
Comboio Humanitário dos CFM Alivia Isolamento de Magude Após Semanas de Cheias
Operação especial ferroviária restabelece mobilidade, abastecimento e apoio humanitário num distrito severamente afectado pelos cortes da EN1.
Questões-Chave:
- Comboio especial dos CFM chega a Magude após cerca de 15 dias de isolamento rodoviário;
- Mais de 700 passageiros e bens essenciais transportados numa operação de emergência;
- Cheias e transbordo do rio Incomáti interromperam ligações na EN1 e agravaram crise social e económica local;
- Linha férrea assume papel estratégico na resposta humanitária e na coesão territorial.
Um comboio especial dos Caminhos de Ferro de Moçambique chegou esta terça-feira ao distrito de Magude, na província de Maputo, transportando passageiros e bens de primeira necessidade, numa operação humanitária que aliviou o sofrimento das populações após semanas de isolamento provocado pelas cheias.
Cortes na EN1 Deixaram Magude Praticamente Isolado
Durante cerca de duas semanas, várias secções da Estrada Nacional Número Um (EN1) estiveram intransitáveis no sul do país, na sequência das chuvas intensas e das descargas das barragens, que provocaram o transbordo do rio Incomáti. A interrupção da via rodoviária deixou Magude sem ligação regular ao resto do país, comprometendo a mobilidade, o abastecimento de produtos essenciais e o funcionamento de serviços sociais básicos.
O isolamento agravou a situação humanitária no distrito, com impactos directos no comércio local, na saúde e na segurança alimentar das comunidades.
Comboio de Emergência Transporta Passageiros e Bens Essenciais
Face à gravidade da situação, partiu da Estação Central dos CFM, em Maputo, um comboio de emergência que chegou a Magude no início da tarde. A composição transportou mais de 700 passageiros que se encontravam retidos na capital, impedidos de regressar às suas zonas de residência devido aos cortes da EN1.
Para além dos passageiros, o comboio levou produtos alimentares e outros bens de primeira necessidade, destinados ao reabastecimento dos mercados locais, contribuindo para aliviar a pressão sobre o consumo e a economia do distrito.
Autoridades Destacam Impacto Social e Logístico da Operação
À chegada do comboio, a administradora do distrito de Magude, Mariana Cupane, sublinhou a importância da operação num contexto de emergência.
Segundo a governante, o comboio representa “um alívio para Magude, que esteve cerca de 15 dias desligado do resto do país”, acrescentando que a retoma da ligação ferroviária devolveu às populações a sensação de normalidade após as cheias.
Cupane destacou ainda que Magude passou a assumir um papel crucial como elo ferroviário entre Maputo e as províncias de Gaza e Inhambane, igualmente afectadas pelos cortes da EN1.
Cheias Agravam Impactos no Sector Social e Económico
Para além do isolamento rodoviário, o distrito ficou sete dias sem fornecimento de energia eléctrica, devido à destruição de postes pelas cheias. A situação agravou os prejuízos nos sectores social e económico, incluindo perdas no sector da saúde, com a deterioração de vacinas, e a rotura de stocks no comércio local.
Os impactos acumulados evidenciam a vulnerabilidade das economias locais a choques climáticos, com efeitos directos sobre rendimento, emprego informal e acesso a serviços essenciais.
Testemunhos Reflectem Alívio das Populações
Vários passageiros manifestaram satisfação pela chegada do comboio humanitário. Entre eles, Alexina Benzane, residente em Magude, que esteve retida em Maputo durante duas semanas, acolhida num centro de acomodação, enquanto aguardava uma solução para regressar a casa.
Também António Matope, trabalhador residente na Matola, explicou que não conseguia regressar ao seu posto de trabalho em Magude devido aos cortes da EN1, sublinhando a importância da operação para a retoma da actividade económica local.
Infra-estrutura Ferroviária Reafirma Papel Estratégico em Situações de Crise
No balanço da operação, a chefe dos serviços de passageiros dos CFM, Sónia Langa, garantiu que a circulação decorreu de forma tranquila, assegurando tanto o transporte de passageiros como de carga diversa.
Para o O.Económico, o episódio evidencia o papel estratégico da ferrovia como alternativa logística em situações de emergência, reforçando a importância do investimento contínuo em infra-estruturas resilientes para garantir mobilidade, abastecimento e coesão territorial num contexto de crescente exposição a eventos climáticos extremos.
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