
FENA Coloca Industrialização E Corredor De Nacala No Centro Da Agenda Económica
- Com mais de 300 expositores nacionais e estrangeiros, a Feira Económica de Nampula afirma-se como plataforma de promoção de negócios, investimento e transformação produtiva. Governo, sector privado e liderança provincial defendem uma economia menos dependente da exportação de matérias-primas e mais orientada para a produção, processamento local e acesso a mercados.
Questões-Chave
- A VII Feira Económica de Nampula reúne mais de 300 expositores dos sectores público e privado, empreendedores, artesãos e delegações estrangeiras.
- O Ministro da Economia, Basílio Muhate, defende que a FENA deve catalisar investimento, inovação, geração de emprego e ligação entre produção, mercados e investidores.
- A industrialização, a agregação de valor às matérias-primas e o reforço das cadeias agrícolas estiveram entre os temas centrais da abertura.
- O Corredor de Nacala foi apontado como plataforma estratégica para reduzir custos logísticos, aumentar exportações e transformar a província num centro regional de comércio e distribuição.
- O Governo prepara medidas para melhorar o ambiente de negócios, com atenção particular às micro, pequenas e médias empresas e à formação técnico-profissional da juventude.
A Feira Económica de Nampula entrou na sua sétima edição com uma mensagem clara: a província pretende reforçar a sua posição como centro de produção, investimento, industrialização e logística, convertendo o seu vasto potencial agrícola, mineral, energético e humano em riqueza mais diversificada e sustentável.
Com mais de 300 expositores, a FENA reúne empresas, instituições públicas e privadas, empreendedores, artesãos, investidores e parceiros nacionais e internacionais. A presença de participantes de diferentes províncias do país, bem como de delegações do Mali, Tanzânia e Brasil, reforça a crescente dimensão económica da feira e a ambição de Nampula em consolidar-se como uma referência de negócios no Norte de Moçambique.
Na abertura do certame, o Ministro da Economia, Basílio Muhate, definiu a FENA como um instrumento de dinamização económica, capaz de aproximar ideias, oportunidades, investimentos e mercados. Na sua leitura, a feira deve criar pontes entre produtores, empresários e investidores, contribuindo para o fortalecimento do sector privado, a expansão da actividade produtiva e a geração de emprego.
“A FENA é um instrumento catalisador do desenvolvimento económico, ao reunir no mesmo espaço ideias, oportunidades, investimentos e negócios, fortalecendo o sector privado, estimulando a inovação e criando pontes entre a produção, os mercados e os investidores para a geração de riqueza e emprego”, afirmou o governante.
Industrializar Para Gerar Mais Valor
O principal desafio colocado à província vai além da promoção comercial. A prioridade passa por acelerar a industrialização e transformar localmente uma parcela maior das matérias-primas produzidas em Nampula e na região Norte.
Basílio Muhate sublinhou que a realização da feira está alinhada com as orientações do Governo em matéria de dinamização do comércio, reforço da produção nacional, promoção do investimento, aumento das exportações e diversificação de bens e serviços. Esta visão enquadra-se na Política e Estratégia Comercial de Moçambique e na Estratégia Nacional de Desenvolvimento, que colocam a competitividade, a industrialização e a criação de emprego entre os pilares do crescimento económico.
Para uma província com forte vocação agrícola, a agregação de valor é particularmente relevante. Produtos como algodão, castanha de caju, cereais, oleaginosas, hortícolas e diversas culturas alimentares podem gerar maior rendimento e emprego quando integrados em cadeias de processamento, embalagem, conservação, distribuição e comercialização.
A aposta na indústria não significa abandonar a produção primária. Pelo contrário, pressupõe reforçar os elos que ligam agricultores, fornecedores de insumos, transportadores, unidades de transformação, comerciantes, instituições financeiras e mercados internos e externos. É essa articulação que pode tornar a produção local mais competitiva, reduzir perdas pós-colheita e aumentar o valor retido dentro da economia provincial.
Nampula Quer Converter Potencial Em Investimento
O Governador de Nampula, Eduardo Abdula, defendeu que a região deve deixar de ser vista apenas como fornecedora de matérias-primas. A visão apontada passa por transformar a base produtiva em actividade industrial, ampliar a transformação local e criar oportunidades económicas capazes de responder às exigências de uma economia moderna, inclusiva e orientada para os mercados.
