Crédito em Moçambique mantém-se em 292,6 mil milhões de meticais com particulares a dominarem financiamento

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Famílias absorvem mais de metade do crédito enquanto financiamento às empresas recua e juros permanecem elevados

Questões-Chave:
  • O crédito à economia fixou-se em 292,6 mil milhões de meticais em Novembro de 2025, mantendo-se praticamente estável face a Outubro;
  • Os particulares concentram mais de metade do crédito, com 155,8 mil milhões de meticais, reflectindo o peso do consumo e da habitação;
  • As empresas privadas registaram recuo, sinalizando prudência no investimento produtivo;
  • As reservas internacionais líquidas superaram 4,07 mil milhões de dólares, garantindo 3,4 meses de cobertura das importações totais;
  • A inflação anual manteve-se controlada, em 4,38%, abaixo do tecto definido pela política monetária.

Crédito cresce, mas continua ancorado no consumo

O crédito à economia em Moçambique manteve-se praticamente estável em Novembro de 2025, situando-se em 292,6 mil milhões de meticais, de acordo com o Resumo Mensal de Informação Estatística do Banco de Moçambique. O valor representa uma ligeira variação negativa face ao mês anterior, confirmando uma trajectória de crescimento moderado ao longo do segundo semestre.

A estrutura do crédito continua fortemente concentrada nos particulares, que absorvem 155,8 mil milhões de meticais, correspondendo a cerca de 53% do total, evidenciando a persistência de uma dinâmica financeira orientada para o consumo, habitação e crédito pessoal, em detrimento do investimento produtivo.

Empresas privadas mostram contenção no financiamento

O crédito às empresas privadas totalizou 107,4 mil milhões de meticais, registando uma redução face aos meses anteriores. Esta evolução sugere uma postura mais cautelosa por parte do sector empresarial, influenciada por custos de financiamento ainda elevados, incerteza económica e riscos associados à conjuntura climática e fiscal.

As empresas públicas, por sua vez, beneficiaram de 22,6 mil milhões de meticais, reflectindo maior envolvimento do Estado em sectores estratégicos e projectos com financiamento directo ou garantias públicas.

Taxas de juro recuam, mas continuam elevadas

As taxas médias de juro nominais sobre empréstimos mantiveram-se em níveis elevados, apesar de alguma moderação. Em Novembro, a taxa média situou-se em 22,46%, enquanto a Prime Rate foi fixada em 16%, acompanhando a trajectória descendente da taxa de política monetária.

Nas novas operações de crédito, os empréstimos à habitação apresentaram uma taxa média de 18,75%, enquanto o crédito ao consumo permaneceu acima dos 24%, reforçando as restrições ao acesso ao financiamento por parte das famílias e das PME.

Reservas internacionais acima dos 4 mil milhões de dólares

No plano externo, Moçambique reforçou a sua posição de liquidez internacional. As Reservas Internacionais Líquidas ascenderam a 4.073,5 milhões de dólares em Novembro de 2025, garantindo 3,4 meses de cobertura das importações totais, ou 5,2 meses, quando excluídos os grandes projectos.

Este desempenho foi sustentado por ganhos cambiais, rendimentos de activos externos e entradas associadas à actividade extractiva, contribuindo para maior estabilidade cambial e previsibilidade macroeconómica.

Inflação mantém-se controlada, apesar de pressões regionais

A inflação anual fixou-se em 4,38%, mantendo-se dentro do intervalo de estabilidade definido pelas autoridades monetárias. A inflação acumulada atingiu 2,73%, com variações mais acentuadas em cidades como Xai-Xai, onde a média anual superou os 5%, reflectindo impactos localizados das cheias e disrupções logísticas.

Sistema financeiro expande inclusão e meios de pagamento

O relatório evidencia ainda uma expansão contínua do sistema nacional de pagamentos, com destaque para o crescimento dos serviços financeiros móveis. Em 2025, o volume de transferências ultrapassou 1,37 mil milhões de operações, movimentando mais de 1 bilião de meticais, reforçando o papel das IME na inclusão financeira.

O número total de contas em bancos e instituições de moeda electrónica atingiu mais de 31 milhões, consolidando a digitalização financeira como um dos pilares estruturais do sistema.