Dólar Estabiliza com Alívio Geopolítico e Aumento do Apetite pelo Risco nos Mercados Cambiais

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Arrefecimento das tensões em torno da Venezuela e sinais mais dovish da Reserva Federal reduzem procura por activos de refúgio, num início de semana marcado por maior propensão ao risco nos mercados globais.

Questões-Chave:
  • Dólar estabiliza perto de máximos de duas semanas no arranque da sessão asiática de 6 de Janeiro;
  • Menor procura por activos de refúgio após dissipação do choque geopolítico ligado à Venezuela;
  • Comentários dovish de responsáveis da Reserva Federal reforçam expectativas de manutenção dos juros;
  • Indicadores económicos dos EUA introduzem viés de cautela sobre a trajectória de curto prazo da moeda.

O dólar norte-americano iniciou a sessão asiática desta terça-feira, 6 de Janeiro de 2026, em terreno estável, à medida que os receios geopolíticos associados à Venezuela perderam intensidade e o apetite pelo risco ganhou tracção nos mercados financeiros globais. A combinação entre menor procura por activos de refúgio e sinais mais acomodatícios da política monetária dos Estados Unidos contribuiu para uma dinâmica cambial mais equilibrada no curto prazo .

Alívio geopolítico reduz procura por refúgio

Após a forte volatilidade registada no final da semana anterior, os mercados cambiais reagiram de forma mais contida aos desenvolvimentos na Venezuela. O afastamento do risco imediato de disrupções mais profundas nos mercados de commodities levou a uma redução da procura por moedas consideradas porto seguro, como o dólar e o iene japonês.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a um cabaz de seis divisas, manteve-se próximo de 98,36 pontos, ligeiramente acima do fecho anterior, interrompendo uma trajectória de ganhos consecutivos e sinalizando uma fase de consolidação.

Política monetária e dados económicos moldam expectativas

O comportamento do dólar foi igualmente influenciado por declarações recentes de Neel Kashkari, presidente da Reserva Federal de Minneapolis, que alertou para riscos de deterioração no mercado de trabalho norte-americano. As declarações reforçaram a percepção de que a Reserva Federal poderá manter uma postura cautelosa nos próximos meses, mesmo perante uma inflação mais controlada.

Apesar disso, os mercados de futuros continuam a atribuir elevada probabilidade à manutenção das taxas de juro na próxima reunião da Fed, agendada para o final de Janeiro, reflectindo um equilíbrio delicado entre sinais de abrandamento económico e a resiliência global da economia norte-americana.

A pressão adicional sobre o dólar veio dos dados mais recentes da actividade industrial, com o índice ISM Manufacturing a recuar para um mínimo de 14 meses, reforçando a narrativa de perda de fôlego no sector transformador dos EUA.

Principais pares cambiais e activos alternativos

No mercado asiático, o dólar registou ganhos marginais face ao iene, negociando em torno de 156,7 ienes, enquanto se manteve praticamente estável face ao yuan chinês offshore. Em contrapartida, o euro e a libra esterlina apresentaram ligeiras desvalorizações face à moeda norte-americana, num ambiente de baixa volatilidade.

As moedas ligadas às commodities, como o dólar australiano e o neozelandês, recuaram modestamente, acompanhando ajustes técnicos após recentes máximos e a estabilização dos preços das matérias-primas. No segmento dos activos digitais, o bitcoin e o ether registaram perdas ligeiras, acompanhando a moderação do sentimento especulativo.

Perspectiva de curto prazo

No curto prazo, a trajectória do dólar deverá continuar dependente de três factores centrais: a evolução do sentimento de risco global, a leitura dos próximos indicadores macroeconómicos dos Estados Unidos — em particular os dados do emprego — e os sinais que emergirem da Reserva Federal quanto ao calendário de política monetária.

Com o risco geopolítico a perder intensidade e os investidores a privilegiarem activos de risco, o dólar tende a permanecer num intervalo relativamente estreito, alternando entre movimentos técnicos e reacções pontuais a dados económicos. O cenário dominante é de estabilização com viés defensivo, num mercado ainda sensível a choques externos, mas menos propenso a movimentos abruptos no imediato.

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