Dados comerciais diminuem perspectivas de crescimento do Japão, com a China a liderar o declínio das exportações asiáticas

0
601
  • As exportações do Japão caíram 0,3% em Julho em relação ao ano anterior, pela primeira vez desde Fevereiro de 2021;
  • As importações do Japão caíram 13,5% em Julho, numa quarta queda mensal consecutiva;
  • As exportações para a China e a Ásia são particularmente preocupantes, diz Sayuri Shirai, professora da Universidade de Keio.

O Japão registou o seu primeiro declínio mensal nas exportações em mais de 2 anos, uma vez que a procura mais fraca nos seus maiores parceiros comerciais na China e no resto da Ásia diminuiu as perspectivas de crescimento na terceira maior economia do mundo.

As exportações caíram 0,3% em Julho em relação ao ano anterior, pela primeira vez desde Fevereiro de 2021, de acordo com dados provisórios divulgados nesta quinta-feira, 17 de Agosto, pelo Ministério das Finanças do Japão. As exportações para a Ásia despencaram quase 37%, enquanto as para a China contraíram 13,4% em uma oitava queda mensal consecutiva, ressaltando a magnitude da desaceleração no continente.

“Felizmente, neste momento, [a fraqueza das exportações para a China] é completamente compensada pelo aumento das exportações para os EUA e para a Europa, mas, como sabem, há muitas incertezas em relação às economias dos EUA e da Europa”, disse Sayuri Shirai, professora de economia da Universidade de Keio, à CNBC “Squawk Box Asia”, nesta quinta-feira, 17 de Agosto.

A procura interna do Japão não registou qualquer melhoria significativa, sublinhada pelas importações que caíram 13,5% em Julho. Os números das exportações e das importações foram ligeiramente melhores do que o esperado, embora o Japão tenha registado um défice comercial de 78,7 mil milhões de yens (539,6 milhões de dólares), ficando muito aquém da estimativa média de um excedente de 24,6 mil milhões de yens.

Um aumento das importações impulsionou um crescimento provisório de 6% no Japão no segundo trimestre, embora os economistas esperem que a procura global enfraqueça na segunda metade do ano.

“Penso que, para o Japão, as exportações japonesas para a China representam 20% do total e para a Ásia, 50%, pelo que temos de estar atentos ao que se passa na China”, afirmou Shirai.

O Primeiro-Ministro chinês, Li Qiang, afirmou na quarta-feira, 16 de Agosto, que o País irá trabalhar para atingir os seus objectivos económicos para este ano. As suas declarações foram feitas na sequência de uma série de dados económicos que ficaram aquém das expectativas, o que levou os economistas a avisar que a China poderá não ser capaz de atingir o seu objectivo de crescimento de 5%.

Juntamente com a vacilação da procura interna, é pouco provável que o Banco do Japão tenha o ímpeto necessário para se afastar da sua política monetária ultra-fácil destinada a reflacionar a economia.

A continuação da fraqueza do yen japonês é outra fonte de preocupação, uma vez que a moeda atingiu 146 yens face ao dólar.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.