Petróleo Caminha Para Segunda Subida Semanal Com Brent Acima De US$93

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  • O impasse na guerra entre os Estados Unidos e o Irão mantém restringidos os fluxos de petróleo do Médio Oriente e eleva o risco sobre o Estreito de Ormuz. Brent e WTI recuaram ligeiramente esta sexta-feira, depois de cinco sessões consecutivas de ganhos, mas acumulam valorizações superiores a 7% e 8%, respectivamente.
Questões-Chave:
  • O Brent negociava próximo de 93,55 dólares por barril e o WTI em torno de 86,50 dólares;
  • Durante as cinco sessões anteriores, o Brent acumulou ganhos superiores a 7% e o WTI avançou mais de 8%;
  • Os dois referenciais atingiram os níveis mais elevados desde 24 de Julho e encaminham-se para a segunda valorização semanal consecutiva;
  • O fim do acordo temporário entre Washington e Teerão, sem retoma das negociações, aumentou as expectativas de perturbações prolongadas;
  • Apenas sete navios mercantes atravessaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira, metade do número registado no dia anterior;
  • O bloqueio norte-americano ao Irão, as restrições iranianas em Ormuz e a intervenção dos Houthis no Mar Vermelho afectam simultaneamente as rotas energéticas;
  • Os inventários comerciais de crude nos Estados Unidos aumentaram 4,4 milhões de barris, oferecendo algum contrapeso às pressões geopolíticas;
  • A manutenção dos preços acima de 90 dólares poderá elevar os custos de importação, transporte e produção em economias dependentes de combustíveis, incluindo Moçambique;

Os preços do petróleo recuaram ligeiramente esta sexta-feira, depois de cinco sessões consecutivas de valorização, mas encaminham-se para o segundo ganho semanal seguido, sustentados pelas perturbações no fornecimento do Médio Oriente e pela ausência de progressos para terminar a guerra entre os Estados Unidos e o Irão.

Os futuros do Brent diminuíam 0,3%, para 93,55 dólares por barril, depois de terem avançado 2,4% na sessão anterior. O West Texas Intermediate, referência norte-americana, recuava 0,4%, para 86,50 dólares, após uma subida de 2,3% na quinta-feira.

Apesar da correcção diária, o Brent acumulou um ganho superior a 7% nas cinco sessões anteriores, enquanto o WTI valorizou mais de 8%. Ambos atingiram os níveis mais elevados desde 24 de Julho.

O movimento reflecte a percepção de que as restrições à produção e às exportações do Golfo poderão prolongar-se, depois de ter terminado o anterior entendimento temporário entre Washington e Teerão sem que as partes tenham iniciado um novo processo negocial.

“A ambas as partes falta o luxo do tempo para manterem o impasse, num cenário em que os preços do crude continuam a subir”, afirmou Tony Sycamore, analista da IG, citado pela Reuters.

Impasse Prolonga Restrições À Oferta

A guerra começou a 28 de Fevereiro, com ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, e provocou perturbações numa região responsável por uma parcela substancial da produção e das exportações mundiais de petróleo.

A Arábia Saudita, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait possuem grande parte da sua capacidade exportadora dependente das rotas do Golfo. Mesmo quando a produção permanece disponível, as limitações ao transporte impedem que todo o petróleo chegue aos compradores.

Os sucessivos entendimentos entre os Estados Unidos e o Irão não produziram uma reabertura estável do Estreito de Ormuz. O mais recente acordo expirou esta semana, sem sinais de renovação.

A ausência de negociações mantém as companhias de navegação, seguradoras, comerciantes e refinarias expostas a elevados riscos operacionais. O custo não se limita aos volumes que deixam de ser exportados. Inclui também prémios de seguro, fretes, desvios de rota, atrasos e necessidade de manter inventários superiores.

A BMI, unidade da Fitch Solutions, anunciou que irá rever a sua previsão para o Brent, considerando que os riscos para os preços se encontram orientados para uma trajectória mais elevada.

Segundo a consultora, as exportações estão sujeitas a perturbações simultâneas no Estreito de Ormuz, devido às restrições iranianas e ao bloqueio naval norte-americano, e no Mar Vermelho, devido à intervenção dos Houthis.

Tráfego Em Ormuz Volta A Diminuir

Dados da Kpler mostram que apenas sete navios mercantes atravessaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira, metade do total registado no dia anterior.

Antes da guerra, a passagem marítima assegurava aproximadamente um quinto do consumo mundial de petróleo. Também constitui uma rota fundamental para as exportações de gás natural liquefeito do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos.

A redução no movimento diário de navios oferece uma indicação directa das limitações impostas à circulação de energia. Embora existam oleodutos que permitem a alguns produtores contornar parcialmente Ormuz, a capacidade alternativa é insuficiente para substituir todo o volume anteriormente transportado pela passagem.

A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos estima que as interrupções de produção no Médio Oriente tenham alcançado uma média de 5,5 milhões de barris por dia em Julho.

A instituição considera que os fluxos através de Ormuz deverão permanecer severamente condicionados durante Agosto e recuperar apenas de forma gradual a partir de Setembro.

Esta trajectória significa que os inventários globais poderão continuar a diminuir, mesmo perante aumentos da produção noutros países.

Sanções Aumentam A Pressão Sobre Teerão

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou uma estratégia de “guerra económica e isolamento numa escala sem precedentes” contra o Irão, ameaçando penalizar qualquer país, instituição financeira, empresa, aeroporto ou entidade governamental que ofereça apoio a Teerão.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos irão aplicar “as sanções mais duras da história”, combinando restrições financeiras com o bloqueio naval.

