
EUA dizem que são necessários US$ 3 biliões anualmente para financiamento climático, muito mais do que o nível actual
A Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, disse no sábado, que a transição global para uma economia de baixo carbono exige US$ 3 trilhões em novo capital a cada ano até 2050, muito acima do financiamento anual actual, mas que preencher a lacuna é a maior oportunidade económica do século XXI.
Yellen disse em Belém, cidade de entrada na Amazônia brasileira, que atingir as metas de emissões líquidas zero continua sendo uma prioridade para o Governo Biden-Harris e isso exigiria liderança muito além das fronteiras dos EUA.
“Negligenciar o enfrentamento das mudanças climáticas e da perda da natureza e da biodiversidade não é apenas uma má política ambiental. É uma má política económica”, disse Yellen em um discurso após participar de uma reunião de líderes financeiros do G20 na quinta e sexta-feira, 25 e 26 de Julho, no Rio de Janeiro, Brasil.
Economias ricas forneceram e mobilizaram um recorde de US$ 116 bilhões para financiamento climático para países em desenvolvimento em 2022, 40% dos quais vieram de bancos multilaterais de desenvolvimento (MDBs). Yellen disse que os bancos, incluindo o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estavam a definir novas metas.
A necessidade de financiamento é “a maior oportunidade económica do século XXI” e pode ser aproveitada para apoiar um crescimento sustentável e mais inclusivo, inclusive para países carentes de investimentos, disse ela.
Enquanto em Belém, Yellen se encontrou com ministros das finanças de países da bacia amazónica e com o Presidente do BID, Ilan Goldfajn. Ela reafirmou o compromisso dos EUA com a plataforma Amazonia Forever do banco, que fornece uma abordagem holística para o desenvolvimento sustentável na região por meio de financiamento, preparação de projetos e colaboração.
“Estamos esperançosos de que este programa incentive maiores investimentos do setor privado na região que apoia a natureza”, acrescentou ela.
Yellen pediu aos MDBs há quase dois anos para expandir suas missões e capacidade de empréstimo para incluir o combate às mudanças climáticas. Ela disse que isso estava “agora em seu DNA”, mas um investimento privado massivo era necessário, e o Tesouro, o Ministério das Finanças do Brasil e outras partes interessadas estavam a trabalhar para impulsionar o engajamento com o sector privado.
Ela disse que os bancos também devem catalisar novos modelos de negócios para mobilizar investimentos que apoiem a natureza e a biodiversidade, ao mesmo tempo em que fortalecem as economias e promovem as transições climáticas.
Antes, no sábado, Yellen lançou uma nova iniciativa com os países da bacia amazónica, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname, para combater crimes contra a natureza, como extração ilegal de madeira e extração de minerais e animais selvagens, que estão ameaçando a biodiversidade e o ecossistema amazónico.
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