
Coral Norte e o novo patamar da soberania energética: mais gás doméstico, mais Estado, mais visão – Simone Santi
- Simone Santi elogia decisão estratégica do Governo e da ENI, destacando que o plano garante benefícios substancialmente superiores aos do Coral Sul e afirma Moçambique como destino competitivo para megaprojectos
O decreto que aprova o Plano de Desenvolvimento do Coral Norte representa, segundo Simone Santi, “um reforço claro da soberania energética de Moçambique”, com medidas como gás doméstico reservado, maior valorização da ENH e cláusulas que institucionalizam o envolvimento de operadores nacionais.
Destaque
- 10% da produção garantida para consumo interno;
- ENH terá 100% do condensado, contra 50% no Coral Sul;
- CFM Logistics e Emodraga priorizadas por decreto;
- Projecto traz ganhos fiscais de 23 mil milhões de dólares para o Estado;
- Coral Norte resulta de negociação “mais madura e ambiciosa”.
A aprovação do Plano de Desenvolvimento do projecto Coral Norte é, para Simone Santi, Presidente da EuroCam e do Pelouro dos Recursos Minerais e Energia da CTA, uma viragem estratégica na forma como Moçambique estrutura os seus grandes projectos energéticos.
Segundo Santi, “o Coral Norte traz benefícios significativamente superiores ao Coral Sul. O mais simbólico e estrutural é a introdução do gás doméstico — que não estava no Coral Sul — e que agora é garantido por decreto, começando em 10% da produção e podendo ir até 25%.”
A destinação de gás ao mercado interno é vista como passo essencial para o desenvolvimento industrial de base: “Significa que Moçambique poderá, finalmente, começar a criar cadeias transformadoras a partir do seu próprio recurso. É o início possível da indústria de fertilizantes, ureia, geração eléctrica e metanol.”
Outro ponto de destaque é o papel atribuído à ENH. “No Coral Sul, a ENH tinha direito a 50% do condensado; agora passa a deter 100%. Isso representa mais capacidade de geração de receitas, mais autonomia financeira e mais força no mercado”, explica o empresário.
O decreto reconhece ainda a presença de operadores nacionais como a CFM Logistics e a Emodraga, integrando-os formalmente como prestadores elegíveis, o que, segundo Santi, “demonstra um amadurecimento na articulação entre Estado, operador e conteúdo local”.
Santi também valoriza o equilíbrio alcançado entre ambição nacional e viabilidade financeira: “Foi uma negociação difícil, mas muito bem conduzida. Ir além do que foi acordado podia comprometer o financiamento internacional. Assim, garantimos um plano robusto, realista e benéfico.”
Por fim, destaca que os ganhos fiscais estimados — 23 mil milhões de dólares para o Estado ao longo do ciclo de vida do projecto — são baseados em “tecnologia já comprovada, volumes realistas e acordos fiscais consolidados. É um número credível, não uma promessa no papel.”
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