
Crescimento de África tem sido inadequado para reduzir a pobreza extrema, impulsionar a prosperidade partilhada e criar empregos – Africa’s Pulse
- Crescimento económico de África vai desacelerar de 3,6% em 2022 para 2,5% em 2023.
- A criação de oportunidades de emprego para os jovens impulsionará o crescimento inclusivo e transformará a riqueza demográfica do continente num dividendo económico.
- Exige-se o estabelecimento de um ecossistema que facilite a entrada, a estabilidade e o crescimento das empresas, bem como o desenvolvimento de competências que correspondam à procura empresarial.
- As políticas que afectam desproporcionalmente as empresas de maior dimensão – através de impostos, regulamentações ou aplicação desigual – inibem a expansão da força de trabalho e conduzem a uma má afectação de recursos.
A edição de Outubro de 2023 do “Africa’s Pulse”, uma publicação do Banco Mundial, mostra que mesmo com a descida da inflação, a instabilidade crescente, o fraco crescimento nas maiores economias da região, os choques climáticos e a incerteza persistente na economia global estão a causar a desaceleração do crescimento – de 3,6% em 2022 para 2,5% em 2023.
O Africa’s Pulse frisa que, globalmente, o crescimento em África tem sido inadequado para reduzir a pobreza extrema, impulsionar a prosperidade partilhada e criar empregos. Aponta que os actuais padrões de crescimento geram apenas 3 milhões de empregos formais anualmente, deixando assim muitos jovens subempregados e envolvidos em trabalhos ocasionais, fragmentados e instáveis, que não tiram pleno partido das suas competências.
O Africa’s Pulse vem, assim, defender que a criação de oportunidades de emprego para os jovens impulsionará o crescimento inclusivo e transformará a riqueza demográfica do continente num dividendo económico.
Na presente edição do Africa’s Pulse, é destacado que a recessão contínua nas grandes economias do continente está a prejudicar o desempenho económico da África Subsariana e tem havido um aumento da incidência de tentativas de desestabilizar governos através de meios inconstitucionais ou violentos nos últimos anos: “Este aumento do conflito e da violência na região pesa sobre a actividade económica e esta fragilidade crescente pode ser exacerbada por choques climáticos. Mais de metade dos países da África Subsariana (28 de 48) foram rebaixados nas suas estimativas de crescimento para 2023.”, alerta o Africa’s Pulse.
Confirma o Africa’s Pulse que a inflação tem vindo a diminuir, mas ainda está acima das metas dos bancos centrais na maioria dos países da região, esperando-se que diminua de 9,3% em 2022 para 7,3% em 2023. “No entanto, 18 países da região registam taxas de inflação médias anuais de dois dígitos ou mais em 2023”, alerta.
De acordo com a publicação as pressões inflacionistas são dominadas pelos preços mais elevados dos alimentos e dos combustíveis e pelo enfraquecimento das moedas nacionais. – desgastando assim o rendimento das famílias e pesando sobre o consumo privado.
O endividamento publico também, merece um reparo no Africa’s Pulse, que diz sobre o assunto que, o excesso de dívida continua a pesar fortemente nas economias da África Subsariana: “O sobre-endividamento continua generalizado, com 21 países em elevado risco de sobre-endividamento externo ou em situação de sobre-endividamento em Junho de 2023”.
A problemática do emprego, outro assunto candente no continente, também fopi aflorado no estudo que refere que o crescimento da África Subsariana proporcionou uma fraca criação de emprego e uma lenta redução da pobreza, com o continente a enfrentar o desafio de criar melhores empregos para mais pessoas: “Isto exigirá um ecossistema que facilite a entrada, a estabilidade e o crescimento das empresas, bem como o desenvolvimento de competências que correspondam à procura empresarial”, realça o Africa’s Pulse.
“A percentagem de emprego urbano da população em idade activa manteve-se em cerca de 22-23% nas últimas duas décadas. Grande parte da população da região continua a ser rural e empregada na agricultura, o que está fortemente associado à pobreza”, sublinha.
Conforme constata, a falta de crescimento das empresas impede a criação de empregos de boa qualidade, uma vez que 96% das empresas têm menos de cinco empregados. Sublinha que as políticas que afectam desproporcionalmente as empresas de maior dimensão – através de impostos, regulamentações ou aplicação desigual – inibem a expansão da força de trabalho e conduzem a uma má afectação de recursos.
Acrescenta que mesmo com fortes melhorias na procura de trabalho, a África Subsaharina terá de proporcionar um caminho para o emprego para os mais vulneráveis, a fim de fazer face ao crescimento do emprego exigido pela transição demográfica.
O Africa’s Pulse avança com propostas de politicas para endereçar os problemas que identifica e, nesse quesito, esta incluem, o apoio na criação de competências orientadas pela procura e promover a transformação organizacional do trabalho., garantir a estabilidade política e fortalecer as instituições para apoiar a economia de mercado e alcançar o crescimento inclusivo através da estabilização fiscal e da redução da dívida.
Africa’s Pulse é uma publicação semestral do Gabinete do Economista-Chefe da Região África do Banco Mundial. Analisa as perspectivas económicas a curto prazo para o continente e os actuais desafios de desenvolvimento, bem como um tema especial de desenvolvimento.
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