Duas décadas de operações da Sasol em Moçambique, que impactos?

0
3826

A indústria extractiva, pelo seu peso e importância na economia nacional, historicamente tem tido um papel importante na promoção do desenvolvimento económico e social, e a história e o contributo da Sasol, como pioneira nas operações de petróleo e gás no País, é seguramente incontornável na evolução do processo de monetização destes recursos.

Desde 2004, a Sasol tem contribuído para a economia de Moçambique através da criação de emprego, desenvolvimento de infraestruturas, impostos e desenvolvimento comunitário, fruto do processo de monetização de gás no país.

“Conseguimos trazer um salto qualitativo em termos de monetização do gás no País”, destacou o Engenheiro Ovídio Rodolfo, Director-geral da Sasol, falando ao “O.Económico” sobre os impactos das operações da multinacional sul-africana na economia nacional. Com efeito, partindo de uma situação de monetização inexistente do recurso, hoje, volvidos aproximadamente vinte anos, assistiu a criação de cinco centrais de produção de energia através do gás, designadamente: a Central de Ressano Garcia, Temaninho, Kuvaninga, Central Termoeléctrica de Maputo e a GigaWatt.

Este “salto” contribuiu substancialmente no processo de crescimento e desenvolvimento da economia nacional nas duas últimas décadas, consolidando a matriz energética e permitindo dar resposta as crescentes necessidades de energia eléctrica para o desenvolvimento de infra-estruturas e do processo de industrialização do País, reforçando as ligações entre os projectos do sector extrativo e o sector real da economia.

Pouco mais de 30 empresas da região sul do país beneficiam actualmente do gás industrial, portanto, ainda que aquém do desejado, “Há um salto já qualitativo no fornecimento de gás às indústrias em Moçambique”, referiu.

As contribuições para o desenvolvimento socio-económico assumem diversas formas. Além da monetização do gás e a consolidação da matriz energética, as operações da empresa têm assumido um papel fundamental na canalização de recursos ao Estado para o prosseguimento de outros objectivos de desenvolvimento. Segundo dados da Autoridade Tributária, a Sasol figura no grupo de maiores contribuintes fiscais do país: “nos últimos cinco anos, a empresa sempre se posicionou entre as primeiras três grandes contribuintes para o fisco”, avançou. 

Comentando sobre o impacto da empresa ao nível social, Rodolfo vincou que a Sasol sempre se posicionou como uma “empresa socialmente responsável”, dado que: “Sempre foi visão da Sasol operar em Moçambique com uma visão de impacto social amplo e de partilha de valor”

Evidenciado o comprometimento com esta visão da empresa, em termos de Desenvolvimento das comunidades adjacentes as suas operações, um dos pilares no âmbito da responsabilidade social da empresa – correspondentes as 37 comunidades nos distritos no centro das operações da empresa, em Inhassoro e Govuro, na província de Inhambane – foram investidos até finais de 2021, no total, pouco mais de 50 milhões de dólares em acções de responsabilidade social no País usando várias abordagens, avançou.

Entretanto, como resultado da “curva de aprendizagem” da empresa, explicou, foram assinados os acordos de desenvolvimento local em 2019, com implementação efectiva em meados de 2020, e a multinacional já conta com uma abordagem única para as acções de responsabilidade social: “Hoje nós temos uma abordagem sistemática, acordada com as comunidades e o Governo. É esta a abordagem, que de forma única e inicial, estamos a implementar no que diz respeito a responsabilidade social”, ajustou.

No que refere ao conteúdo local e localização, outro pilar de impacto social da empresa, já é evidente uma apropriação pelos moçambicanos na condução dos projectos, avançou. Com efeito, aquando do início das operações em 2004, ao nível da chefia intermédia e alta, apenas 38% das posições eram ocupadas por moçambicanos, contra os actuais 98%: “Pouco mais de 300 postos de trabalhos permanentes que estão 98% ocupados por moçambicanos”, referiu.

Seguindo a mesma tendência, as compras locais da multinacional registaram um progresso significativo. Há cerca de duas décadas, pouco menos de 30% das compras é que era com empresas registadas em Moçambique e com participação moçambicana, no entanto, neste momento, pouco mais de 50% dos mais de 50 milhões de dólares em custos operacionais correntes da empresa são gastos com empresas registadas em Moçambique, avançou, para depois acrescentar que o foco é integrar não somente as empresas registadas mas aquelas que têm participação moçambicana: “cada vez que atingimos uma meta, vamos para a meta seguinte; que é mais desafiante”. 

Questionado sobre o futuro das operações da Sasol no País, Ovídio Rodolfo explicou que a Sasol apresenta uma visão de muito longo prazo, não só para o país como para a região: “Por isso que quando nós conversamos sobre a contribuição da Sasol transcende o país. Portanto, tudo que são potencialidades que o país tem para oferecer ao próprio país e a região, é aí onde a Sasol concentra a sua conversa com o Governo e os outros parceiros de desenvolvimento”.(OE)


Acompanhe a entrevista na íntegra:

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.