
Banco de Moçambique Aponta Caminhos Para Consolidar Estabilidade e Crescimento Sustentado na Região Austral
Destaques
- Crescimento económico regional recua de 5,4% em 2023 para 1,9% em 2024, influenciado por choques internos
- Banco de Moçambique estima recuperação moderada a médio prazo com base em projectos de mineração, energia e logística
- Desaceleração económica, tensões pós-eleitorais e vulnerabilidades estruturais marcaram o debate em Maputo; foco recai agora sobre reformas e retoma gradual de projectos estratégicos
- SADC apela a mais cooperação internacional e reforma das políticas fiscais e monetárias
A capital moçambicana acolheu a Reunião do Comité de Governadores dos Bancos Centrais da SADC, num momento marcado por instabilidade económica, desafios estruturais e incerteza global. O Banco de Moçambique defendeu uma estratégia concertada de consolidação da estabilidade macroeconómica e projecção de crescimento sustentado, com foco na retoma de investimentos estratégicos.
O encontro, que decorreu no contexto das celebrações dos 50 anos do Banco de Moçambique e dos 45 anos do metical, contou com a presença de altos responsáveis regionais e do Fundo Monetário Internacional. Sob o tema “Credibilidade dos Bancos Centrais e Política Monetária”, o simpósio sublinhou a urgência de respostas estruturais para a fragilidade económica persistente na África Austral.
Segundo o Presidente do Conselho de Governadores da SADC, Lesetja Kganyago, a região enfrenta sérios constrangimentos ao crescimento, incluindo défices de infra-estrutura, instituições frágeis e elevados custos de capital. Para o responsável, apenas uma cooperação internacional reforçada poderá atenuar os efeitos negativos da geopolítica global, das guerras comerciais e das novas barreiras ao desenvolvimento.
As preocupações regionais convergem com as projecções do FMI, que reviu em baixa o crescimento económico global, estimando uma redução de 3,3% em 2024 para 2,8% em 2025. Para a África Subsaariana, a organização destaca riscos relacionados com o aumento da dívida pública, acesso limitado ao financiamento e lentidão na diversificação económica.
O Caso Moçambicano
O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, destacou que o crescimento do país caiu drasticamente de 5,4% em 2023 para 1,9% em 2024, resultado directo das tensões pós-eleitorais que provocaram paralisações em sectores-chave da economia. “No último trimestre de 2024, o PIB real caiu quase 5%, 4,9% para ser mais preciso”, revelou.
Apesar do abrandamento, Zandamela sublinhou que a estabilidade de preços foi assegurada, com a inflação a cair para 3,2% em 2024, face aos 7% registados no ano anterior. Este desempenho foi sustentado por uma postura monetária prudente, estabilidade cambial e a redução dos preços internacionais de alimentos e combustíveis.
Em termos de política monetária, o Banco de Moçambique aponta para um ciclo de flexibilização que, a par da retoma de projectos estruturantes nos sectores de mineração, energia e logística (com destaque para o gás), deverá permitir um crescimento moderado no médio prazo.
Perspectiva Regional e Desafios
Moçambique reafirma o compromisso com as metas de convergência macroeconómica da SADC, mas reconhece a necessidade de ultrapassar entraves estruturais como a baixa diversificação da economia, a forte dependência do sector público e o défice crónico de infra-estruturas.
“A nossa posição de reservas está muito acima de cinco meses em termos de cobertura de importações neste momento”, garantiu Zandamela, reforçando que, apesar dos desafios, o país continua a apresentar sinais de resiliência nas suas contas externas.
O encontro da SADC concluiu com o apelo à credibilização das políticas monetárias na região e ao fortalecimento institucional dos bancos centrais como pilares fundamentais para enfrentar os choques externos e promover um crescimento inclusivo e sustentável.
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