UNCTAD insta governos a criar políticas, regulamentos e programas sólidos para promover ampla adopção de tecnologias digitais

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  • Moçambique é citado como o segundo maior exportador mundial de titânio, metal usado em equipamentos médicos, e por suas reservas de grafite, usado na produção de veículos eléctricos

O Relatório de Desenvolvimento Econômico em África de 2023 da UNCTAD, lançado quarta-feira, 16/08, em Nairobi, capital do Quénia, examina o potencial do continente para se tornar um participante importante nas cadeias de suprimentos globais para sectores de alta tecnologia, como automóveis, telefones celulares, energia renovável e saúde.

Interrupções recentes devido à turbulência comercial, incerteza económica, uma pandemia global e eventos geopolíticos obrigaram fabricantes em todo o mundo a diversificar seus locais de produção e presença geográfica, situação que apresenta oportunidades para os governos e empresas africanas posicionarem o continente como o novo destino para as cadeias de abastecimento globais, observa a UNCTAD.

A agência da ONU, observa ainda que África tem uma abundância de minerais essenciais necessários para produtos ecológicos e de alta tecnologia e é o lar de uma população jovem e experiente em tecnologia, uma força de trabalho adaptável e uma classe média em expansão.

Considera ainda a UNCTAD que, a Área de Comércio Livre Continental Africana também oferece vantagens ao facilitar o acesso aos mercados regionais e fortalecer as cadeias de produção em todo o continente, ajudando as indústrias domésticas a se prepararem mais para a arena global.

O relatório recomenda acções políticas para superar os obstáculos da cadeia de abastecimento que os países africanos enfrentam, incluindo logística deficiente, baixos níveis de tecnologia, mercados fragmentados, fontes de capital limitadas e instituições e regulamentos fracos.

Efectivamente, o Relatório de Desenvolvimento Económico em África 2023, lançado nesta quarta-feira, em Nairobi, oferece um roteiro sobre como as economias africanas podem desempenhar um papel importante na cadeia global de fornecimento, se tornando um destino de manufactura para indústrias de alta tecnologia.

Dentre os factores que tornam os países africanos atraentes para estas empresas estão a abundância de minerais e metais muito utilizados no sector. 

A UNCTAD afirma que a expansão das cadeias de abastecimento de energia para a África é uma oportunidade para acelerar a ação climática. No entanto, atualmente apenas 2% dos investimentos globais em energia renovável chegam ao continente africano.

Moçambique é citado no relatório como o segundo maior exportador mundial de titânio, metal usado em equipamentos médicos, e por suas reservas de grafite, usado na produção de veículos eléctricos.

Outro ponto considerado crucial pela agência é o alívio da dívida dos países africanos, de modo a gerar espaço fiscal para investir em cadeias de abastecimento.

Em média, os países africanos pagam quatro vezes mais por empréstimos do que os Estados Unidos e até oito vezes mais do que as economias europeias.

A UNCTAD reitera seu apelo por melhores soluções de financiamento para oferecer aos países e empresas africanos capital e liquidez acessíveis, para investir no fortalecimento de suas cadeias de abastecimento.

A agência defende que essas medidas, adotadas em conjunto políticas, regulamentos e programas sólidos para promover adopção de tecnologias digitais, pode tornar a África em um elo fundamental nas cadeias de suprimentos globais.

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