
FMI marca reuniões da primavera com o Banco Mundial – Georgieva defende equilíbrio entre estabilidade macroeconómica e apoio a países vulneráveis ao clima
- FMI promete continuar a ajudar economias em risco climático, apesar das pressões da Administração Trump para voltar ao foco exclusivo em estabilidade e crescimento
A Directora-Geral do FMI, Kristalina Georgieva, garantiu que a instituição manterá o foco na prevenção de crises de balanço de pagamentos, mas sem abandonar os programas que apoiam países expostos a riscos climáticos. A afirmação surge numa altura em que os EUA, sob liderança da Administração Trump, pressionam o Fundo a voltar à sua missão “clássica” e a reduzir o envolvimento em agendas como clima, género e inclusão.
Destaques
- FMI manterá apoio a países afectados por alterações climáticas através de programas como o Resilience and Sustainability Trust;
- EUA querem reorientar FMI e Banco Mundial para prioridades macroeconómicas, excluindo temas “laterais”;
- Trump exige mais apoio a combustíveis fósseis e energia nuclear por parte do Banco Mundial;
- Georgieva reconhece que impactos climáticos têm implicações directas em políticas económicas;
- Tensão cresce em torno das tarifas comerciais impostas pelos EUA, que levaram o FMI a rever em baixa as previsões de crescimento para 2025;
- FMI recomenda reformas estruturais e resolução rápida dos conflitos comerciais globais.
Durante uma conferência de imprensa nas reuniões da primavera do FMI e do Banco Mundial, Kristalina Georgieva procurou clarificar a posição do Fundo perante as exigências políticas dos Estados Unidos, maior accionista da instituição. A directora-geral sublinhou que o objectivo central do FMI continua a ser a estabilidade macroeconómica, mas reiterou que não será abandonado o apoio a países vulneráveis a choques climáticos.
Georgieva respondeu directamente às declarações do Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que acusou o FMI de ter-se desviado da sua missão ao envolver-se em temas como clima, género e inclusão. Segundo Bessent, tal orientação teria reduzido a eficácia do Fundo e do Banco Mundial. A Administração Trump pretende reverter políticas da era Biden e reorientar o financiamento internacional para sectores como energia fóssil e nuclear.
Contudo, Georgieva salientou que os impactos do clima são reais e afectam directamente a economia: “Se for Dominica e um furacão pode apagar 200% do seu PIB, o nosso papel é ajudar a definir políticas económicas razoáveis.” Explicou ainda que o programa Resilience and Sustainability Trust, lançado em 2022, representa apenas uma parte pequena do financiamento do FMI.
A dirigente também fez eco de algumas críticas de Bessent, defendendo uma gestão eficiente e reconhecendo que o orçamento do FMI não sofreu aumentos reais em termos ajustados à inflação nos últimos 20 anos. “Gosto de gerir uma casa apertada”, afirmou.
Outro foco da reunião foi o aumento das tarifas comerciais nos EUA, que atingiram os níveis mais altos em mais de um século, motivando o FMI a rever em baixa as previsões de crescimento global para 2025. Georgieva apelou à resolução urgente das tensões comerciais, alertando que a incerteza está a travar o investimento e o consumo.
“A economia mundial enfrenta um teste novo e significativo, com as margens de manobra política esgotadas após os choques dos últimos anos”, disse, defendendo que todos os países devem aproveitar este momento para reduzir barreiras tarifárias e não-tarifárias.
Georgieva dirigiu recomendações específicas às principais economias:
- China deve mudar o seu modelo de crescimento para um foco no consumo interno;
- EUA devem reduzir o seu défice fiscal;
União Europeia deve concluir reformas do mercado comum, especialmente na unificação dos sectores bancário e de capitais.
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