Economia Global Ruma Para o Crescimento Mais Fraco Desde 2008, 2,3% em 2025, Fora das Recessões – Banco Mundial

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Questões-Chave:

  • O crescimento económico mundial deverá abrandar para 2,3% em 2025, segundo o Banco Mundial;
  • Quase 70% das economias mundiais sofreram cortes nas previsões de crescimento, afectando todas as regiões e grupos de rendimento;
  • Países em desenvolvimento, fora da Ásia, registam crescimento abaixo dos 4%, acompanhando o declínio do comércio e do investimento;
  • O agravamento das tarifas comerciais e a rigidez dos mercados laborais alimentam a inflação global, estimada em 2,9% para 2025;
  • Especialistas alertam para a necessidade de reformas estruturais, cooperação internacional e diversificação comercial como resposta à crise.

Num cenário marcado por tensões comerciais, incerteza política e uma desaceleração estrutural, o Banco Mundial alerta que a economia global está a registar a mais fraca dinâmica de crescimento desde 2008, fora de contextos de recessão. A previsão de crescimento global para 2025 foi revista em baixa para 2,3%, com implicações profundas para os países em desenvolvimento e emergentes, que enfrentam crescentes desafios de dívida, investimento e inclusão económica.

A mais recente edição do relatório Global Economic Prospects, publicada pelo Banco Mundial a 10 de Junho de 2025, traça um retrato sombrio da trajectória da economia mundial. Segundo o documento, o crescimento global deverá situar-se em 2,3% em 2025, o nível mais baixo fora dos anos de recessão global desde a crise financeira de 2008.

Esta projecção representa uma queda de quase meio ponto percentual em relação às previsões iniciais do início do ano. Pior ainda: cerca de 70% das economias mundiais — independentemente da sua localização geográfica ou nível de rendimento — sofreram revisões em baixa nas suas perspectivas de crescimento.

Segundo Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, o mundo em desenvolvimento, com excepção da Ásia, está a tornar-se “uma zona livre de desenvolvimento”, reflectindo décadas de declínio progressivo: de 6% nos anos 2000, para 5% na década de 2010 e agora abaixo dos 4% na década de 2020. Este padrão acompanha o abrandamento do comércio global — que caiu de 5% nos anos 2000 para menos de 3% actualmente — e do investimento, que segue a mesma trajectória descendente.

Nos países de baixo rendimento, o crescimento projectado para 2025 é de 5,3%, uma revisão negativa de 0,4 pontos percentuais face às estimativas anteriores. O Banco Mundial sublinha que esta desaceleração compromete seriamente os esforços de criação de emprego, redução da pobreza extrema e convergência de rendimento per capita face às economias desenvolvidas.

A inflação, por seu lado, mantém-se teimosamente acima dos níveis pré-pandemia. Estima-se que atinja, em média, 2,9% em 2025, pressionada pelo aumento das tarifas comerciais e pela rigidez dos mercados laborais. A combinação entre pressões inflacionistas, endividamento recorde e pouco espaço orçamental dificulta a resposta política dos países mais vulneráveis.

Apesar do quadro adverso, o relatório aponta caminhos possíveis de mitigação. A resolução das disputas comerciais actuais — reduzindo as tarifas a metade dos níveis registados até Maio — poderia adicionar 0,2 pontos percentuais ao crescimento global médio em 2025 e 2026. No entanto, tal exigiria cooperação internacional renovada e um novo ciclo de diálogo multilateral.

Para os mercados emergentes e em desenvolvimento, a recomendação do Banco Mundial é clara: reforçar a integração económica com novos parceiros, avançar com reformas pró-crescimento e fortalecer a resiliência fiscal. Além disso, é crucial diversificar as exportações através de acordos comerciais regionais, melhorar o clima de negócios e investir em qualificações para o emprego produtivo.

O relatório termina com um apelo à comunidade internacional para apoiar, de forma diferenciada, os países mais vulneráveis — seja através de financiamento concessionado, intervenções multilaterais, ou apoio de emergência em contextos de conflito.

A conjuntura descrita pelo Banco Mundial não só exige respostas domésticas robustas, como reforça a urgência de uma governação económica global mais eficaz e solidária. Para países como Moçambique, onde o crescimento depende em grande medida da estabilidade externa e da atracção de investimento, os alertas do relatório devem servir de guia para acções coordenadas entre o Estado, o sector privado e os parceiros internacionais

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