Absa Eleva Lucro Em 30% Para 1,09 Mil Milhões De Meticais No Primeiro Semestre

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  • A redução de 90% das perdas esperadas com crédito sustentou a melhoria dos resultados, compensando a queda da margem financeira e das comissões. Os indicadores prudenciais mostram maior rentabilidade e solidez de capital, mas também um ligeiro aumento do crédito em incumprimento, custos mais elevados e redução dos rácios de liquidez.
Questões-Chave:
  • O lucro líquido do Absa Bank Moçambique aumentou 29,6%, de 844,3 milhões para 1,09 mil milhões de meticais;
  • O produto bancário recuou 7,6%, para 4,18 mil milhões de meticais, reflectindo menores resultados nas principais linhas de receitas;
  • A margem financeira diminuiu 8%, para 3,14 mil milhões de meticais;
  • As perdas esperadas com crédito caíram cerca de 90%, de 804,8 milhões para 80,4 milhões de meticais;
  • Os custos operacionais aumentaram 10,5%, para 2,68 mil milhões de meticais;
  • O crédito a clientes cresceu 2,7% face a Dezembro de 2025, para 29,48 mil milhões de meticais;
  • Os depósitos de clientes diminuíram 5,6%, para 72,86 mil milhões de meticais;
  • O rácio de solvabilidade subiu de 16,85% para 17,42%, enquanto o retorno sobre os capitais próprios avançou de 14,29% para 16,82%;
  • O rácio de crédito em incumprimento aumentou ligeiramente, de 3,84% para 4,07%, mas a cobertura do crédito problemático melhorou para 84,74%;

O Absa Bank Moçambique registou um lucro líquido de 1,09 mil milhões de meticais no primeiro semestre de 2026, um aumento de 29,6% relativamente aos 844,3 milhões de meticais apurados em igual período de 2025.

A melhoria do resultado ocorreu apesar da redução das receitas bancárias e do aumento dos custos operacionais. O principal factor de suporte foi a descida expressiva das perdas esperadas com crédito, que passaram de 804,8 milhões para 80,4 milhões de meticais.

As perdas esperadas caíram aproximadamente 90%, libertando 724,4 milhões de meticais comparativamente ao primeiro semestre de 2025. Esta variação foi suficiente para compensar a redução de 344,8 milhões de meticais no produto bancário e o aumento de 255,1 milhões de meticais nos custos operacionais.

O lucro antes de impostos cresceu 9,7%, para 1,41 mil milhões de meticais. A redução dos encargos fiscais também contribuiu para a expansão do resultado líquido, com o imposto sobre o rendimento a diminuir de 445,8 milhões para 320,4 milhões de meticais.

Os números mostram que o crescimento do lucro não resultou de uma expansão das receitas centrais do negócio bancário. Resultou, sobretudo, da normalização do custo do risco e da menor carga fiscal.

Produto Bancário Recua 7,6%

O produto bancário do Absa diminuiu 7,6%, de 4,52 mil milhões para 4,18 mil milhões de meticais.

A margem financeira, principal componente das receitas, recuou 8%, para 3,14 mil milhões de meticais. Os juros e rendimentos similares diminuíram 14,2%, de 4,91 mil milhões para 4,21 mil milhões de meticais.

A queda foi parcialmente compensada pela redução dos juros e custos similares, que passaram de 1,49 mil milhões para 1,07 mil milhões de meticais, uma diminuição de 28,4%.

A redução mais acentuada do custo do financiamento ajudou a preservar parte da margem, mas não foi suficiente para evitar a contracção do rendimento líquido de juros.

O rácio da margem financeira fixou-se em 9,56%, praticamente estável face aos 9,63% registados em Junho de 2025. Esta evolução indica que a diminuição do valor absoluto da margem ocorreu num contexto em que a rentabilidade relativa dos activos geradores de juros permaneceu próxima do nível homólogo.

Comissões E Operações Financeiras Também Diminuem

O rendimento líquido de serviços e comissões recuou 3,7%, de 528,5 milhões para 509 milhões de meticais.

