EDM Investe em Mini-Hídricas nos Rios Lugela e Lugenda para Expandir Electrificação Rural

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Projectos hidroeléctricos de pequena escala visam reforçar a rede eléctrica local, reduzir custos de extensão e apoiar o desenvolvimento económico sustentável em zonas rurais da Zambézia e do Niassa.

Questões-Chave:
  • A EDM planeia pequenas centrais hidroeléctricas nos rios Lugela e Lugenda como solução para electrificação de comunidades isoladas;
  • Os projectos visam reduzir a dependência de combustíveis fósseis e os custos associados à extensão da rede eléctrica convencional;
  • Estudos de viabilidade contam com parcerias internacionais, incluindo apoio técnico do Brasil;
  • A estratégia integra geração de energia com desenvolvimento agrícola e económico local.

A Electricidade de Moçambique (EDM) está a reforçar a aposta em mini-centrais hidroeléctricas como instrumento estratégico para acelerar a electrificação rural e promover o desenvolvimento económico regional, através de novos projectos previstos para os rios Lugela, na província da Zambézia, e Lugenda, no Niassa. A iniciativa insere-se na estratégia de diversificação da matriz energética nacional e de promoção de soluções sustentáveis para regiões afastadas da rede eléctrica principal .

Segundo António Nhassengo, director de Desenvolvimento de Negócios da EDM, os projectos vão além da simples produção de energia, procurando integrar actividades económicas complementares nas zonas ribeirinhas e criar condições para um ciclo de desenvolvimento local sustentável, apoiado por fornecimento eléctrico estável e fiável.

Mini-hídricas como resposta aos desafios da electrificação rural

A EDM reconhece que a extensão da rede eléctrica convencional para comunidades dispersas e de difícil acesso implica custos elevados e desafios técnicos significativos. Neste contexto, os aproveitamentos hidroeléctricos de pequena e média escala surgem como uma solução mais eficiente e economicamente viável, particularmente em regiões com potencial hídrico adequado.

No caso do rio Lugela, afluente da bacia do Licungo, na zona de Mocuba, os estudos preliminares indicam um potencial limitado, mas suficiente para garantir o abastecimento eléctrico de pequenas localidades, reduzindo a dependência de geradores a diesel e outros combustíveis fósseis. Já o rio Lugenda, no Niassa, apresenta regimes de caudal e declives naturais mais favoráveis, permitindo perspectivas de maior capacidade de geração e impacto regional mais amplo.

Parcerias técnicas e sustentabilidade dos projectos

Os projectos contam com apoio técnico internacional, incluindo parcerias com instituições do Brasil, país com larga experiência em aproveitamentos hidroeléctricos de pequena escala. Estes parceiros estão envolvidos na realização de estudos de viabilidade técnica, ambiental e económica, com o objectivo de assegurar um equilíbrio entre eficiência energética, sustentabilidade ambiental e viabilidade financeira.

A EDM sublinha que a componente ambiental é central na concepção das mini-hídricas, procurando minimizar impactos nos ecossistemas fluviais e assegurar uma utilização responsável dos recursos hídricos, em linha com os compromissos nacionais de transição energética e mitigação das alterações climáticas.

Energia como catalisador do desenvolvimento local

Para além da geração de electricidade, a estratégia da EDM procura articular energia e desenvolvimento económico local. O fornecimento eléctrico estável é visto como um factor crítico para impulsionar actividades agrícolas, agro-processamento, pequenos negócios e serviços sociais nas comunidades abrangidas.

Segundo Nhassengo, províncias como Niassa, Nampula e Cabo Delgado continuam a enfrentar desafios estruturais no acesso à energia, e a valorização sustentável dos recursos hídricos representa uma das formas mais eficazes de melhorar a qualidade de vida das populações e criar oportunidades de emprego e rendimento.

Um passo na consolidação das energias renováveis

Com estes projectos, a EDM reforça a sua aposta nas energias renováveis e em modelos descentralizados de produção eléctrica, alinhados com os objectivos de electrificação universal e de crescimento económico inclusivo. As mini-hídricas nos rios Lugela e Lugenda representam, assim, um passo estratégico na expansão da rede eléctrica nacional, combinando eficiência, sustentabilidade e impacto social positivo.

Num contexto em que a electrificação rural continua a ser um dos principais desafios do desenvolvimento em Moçambique, a iniciativa da EDM evidencia o potencial das soluções de pequena escala para transformar realidades locais e apoiar uma trajectória de crescimento regional mais equilibrada e sustentável.

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