Cada vez mais agentes económicos interessados nos mecanismos alternativos de financiamento empresarial

_Ainda que a um ritmo relativamente lento, considerando as crescentes necessidades de financiamento das MPME, o mercado de capitais já começa a mostrar a sua relevância, emergindo como uma alternativa viável e cada vez mais considerada nas decisões de alocação e mobilização de recursos financeiros dos agentes económicos.
A tendência mais recente aponta mesmo para emergência de um movimento “pró-bolsa”, com agentes económicos cada vez mais preocupados em obter informação e fazer uso dos instrumentos alternativos de financiamento disponibilizados ao nível do mercado de capitais.
O mercado encontra-se ainda em fase embrionária, na dimensão da economia do próprio país, entretanto, já começa a “mostrar a sua existência”, um resultado, entre outros, dos esforços visando “socializar” a participação da bolsa e o entendimento geral sobre a instituição e o seu papel na prestação de mecanismos alternativos de financiamento.
Esta tendência é particularmente evidente quando considerada a crescente aderência ao serviço de apoio aos investidores da BVM, um departamento específico criado dentro da instituição visando dinamizar sua socialização na economia.
“Com base na procura actual por esses produtos, nos percebemos que a educação financeira está a surtir resultados. Até nas próprias empresas. Hoje já temos um número crescente de investidores corporativos como resultado das campanhas de sensibilização que a bolsa tem feito”, destacou Amorim Pery, Director de Operações da BVM.
Embora assista-se, efectivamente, a uma maior procura por informação e crescente interesse dos investidores, a natureza das preocupações apresentadas, amiúde sobre assuntos considerados “básicos”, mesmo por investidores institucionais, parece reflectir a prevalência de um “Gap de conhecimento” importante por suprir.
“A sede de conhecimento pela bolsa é muita e em diferentes níveis. Há uns que já tem o conhecimento profundo, mas sentimos que há sectores que deviam ter algum domínio e que precisam deste serviço para se financiar”, explicou, para depois acrescentar: “É por essa razão que ao nível da própria instituição, há um departamento específico cuja atribuição é mesmo velar por essas necessidades, por essa lacuna de conhecimento, domínio e percepção de como actuar neste mercado”.
Trata-se de uma realidade que, na perspectiva da BVM, só reforça a necessidade de intensificação dos trabalhos de educação financeira. Fundamentalmente, acções integradas envolvendo a formação de parcerias com os diversos actores relevantes objectivando incrementar os níveis de literacia financeira em geral, e sobre a importância do mercado de capitais em particular.
Para o efeito, além dos “serviços internos” de apoio ao investidor, a instituição tem apostado na formação de parcerias com diversos organismos do sector privado visando dotar os investidores de informação necessária para o uso do mecanismo alternativo de financiamento: “O que nós queremos é que uma empresa não vá às cegas a um intermediário financeiro ir pedir admissão cotação. Resultado do trabalho que temos feito, há vários memorandos que foram assinados [com diversos parceiros] para tornar esta interacção mais efectiva”.
Contando com pouco mais de uma dezena de empresas e aproximadamente duas centenas de títulos cotados, embora tenha experimentado uma evolução importante no período mais recente, sobretudo com a Oferta Pública de Venda da HCB, a bolsa continua a apresentar uma enorme margem inexplorada de crescimento. Com efeito, a capitalização bolsista, principal indicador que traduz o valor de mercado dos títulos cotados, cerca de 129 mil milhões de Meticais, ainda está abaixo de 20% do PIB.
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