FMI revê em baixa as perspetivas de crescimento da economia mundial

FMI recomenda a reorientação do crédito para o sector produtivo

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Dados mais recentes sobre a dinâmica do sistema financeiro nacional demostram uma incipiente recuperação do crédito bancário ao sector privado, tendo sido observado no último trimestre de 2018, uma evolução de 0.5% se comparado ao último trimestre de 2017. Aponta-se igualmente que o abrandamento das taxas de juro, aliado ao pagamento de atrasos ao sector privado e as perspectivas retomas do crescimento económico resultantes dos investimentos esperados no sector de petróleo e gás favoreceram o aumento da procura no mercado de crédito ao longo do ano de 2018.

Entretanto, apesar deste ligeiro crescimento, o mais recente estudo do Fundo Monetário Internacional sobre as perspectivas económicas da África subsaariana e Moçambique indica que grande parte do crédito vai para o consumo. Nesta senda, apesar do representante do FMI reconhecer a inclinação do crédito para o sector não produtivo, Ari Aisen sustentou que o facto de a ver mais disponibilidade do crédito para o consumo já é uma boa notícia, pois o país ficou praticamente dois anos de contracção do crédito em função de altas de juros.

“Isso é uma boa notícia, após praticamente dois anos de contracção do crédito em função de altas taxas de juro. É positivo porque pelo menos ao nível do consumo há concessão do crédito e já se vê uma melhora na situação financeira daqueles que estão tomando crédito que obviamente não o tomariam”, avalia Aisen.

Ari Aisen- Representante do FMI

Para o empresário João das Neves, a concentração do crédito para o consumo já era expectável, pois o próprio nível de taxas também assim o promove. Ora, quando questionado o representante do FMI em Moçambique sobre as implicações económicas da concentração do crédito para o consumo e não para o investimento, Ari Aisen disse ao O.Económico que o desafio de Moçambique face a esta realidade é o de expandir ou orientar o crédito para o sector produtivo, “e que outras empresas se sintam confortável em demandar o crédito e a banca sinta-se confortável em oferecer recursos a taxas que tem mais sentido para a ambas as partes e que isso poderia propulsar o investimento privado em função desse credito pouco mais disponível.”

Entretanto, face à escassez de crédito para o sector produtivo, o Presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de Moçambique apelou recentemente as empresas para se alistarem a Bolsa de Valores de Moçambique por forma a financiar-se em virtude da insuficiência da financiamento de iniciativas económicas na banca.

“Nós estamos preparados para ajudar os empresários e investidores a financiar-se, pois grande parte do crédito ainda vai para o consumo. Portanto, é necessário também que o crédito seja orientado significativamente para o investimento produtivo”, concluiu  Salim Valá.

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