
Eni Procura Novos Investidores Para Expandir Projectos de LNG em Moçambique e Reforçar Aposta no Coral Norte
- Gigante italiana negocia com grandes fundos internacionais uma operação financeira superior a mil milhões de euros baseada nos seus activos de gás natural liquefeito flutuante, enquanto acelera o desenvolvimento do Coral Norte no Rovuma Basin.
- Eni procura captar mais de mil milhões de euros junto de grandes fundos internacionais;
- Coral Norte surge como peça central da nova estratégia de expansão offshore em Moçambique;
- Projecto deverá custar mais de 7 mil milhões de dólares e duplicar produção moçambicana de LNG;
- Activos offshore ganham vantagem estratégica perante riscos de segurança nos projectos onshore;
- Competição global por LNG e tensões geopolíticas reforçam valor estratégico do gás moçambicano.
A petrolífera italiana Eni está a intensificar esforços para atrair novos investidores internacionais para os seus activos globais de gás natural liquefeito flutuante (FLNG), numa estratégia que coloca Moçambique no centro da próxima fase de expansão do mercado global de LNG.
Segundo informações avançadas pela Reuters, a empresa contratou o Morgan Stanley para estruturar uma potencial operação financeira envolvendo grandes fundos internacionais de infra-estruturas, incluindo Apollo Global Management, KKR e Stonepeak.
A operação poderá gerar pelo menos mil milhões de euros para a Eni, através de um modelo financeiro baseado nos fluxos futuros de receitas provenientes dos activos FLNG da companhia, incluindo os projectos em Moçambique e Congo.
Moçambique Consolida Papel Estratégico na Estratégia Global da Eni
O movimento confirma o crescente peso estratégico de Moçambique na carteira global de LNG da multinacional italiana, numa altura em que a procura internacional por gás natural continua elevada devido às tensões geopolíticas e à necessidade de diversificação energética na Europa e Ásia.
A Reuters refere que a Eni já opera três unidades FLNG offshore em África e prepara-se agora para avançar com uma nova plataforma flutuante em Moçambique — o projecto Coral Norte — considerado uma das peças centrais da actual expansão da empresa no mercado global de LNG.
O Coral Norte deverá representar um investimento superior a 7 mil milhões de dólares e terá capacidade anual estimada de cerca de 3,5 a 3,6 milhões de toneladas de LNG.
Quando entrar em operação, prevista para 2028, o projecto duplicará a actual produção moçambicana de gás natural liquefeito offshore para aproximadamente 7 milhões de toneladas por ano.
Coral Norte Surge Como Continuação do Sucesso do Coral Sul
O Coral Norte representa a continuidade da estratégia iniciada com o Coral Sul FLNG, a primeira plataforma flutuante de LNG de Moçambique, que iniciou exportações em 2022 a partir da Área 4 da Bacia do Rovuma.
Ao contrário dos grandes projectos onshore desenvolvidos por TotalEnergies e ExxonMobil, os projectos offshore liderados pela Eni conseguiram avançar sem grandes interrupções associadas aos desafios de segurança em Cabo Delgado.
Esta vantagem operacional tornou os activos FLNG particularmente atractivos para investidores internacionais, sobretudo num momento em que os mercados energéticos globais permanecem pressionados pelas tensões envolvendo o Irão e o Estreito de Ormuz.
Segundo fontes citadas pela Reuters, os activos da Eni oferecem exposição geográfica diversificada fora do Médio Oriente, reduzindo riscos associados à actual instabilidade naquela região.
Competição Global por LNG Reforça Interesse em África
O contexto internacional está igualmente a favorecer o reposicionamento estratégico do gás africano.
A própria Eni alertou recentemente que o mercado global de LNG deverá permanecer “finamente equilibrado” em 2026, devido à limitada folga da oferta, baixos níveis de armazenamento na Europa e recuperação da procura asiática.
Neste contexto, Moçambique ganha relevância crescente como futura plataforma de abastecimento energético global, sobretudo para mercados europeus que continuam empenhados em diversificar fornecedores após os choques energéticos dos últimos anos.
A estrutura accionista do Coral Norte evidencia igualmente a crescente internacionalização dos activos moçambicanos de gás. O projecto é desenvolvido por um consórcio liderado pela Eni (50%), incluindo a China National Petroleum Corporation, Korea Gas Corporation, Empresa Nacional de Hidrocarbonetos e a XRG, subsidiária da Abu Dhabi National Oil Company.
Financiamento Estruturado Reflecte Nova Lógica da Indústria Energética
A tentativa da Eni de trazer fundos de infra-estruturas para dentro dos seus activos FLNG reflecte também uma transformação mais ampla na indústria energética global.
Perante projectos cada vez mais intensivos em capital e ambientes geopolíticos mais voláteis, as grandes petrolíferas procuram reduzir exposição financeira directa, partilhando riscos com investidores institucionais especializados em activos de longo prazo e fluxos previsíveis de receitas.
Segundo a Reuters, uma das estruturas em análise prevê a criação de uma entidade financeira específica que passaria a receber receitas provenientes dos activos FLNG, em troca de um investimento inicial dos fundos.
A estratégia permitirá à Eni libertar capital para financiar novos projectos globais de LNG, incluindo futuras iniciativas em Moçambique e Argentina.
Moçambique Continua no Radar dos Grandes Mercados Energéticos
Apesar dos desafios persistentes ligados à segurança, infra-estruturas e ambiente de negócios, os recentes movimentos da Eni demonstram que Moçambique continua firmemente posicionado no radar dos grandes investidores energéticos globais.
A evolução do Coral Norte poderá igualmente funcionar como importante sinal de confiança internacional relativamente à capacidade do país consolidar-se como um dos principais produtores africanos de LNG nas próximas décadas.
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