Controlo da inflação: BIS insta bancos centrais a “fazer o trabalho”

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Os bancos centrais precisam de “fazer o trabalho” que lhes compete no que concerne ao retorno do controlo da inflação. Esta é a exortação do  Banco de Compensações Internacionais, que  insta os bancos centrais a tudo fazer para evitar os erros dos anos 70, “declarando a vitória demasiado cedo”, em  referência a luta que actualmente se trava contra a inflação.

O BIS, apelidado de banco para bancos centrais, disse que era vital que as autoridades não repetissem os ciclos de stop-start dos anos 70, quando as taxas de juro tiveram de subir para níveis dolorosamente elevados após as tentativas de as baixar, o que resultou num aumento da inflação.

“Os bancos centrais têm sido muito, muito claro que nesta fase o aspecto mais importante é fazer o trabalho”, disse o chefe do Departamento Monetário e Económico do BIS, Claudio Borio.

“Uma atitude cautelosa destinada a garantir que não se está a declarar a vitória demasiado cedo é a atitude apropriada”. Afirmou Cláudio Borio.

Os custos globais do empréstimo aumentaram ao ritmo mais rápido em décadas ao longo do último ano, uma vez que a Reserva Federal elevou as taxas dos EUA de 450 pontos de base, o Banco Central Europeu subiu as da zona euro em 300 bps e outras partes da Europa e muitas economias em desenvolvimento fizeram ainda mais.

Há preocupações, no entanto, que embora a inflação em muitas economias principais esteja a começar a descer, permanecerá teimosamente elevada devido à volatilidade dos preços da energia e dos alimentos, à medida que a economia chinesa reabrir e os trabalhadores exigirem salários mais elevados.

Os dados de sexta-feira mostraram que os gastos dos consumidores americanos registram, em Janeiro,  um aumento acentuado, em quase dois anos, no meio de um aumento dos ganhos salariais, acrescentando à opinião dos economistas que a Reserva Federal continuará a aumentar as suas taxas bem acima dos 5% este ano.

Também na Europa, espera-se que o BCE prolongue o que já é a sua mais acentuada série de aumentos de taxas no próximo mês, com mais 50 pontos de base que levariam a sua taxa chave a 3%.

“O que não se quer fazer a todo o custo é repetir as políticas de stop-go dos anos 70 quando se está a inverter (taxas) e depois percebe-se que o trabalho ainda não foi feito”, disse Borio. “Então tem de andar para trás e para a frente”.

O relatório do BIS também incluiu pesquisas que mostram que os aumentos das taxas são mais susceptíveis de causar stress no sistema financeiro quando os níveis da dívida privada são elevados, embora as “políticas prudenciais” mais duras possam reduzir o risco e dar aos bancos centrais mais margem de manobra.

Outra secção analisa como os preços mais elevados das mercadorias e a taxa de câmbio do dólar americano afectam significativamente o risco de estagflação – crescimento fraco e inflação elevada – especialmente nas economias de mercado em desenvolvimento.

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