
Dólar Em Rota De Quinto Declínio Mensal: Incertezas Comerciais E Fiscais Abalam Confiança Nos Activos Norte-Americanos
Questões-Chave:
- Índice do dólar caminha para o quinto mês consecutivo de perdas, com uma queda acumulada de 0,25% em Maio;
- Incertezas comerciais intensificadas pela reactivação judicial das tarifas de Trump pressionam os mercados;
- Dados do PCE e preocupações com dívida fiscal elevam volatilidade e cautela nos investidores;
- Moedas de mercados emergentes valorizam-se, enquanto iene japonês ganha impulso com inflação em Tóquio.
O dólar americano continua a perder força no mercado internacional, pressionado por crescentes incertezas em torno da política comercial e da sustentabilidade fiscal dos Estados Unidos. A combinação de decisões judiciais controversas sobre tarifas, sinais de inflação persistente e receios sobre a dívida pública levou a moeda à sua quinta queda mensal consecutiva.
Na manhã de sexta-feira, 30 de Maio, o dólar mantinha-se instável nos mercados asiáticos e europeus, numa trajectória descendente que reflecte a crescente aversão ao risco por parte dos investidores. De acordo com o índice do dólar, que mede a valorização da moeda americana face a uma cesta de seis outras divisas principais, regista-se uma queda de 0,25% em Maio — prolongando uma série de perdas mensais que começou no início do ano.
Esta pressão sobre o dólar acentuou-se após o restabelecimento temporário das tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump, na sequência de uma suspensão anterior decretada por um tribunal de comércio. O reverter da suspensão acentuou as dúvidas sobre a previsibilidade da política comercial americana, gerando receios quanto ao seu impacto sobre os custos de importação e a trajectória inflacionista.
“A decisão marca o início de uma nova fonte de incerteza, em vez do encerramento total de outra”, afirmou Kyle Rodda, analista sénior da Capital.com, reflectindo o sentimento cauteloso dominante nos mercados.
Inflação E Taxas De Juro No Radar
O centro das atenções do mercado nesta sexta-feira está nos dados sobre a inflação medida pelas despesas de consumo pessoal (PCE), o indicador preferido da Reserva Federal. Economistas projectam uma subida de 2,2% em Abril, ligeiramente abaixo dos 2,3% registados em Março. Estes números serão cruciais para avaliar os próximos passos da Fed em matéria de taxas de juro.
A contínua incerteza fiscal nos EUA — ilustrada pela fraca procura de dívida com prazos longos — está também a influenciar negativamente o sentimento dos investidores. Uma avaliação mais rigorosa dos níveis de endividamento nas economias avançadas está a ressurgir como preocupação central, tanto nos EUA como no Japão.
Mercados Cambiais E Emergentes
O euro subiu ligeiramente para 1,1378 dólares, enquanto o franco suíço se manteve estável em 0,8225 por dólar. A libra esterlina também registou valorização no mês. Por outro lado, o dólar australiano e o neozelandês caíram ligeiramente.
Destaque vai para as moedas de mercados emergentes, cujo índice de referência apresentou um ganho mensal de 2,2% — o maior desde Novembro de 2023 — demonstrando um desvio crescente dos investidores face aos activos tradicionais dos EUA.
Iene Em Foco: Pressão Inflacionária Em Tóquio
O iene japonês valorizou-se 0,3% para 143,80 por dólar, impulsionado por dados de inflação subjacente em Tóquio que atingiram máximos de mais de dois anos. A possibilidade de novas subidas nas taxas de juro pelo Banco do Japão aumenta, embora o país enfrente ainda uma recuperação económica frágil.
“As pressões inflacionistas continuam quentes, enquanto a recuperação económica permanece frágil — e enfrentando fortes ventos contrários das tarifas dos EUA”, observou Min Joo Kang, economista do ING.
Apesar disso, o iene caminha para a sua primeira queda mensal em relação ao dólar no ano.
O declínio contínuo do dólar reflecte um ambiente de elevada instabilidade nos fundamentos económicos e políticos dos Estados Unidos. Entre tarifas imprevisíveis, dívidas crescentes e inflação resistente, o dólar perdeu o estatuto de refúgio incontestado, enquanto os investidores reavaliam riscos e oportunidades à escala global. Com a aproximação do prazo de 9 de Julho para possíveis novas tarifas, e com a expectativa de novos dados macroeconómicos, o panorama cambial e comercial dos EUA continua longe de encontrar equilíbrio.
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