
Dólar Regista Maior Queda Semanal Desde Janeiro, Com EUR/USD a Subir para 1,17 e Yen em 159 por Dólar Após Trégua no Golfo
Desanuviamento parcial do risco geopolítico leva investidores a reduzir posições em activos-refúgio, enquanto mercado mantém elevada sensibilidade ao petróleo e às negociações EUA-Irão
- Dólar caminha para a maior queda semanal desde Janeiro, segundo a Reuters;
- Euro sobe para 1,1694 USD, rompendo a média móvel de 200 dias;
- Yen situa-se em torno de 159 por dólar, ainda sob pressão estrutural;
- DXY recua cerca de 1,3% na semana;
- Moedas de risco (AUD, NZD, GBP) registam ganhos entre 1,8% e 3%;
- Mercado cambial reage directamente à evolução do conflito e do petróleo.
Trégua no Golfo Desencadeia Correcção no Dólar
O dólar norte-americano está a registar a sua maior queda semanal desde Janeiro, à medida que os investidores reduzem posições defensivas após o anúncio de um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão.
Segundo dados avançados pela Reuters, o movimento reflecte uma reavaliação do risco global, numa fase em que o mercado começa a incorporar a possibilidade de normalização dos fluxos energéticos, ainda que de forma cautelosa.
Durante o pico do conflito, em Março, o dólar havia consolidado a sua posição como principal activo-refúgio, beneficiando da escalada, dos preços, do petróleo e do aumento da aversão ao risco nos mercados globais.
Euro Rompe Resistência e Lidera Ganhos Cambiais
Com a redução do risco extremo, o euro destacou-se como um dos principais beneficiários.
A moeda única europeia subiu para 1,1694 dólares, ultrapassando a sua média móvel de 200 dias — um indicador técnico relevante que, segundo analistas de mercado citados pela Reuters, pode abrir espaço para ganhos adicionais no curto prazo.
Este movimento é acompanhado por uma valorização generalizada de moedas sensíveis ao risco, num sinal claro de mudança de sentimento por parte dos investidores.
Moedas de Risco Recuperam com Alívio Temporário da Incerteza
O dólar australiano e o dólar neozelandês registam ganhos semanais próximos de 3%, enquanto a libra esterlina sobe cerca de 1,8%, também ultrapassando a sua média de longo prazo.
Este comportamento reflecte um regresso parcial ao apetite por risco, impulsionado pela expectativa de que o cessar-fogo possa permitir a retoma gradual do transporte de petróleo através de rotas críticas como o Estreito de Ormuz.
Ainda assim, a recuperação permanece condicionada à evolução das negociações diplomáticas entre Washington e Teerão.
Yen Continua Fragilizado Apesar de Recuperação Marginal
O Yen japonês registou uma recuperação ligeira, situando-se em torno de 159 por dólar, mas continua sob pressão estrutural.
A moeda permanece vulnerável devido à política monetária acomodatícia do Banco do Japão e à sua exposição ao aumento dos preços da energia, factores que limitam a sua capacidade de valorização sustentada.
De acordo com a Reuters, o Yen continua a ser vendido face a outras moedas, sinalizando que os investidores ainda não o encaram como alternativa robusta ao dólar.
Mercado Cambial Continua Refém da Dinâmica Energética
Apesar da correcção do dólar, o mercado cambial mantém-se fortemente dependente da evolução do sector energético.
Dados de tráfego no Estreito de Ormuz indicam que, nas primeiras 24 horas após o cessar-fogo, apenas um navio de produtos petrolíferos e cinco cargueiros atravessaram a rota, muito abaixo dos cerca de 140 navios diários registados antes do conflito.
Este dado revela que a normalização do mercado energético ainda está longe de ser alcançada, mantendo um nível elevado de incerteza.
Negociações EUA-Irão no Centro da Próxima Fase do Mercado
Os próximos movimentos do mercado cambial deverão ser determinados pelas negociações em curso entre os Estados Unidos e o Irão, com encontros diplomáticos previstos em Islamabad.
Segundo Jason Wong, estratega sénior do BNZ, citado pela Reuters, “os investidores compraram dólar no pico do conflito e estão agora a vendê-lo à medida que o risco extremo diminui”, embora alerte que esta tendência pode inverter rapidamente caso as negociações falhem.
Entre Alívio e Incerteza: Um Mercado Ainda Instável
A leitura consolidada aponta para um mercado cambial em transição.
Por um lado, a redução do risco geopolítico está a desencadear uma correcção técnica do dólar e uma recuperação das moedas de risco. Por outro, a persistência de constrangimentos no mercado energético e a incerteza sobre a durabilidade do cessar-fogo impedem uma inversão estrutural da tendência.
Neste contexto, o dólar continua a funcionar como um indicador sensível do equilíbrio global — recuando quando o risco diminui, mas pronto para recuperar caso a instabilidade volte a escalar.
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