Os rendimentos brutos de comissões diminuíram para 652,7 milhões de meticais, enquanto os respectivos custos subiram para 143,7 milhões de meticais.

Os resultados em operações financeiras, que incluem o desempenho das operações cambiais, caíram 9,5%, de 576,6 milhões para 521,6 milhões de meticais.

A diminuição simultânea da margem financeira, das comissões líquidas e dos resultados em operações financeiras revela uma redução generalizada das receitas bancárias no semestre.

Este comportamento coloca maior importância sobre a capacidade do banco de recuperar volumes de negócio, aprofundar receitas de serviços e conter o crescimento dos custos, para que a rentabilidade futura não fique excessivamente dependente da manutenção de um baixo nível de perdas de crédito.

Custo Do Risco Sustenta Resultado

As perdas esperadas com crédito constituíram a principal alteração positiva nas demonstrações financeiras do período.

O encargo de 80,4 milhões de meticais representa apenas cerca de um décimo dos 804,8 milhões registados no primeiro semestre de 2025. A redução permitiu que o rendimento operacional líquido aumentasse 10,2%, para 4,1 mil milhões de meticais, mesmo com a queda do produto bancário.

A melhoria pode estar associada a menores necessidades de constituição de imparidades, recuperação de exposições anteriormente provisionadas ou alterações na composição e avaliação do risco da carteira.

Os indicadores prudenciais apresentam, porém, uma leitura diferenciada sobre a qualidade dos activos. O rácio de crédito vencido até 90 dias diminuiu de 3,39% para 2,24%, mostrando uma redução das exposições em atraso recente.

Em sentido contrário, o rácio de crédito em incumprimento aumentou ligeiramente de 3,84% para 4,07%, uma variação de 0,23 pontos percentuais.

A cobertura do crédito em incumprimento melhorou de 80,12% para 84,74%. Este aumento significa que o banco possui provisões equivalentes a uma proporção maior da carteira classificada como problemática, oferecendo uma protecção superior contra eventuais perdas.

A forte descida do encargo com imparidades deve, por isso, ser analisada juntamente com o ligeiro aumento do NPL. A melhoria da cobertura reduz o risco, mas a evolução da carteira em incumprimento continuará a exigir acompanhamento.

Custos Operacionais Aumentam 10,5%

Os custos operacionais subiram de 2,43 mil milhões para 2,68 mil milhões de meticais, uma expansão de 10,5%.

Os custos com pessoal diminuíram ligeiramente, em 0,8%, para 1,12 mil milhões de meticais. A pressão resultou sobretudo das restantes categorias de despesas.

Os custos com infra-estruturas aumentaram 29%, de 445,3 milhões para 574,5 milhões de meticais. Os gastos gerais e administrativos cresceram 15,9%, para 985,7 milhões de meticais.

O rácio de custo de funcionamento subiu de 49,22% em Junho de 2025 para 57,43% em Junho de 2026. O custo de estrutura aumentou de 53,70% para 64,23%.

A deterioração destes indicadores reflecte a combinação entre custos mais elevados e menor produto bancário. Para cada unidade de receita gerada, o banco passou a consumir uma proporção maior em despesas operacionais.

A melhoria do lucro, neste contexto, não correspondeu a uma melhoria da eficiência operacional. O resultado beneficiou principalmente da redução das perdas de crédito, enquanto a relação entre receitas e custos se tornou menos favorável.

Crédito Cresce E Depósitos Diminuem

Os empréstimos e adiantamentos a clientes atingiram 29,48 mil milhões de meticais no final de Junho, um crescimento de 2,7% comparativamente aos 28,69 mil milhões registados em Dezembro de 2025.

Embora a comparação abranja apenas seis meses, a expansão sinaliza maior colocação líquida de crédito na economia num ambiente ainda caracterizado por limitações de financiamento, riscos fiscais e incerteza sobre a actividade empresarial.

Os recursos de clientes seguiram a direcção contrária, diminuindo 5,6%, de 77,21 mil milhões para 72,86 mil milhões de meticais.

