empurrou a inflação na Zona Euro para um recorde de 9,1% em Agosto e obrigou a baixar as previsões de crescimento para os 19 países que fazem parte do grupo, a ponto de o BCE antecipar uma recessão no caso de um corte total do gás russo.

Neste cenário, os ministros concordaram que vão continuar a “intervir para apoiar as famílias e empresas mais vulneráveis” face a um “desafio sem precedentes”.

“Temos de reduzir a inflação. Se não o fizermos, os nossos cidadãos ficarão mais pobres por mais tempo”, advertiu Donohoe.

A receita, no entanto, será diferente da ajuda universal que foi concedida durante a pandemia, quando a economia estava de fato em recessão e o desemprego estava em alta.

As medidas devem ser temporárias e seletivas, e preferencialmente baseadas na transferência de rendimentos e não na intervenção nos preços de mercado, concordam governos e instituições comunitárias, uma combinação difícil de alcançar num momento de crescente pressão social para travar a escalada de preços que se estendeu para todo o cabaz de compras.

“Na nossa opinião, há margem para que as medidas sejam mais limitadas aos lares e empresas mais vulneráveis, e temos recomendado isso, mas reconheço que este princípio não é fácil de implementar quando tantos lares, também com rendimentos médios, e as empresas estão a enfrentar dificuldades”, disse Gentiloni.

Desde o início da guerra que os governos europeus adotaram ajudas públicas ou cortes de impostos para aliviar os bolsos, que atingiram no final de Agosto 0,9% do PIB, um valor que deve continuar a crescer nos próximos meses e representa um fardo para as finanças públicas já deterioradas pela pandemia.

“Temos de encontrar um equilíbrio delicado entre promover o crescimento, controlar a inflação e proteger os mais vulneráveis”, resumiu o vice-presidente económico da Comissão, Valdis Dombrovskis, depois de realizar o mesmo debate à tarde com os ministros de todos os países-membros da União Europeia.

Além disso, os governos têm condições de financiamento mais duras e custos mais altos para empréstimos, “o que reduz a margem de manobra”, e a política fiscal “não deve ir contra os esforços do BCE para reduzir a inflação”, destacou Dombrovskis apenas um dia depois de a instituição presidida por Christine Lagarde elevar as taxas de juros para 1,25%.

“O BCE vai atuar de forma decisiva para que os preços elevados de hoje não se consolidem e vamos afastar-nos da política expansionista ainda em curso, (…) mas o BCE não pode fazer muito para baixar o preço do gás no mercado grossista ou reduzir as conta de energia, esse é o papel dos governos”, disse a francesa após o encontro.

Para além da política fiscal e monetária, os países concordam que a solução para a crise energética deve passar pela intervenção no mercado que os ministros da energia também discutiram esta sexta-feira em Bruxelas, onde começaram a prefigurar-se medidas para dar liquidez às empresas de energia ou limitar os lucros das empresas que produzem energia a baixo custo.

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