A estratégia poderá atingir compradores de petróleo iraniano, transportadores, seguradoras, bancos, refinarias e empresas que facilitem pagamentos ou forneçam bens ao país.

A China constitui o principal destinatário do petróleo iraniano transportado por via marítima. Uma aplicação rigorosa das sanções secundárias poderá reduzir as exportações de Teerão, mas também elevar as tensões comerciais entre Washington e Pequim.

Os Emirados Árabes Unidos suspenderam esta semana todas as transacções financeiras e económicas com o Irão, demonstrando o agravamento das relações entre Teerão e um dos principais produtores de petróleo do Golfo.

Para os mercados, as sanções criam um risco adicional: a possibilidade de retirarem mais barris da oferta ao mesmo tempo que persistem as dificuldades de circulação dos produtores vizinhos.

Inventários Norte-Americanos Oferecem Contrapeso

Os fundamentos do mercado norte-americano apresentaram sinais mistos.

Segundo a Administração de Informação de Energia, os inventários comerciais de crude dos Estados Unidos aumentaram 4,4 milhões de barris na semana terminada a 14 de Agosto, alcançando 428,8 milhões de barris.

O volume encontra-se próximo da média dos últimos cinco anos para esta época. O aumento das existências oferece alguma protecção contra as perturbações externas e limita uma subida ainda mais rápida dos preços.

As importações norte-americanas de crude diminuíram em 746 mil barris por dia, para uma média de 6,6 milhões de barris diários.

As refinarias processaram 17,4 milhões de barris por dia, mais 215 mil barris do que na semana anterior, e utilizaram 97,2% da capacidade disponível.

A elevada taxa de utilização reflecte uma procura intensa por crude nas refinarias e aumenta a produção de combustíveis. Os inventários de gasolina subiram 700 mil barris, mas permaneceram 5% abaixo da média dos últimos cinco anos.

A combinação entre inventários de crude mais elevados e existências de gasolina relativamente reduzidas mostra que o mercado continua ajustado, apesar do aumento semanal dos stocks.

OPEP+ Aumenta Produção Com Efeito Limitado

A OPEP+ aprovou para Setembro um aumento de produção de aproximadamente 188 mil barris por dia.

Em condições normais, a expansão da oferta ajudaria a limitar os preços. O efeito actual é menor porque uma parte relevante da produção adicional se encontra no próprio Médio Oriente e continua dependente das rotas afectadas pelo conflito.

A disponibilidade física do petróleo não garante a sua colocação no mercado quando existem restrições à navegação, custos elevados de seguro e riscos de ataques.

A capacidade ociosa da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e de outros produtores permanece importante para estabilizar o mercado. Contudo, a utilização dessa capacidade produz resultados limitados se os fluxos de exportação não forem normalizados.

Os preços continuam, por isso, mais sensíveis à evolução diplomática e à segurança marítima do que aos ajustamentos moderados nas quotas de produção.

Petróleo Acima De US$90 Renova Pressões Inflacionistas

A manutenção do Brent acima de 90 dólares por barril aumenta os custos de energia para empresas e consumidores.

O petróleo influencia directamente os preços da gasolina, gasóleo, combustível de aviação, transporte marítimo e matérias-primas petroquímicas. O efeito acaba por se estender à agricultura, indústria, logística e distribuição alimentar.

Para os bancos centrais, um choque prolongado de energia dificulta o controlo da inflação. A subida dos combustíveis pode atrasar reduções das taxas de juro ou, em cenários mais adversos, exigir uma política monetária mais restritiva.

O impacto também afecta as finanças públicas dos países que subsidiam combustíveis ou procuram limitar a transmissão dos preços internacionais aos consumidores.

Nos países importadores, a factura energética aumenta a procura por divisas e pode deteriorar a balança comercial.

Moçambique Exposto Aos Custos De Importação

Moçambique importa a maior parte dos combustíveis líquidos consumidos no mercado nacional. A subida do preço internacional do petróleo representa, por isso, um risco para os custos de importação e para a disponibilidade de divisas.

O impacto interno não ocorre necessariamente de forma imediata, devido aos ciclos de aquisição, às estruturas de formação de preços e aos mecanismos de compensação existentes. Uma permanência prolongada do Brent acima de 90 dólares aumenta, porém, a diferença entre o custo real de importação e os preços praticados no mercado.

Quando essa diferença se acumula, pode gerar pressões financeiras sobre distribuidores, bancos financiadores e Estado.

O aumento dos combustíveis também se transmite aos custos do transporte rodoviário, produção agrícola, pesca, indústria, construção e distribuição de mercadorias. As empresas podem absorver parte da subida através das suas margens ou transferi-la para os consumidores.

A evolução do petróleo torna-se igualmente relevante para a inflação e para a política monetária, num período em que a economia moçambicana continua a enfrentar limitações no acesso a moeda externa.

Mercado Continua Orientado Por Ormuz

A pequena descida registada esta sexta-feira representa uma correcção depois de cinco sessões de ganhos, e não uma alteração dos principais factores que sustentaram a valorização semanal.

A direcção do mercado permanece ligada à possibilidade de retoma das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, ao ritmo de circulação no Estreito de Ormuz e à aplicação das novas sanções norte-americanas.

Uma reabertura progressiva da passagem e o restabelecimento das exportações poderão reduzir o prémio geopolítico. A continuação do bloqueio, novas operações militares ou sanções mais abrangentes poderão manter o Brent acima dos níveis actuais e levar as instituições a reverem as previsões para o restante ano.

O petróleo termina a semana entre dois movimentos: os inventários norte-americanos e o aumento da produção da OPEP+ oferecem algum alívio, enquanto Ormuz, o bloqueio naval e o impasse político mantêm uma parte importante da oferta mundial afastada do mercado.

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