
Moçambique prevê crescimento médio de 5,5% com gás natural e metas ambiciosas em energia, educação e saúde
- Executivo aposta na diversificação económica, inclusão social e sustentabilidade ambiental para acelerar o desenvolvimento e reduzir desigualdades
O Governo de Moçambique projecta um crescimento económico médio de 5,5% ao ano, impulsionado pelo sector do gás natural, durante o quinquénio 2025–2029. Sem considerar este sector, a taxa prevista é de 4%. As metas fazem parte do novo Programa Quinquenal do Governo (PQG), apresentado na Assembleia da República pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi.
Destaques
- Crescimento do rendimento per capita de 662 USD para 736,6 USD (11,3% em cinco anos);
- Inflação média anual estabilizada em 4,5%;
- Acesso à electricidade deverá atingir 88% até 2029 (face aos actuais 60,1%);
- Taxa de desemprego descerá de 18,4% para 14,7%;
- Rácio aluno/professor reduzido de 68,1 para 55;
- Construção de 7.440 km de linhas de energia, 3.492 salas de aula e 14 hospitais distritais;
- Aumento da cobertura de programas de segurança social de 22% para 31%;
- Promoção da economia circular e reforço dos sistemas de aviso prévio meteorológico.
O novo Programa Quinquenal do Governo (PQG) para 2025–2029 define como principal meta económica o crescimento médio de 5,5%, incluindo os contributos da indústria de gás natural liquefeito, actualmente em fase de arranque. Sem contar com este sector, a previsão é de um crescimento mais moderado, na ordem dos 4% ao ano.
A apresentação do PQG foi feita pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, perante a Assembleia da República, destacando a ambição do Executivo em acelerar o desenvolvimento económico inclusivo e sustentável, ao mesmo tempo que se combate a pobreza, a desigualdade e se promovem os pilares para a independência económica do país.
O crescimento económico previsto deverá refletir-se num aumento do rendimento per capita dos actuais 662 USD para 736,6 USD, o que representa uma subida de apenas 11,3% em termos acumulados — o equivalente a uma média de 2,26% ao ano, demonstrando que o impacto directo sobre o rendimento das famílias poderá ser mais contido.
O governo compromete-se ainda a manter a inflação média anual em 4,5%, garantindo estabilidade macroeconómica num contexto desafiante.
Entre os pilares estruturantes do PQG estão:
- Transformação económica: redução da taxa de desemprego para 14,7%; estímulo à produção nacional e diminuição das importações de gás de cozinha de 100% para 70%;
- Transformação social: ampliação do acesso à energia (de 60,1% para 88%) e aos cuidados de saúde (de 70,2% para 73%); melhoria dos indicadores de educação e aumento da cobertura de protecção social;
- Reforço da Justiça e Boa Governação: aumento do rácio juiz por 100.000 habitantes de 1,8 para 3,6 e maior celeridade no tratamento de processos de corrupção;
- Infra-estruturas e ordenamento territorial: construção de 7.440 km de linhas de transmissão de energia, 3.492 salas de aula, 14 hospitais distritais, 1.766 sistemas de água rural e 12.100 habitações sociais;
- Sustentabilidade ambiental: expansão da cobertura de serviços meteorológicos distritais de 55% para 84% e dos sistemas de aviso prévio de 13,3% para 33,3%.
A Primeira-Ministra enfatizou que o sucesso do plano depende da manutenção da paz, estabilidade e segurança pública. “São os fundamentos sem os quais é praticamente impossível garantir o desenvolvimento socioeconómico pleno e inclusivo do nosso país”, afirmou.
O PQG 2025–2029 pretende, assim, lançar as bases para uma economia mais resiliente, inclusiva e sustentável, orientada para a redução das desigualdades e a afirmação da soberania económica de Moçambique.
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