Com o crédito a aumentar e os depósitos a diminuir, o rácio de transformação avançou de 35,38% em Junho de 2025 para 41,30% em Junho de 2026.

Este rácio mede a proporção dos recursos captados junto dos clientes que é convertida em crédito. A subida indica uma utilização mais intensa da base de depósitos no financiamento da carteira.

Apesar do aumento, o nível continua a mostrar que o banco mantém uma parcela considerável dos recursos em disponibilidades, instrumentos financeiros e aplicações junto de outras instituições.

Activos Recuam Para 97,34 Mil Milhões De Meticais

Os activos totais do Absa diminuíram 3,3% entre Dezembro de 2025 e Junho de 2026, passando de 100,7 mil milhões para 97,34 mil milhões de meticais.

A redução foi influenciada pela queda de 22,3% nas disponibilidades no Banco Central, de 45,23 mil milhões para 35,15 mil milhões de meticais.

Em contrapartida, os empréstimos e adiantamentos a bancos aumentaram 75,3%, de 7,74 mil milhões para 13,57 mil milhões de meticais. Os activos financeiros avaliados ao justo valor através de outro rendimento integral cresceram 2,2%, para 13,68 mil milhões de meticais.

Estas alterações revelam uma recomposição da liquidez entre disponibilidades no Banco Central, aplicações interbancárias, títulos financeiros e crédito a clientes.

O rácio de activos líquidos diminuiu de 43,49% para 36,33%, enquanto o rácio de cobertura de liquidez de curto prazo recuou de 53,49% para 46,92%.

A redução destes indicadores acompanha a diminuição das disponibilidades e dos depósitos de clientes. Embora o balanço continue a apresentar uma posição líquida relevante, a evolução mostra que a margem de liquidez se tornou inferior à observada um ano antes.

Capital Próprio Cresce 8,4%

O capital próprio aumentou 8,4% face a Dezembro de 2025, de 12,42 mil milhões para 13,46 mil milhões de meticais.

A expansão foi sustentada pela incorporação de resultados, com os resultados acumulados a crescerem de 2,91 mil milhões para 3,79 mil milhões de meticais.

O rácio de solvabilidade subiu de 16,85% para 17,42%, enquanto o rácio de capital Tier 1 avançou de 17,06% para 17,62%. O rácio de alavancagem aumentou de 12,66% para 13,83%.

A melhoria destes três indicadores demonstra um reforço da capacidade de absorção de perdas e da base de capital relativamente aos riscos assumidos.

A rentabilidade também evoluiu favoravelmente. O retorno sobre os activos aumentou de 1,78% para 2,16%, enquanto o retorno sobre os capitais próprios passou de 14,29% para 16,82%.

O ROE de 16,82% indica que o Absa gerou um retorno superior sobre os recursos investidos pelos accionistas, apesar da deterioração dos indicadores de custos. Esta melhoria foi proporcionada pelo lucro mais elevado e não por uma expansão do balanço, que terminou o semestre abaixo do nível de Dezembro.

Rentabilidade Melhora Com Pressão Sobre Receitas

O desempenho do Absa no primeiro semestre apresenta três tendências distintas.

A primeira é a melhoria da rentabilidade e do capital: o lucro aumentou, o ROA e o ROE subiram e os rácios de solvabilidade, Tier 1 e alavancagem foram reforçados.

A segunda é a redução do custo do risco, que constituiu o principal motor da expansão do resultado. As perdas esperadas com crédito caíram em mais de 724 milhões de meticais e a cobertura do NPL aumentou.

A terceira é a pressão sobre a operação corrente: o produto bancário diminuiu, os custos aumentaram e os rácios de funcionamento e estrutura se deterioraram. Os indicadores de liquidez também recuaram e o crédito em incumprimento registou uma subida moderada.

A qualidade do desempenho nos próximos períodos será determinada pela capacidade do banco de combinar o controlo do risco com a recuperação da margem financeira, das comissões e das receitas operacionais, evitando que o crescimento dos custos absorva os ganhos obtidos através da redução das imparidades.

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