A província dispõe de recursos agrícolas, minerais, energéticos e turísticos, mas também de uma população jovem e de um tecido empresarial em expansão. O desafio está em criar condições para que esses activos se convertam em investimento produtivo, emprego qualificado e empresas mais competitivas.
Neste contexto, a formação técnico-profissional surge como uma prioridade. Basílio Muhate defendeu uma participação mais activa do sector privado na qualificação da juventude, de modo a aproximar as competências disponíveis das necessidades reais das empresas, da indústria e dos serviços.
A ligação entre ensino, formação profissional e actividade empresarial será decisiva para que a industrialização encontre recursos humanos capazes de operar novas tecnologias, gerir unidades produtivas, melhorar processos e responder às exigências dos mercados regionais e internacionais.
Corredor De Nacala Como Plataforma De Crescimento
A dimensão logística esteve igualmente no centro do debate. O Corredor de Nacala foi apontado como um activo estratégico para a competitividade económica de Nampula e de Moçambique, pela sua ligação ao porto, à ferrovia e aos mercados da região.
Para o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Álvaro Massingue, o Corredor de Nacala deve ser encarado como uma plataforma integrada de desenvolvimento económico, industrial e logístico, e não apenas como uma infra-estrutura de transporte.
A abordagem é relevante porque a competitividade das empresas depende não só da sua capacidade de produzir, mas também da facilidade com que conseguem transportar mercadorias, aceder a insumos, chegar aos mercados e reduzir custos de distribuição. A melhoria das estradas, da ferrovia, do porto, dos serviços de transporte e das cadeias logísticas pode contribuir directamente para elevar as exportações e atrair novos investimentos.
A reabilitação e construção de cerca de 618 quilómetros de estradas, bem como a inauguração prevista da estrada Angoche–Mogovolas, foram apresentadas como intervenções que poderão facilitar o escoamento da produção e reduzir custos logísticos. Estas obras reforçam a necessidade de ligar os investimentos em infra-estruturas a uma estratégia de desenvolvimento produtivo, para que estradas e corredores se transformem efectivamente em canais de comércio, industrialização e emprego.
PME No Centro Da Estratégia De Desenvolvimento
A agenda da FENA atribui atenção particular às micro, pequenas e médias empresas, reconhecidas pelo Governo como a espinha dorsal da economia moçambicana. São estas empresas que asseguram grande parte da actividade comercial, da prestação de serviços, do emprego local e da ligação entre produtores, consumidores e mercados.
O Ministro da Economia indicou que o Executivo está a trabalhar num plano de acção para a melhoria do ambiente de negócios, procurando criar condições mais favoráveis ao investimento, ao empreendedorismo e à formalização empresarial.
Para as PME, a melhoria do ambiente de negócios passa por acesso mais previsível a financiamento, mercados, energia, logística, formação, informação comercial e serviços públicos. Passa também por uma maior integração nas cadeias de valor dos sectores estratégicos, incluindo agricultura, agro-processamento, comércio, turismo, indústria transformadora, construção e transportes.
“Pretendemos fortalecer as cadeias do sector agrícola e criar oportunidades para as micro, pequenas e médias empresas, para que se integrem de forma efectiva nos sectores estratégicos da nossa economia”, afirmou Basílio Muhate.
Uma Feira Que Procura Ir Além Da Exposição
A FENA constitui, assim, uma montra de bens e serviços, mas também um espaço de ligação entre actores económicos que raramente se encontram no mesmo ambiente: produtores, empresas, financiadores, instituições públicas, investidores, associações empresariais e consumidores.
A ambição de Nampula é que a feira contribua para criar negócios concretos, acordos de parceria, novas oportunidades de investimento e maior visibilidade para os produtos da província. A presença de expositores estrangeiros e de empresas de várias regiões do país pode ampliar a circulação de ideias, produtos, tecnologias e contactos comerciais.
O sucesso da FENA deverá, contudo, ser medido não apenas pela participação ou pelo número de visitantes, mas pela sua capacidade de gerar resultados depois do encerramento: contratos, parcerias, investimentos, cadeias de fornecimento, novas empresas, empregos e maior integração dos produtores locais nos mercados.
Ao colocar a industrialização, a formação da juventude, as PME e o Corredor de Nacala no centro da discussão, a feira reforça uma mensagem essencial para Nampula: o desenvolvimento económico sustentável dependerá da capacidade de transformar potencial em produção, produção em valor acrescentado e valor acrescentado em melhores oportunidades para as famílias moçambicanas.
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