GAFI Insta a Ação Global Contra Riscos Cripto: Apenas 40 Países Cumpriram Regras em 2025

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Questões-Chave

  • Apenas 40 de 138 jurisdições avaliadas são largamente conformes às normas cripto do GAFI;
  • Endereços de carteiras ilícitas terão recebido até 51 mil milhões USD em 2024;
  • A expansão das stablecoins está no centro das preocupações, com uso crescente por actores ilícitos;
  • Europa e EUA reforçam alertas sobre os riscos sistémicos do sector cripto;
  • O maior roubo de cripto da história, ligado à Coreia do Norte, foi registado em Fevereiro de 2025.

O Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) apelou a uma resposta internacional mais robusta face aos riscos crescentes associados aos criptoactivos, alertando que as falhas regulatórias em algumas jurisdições podem gerar consequências globais. O apelo surge numa altura em que crimes financeiros ligados a criptoactivos ganham escala, com destaque para o uso de stablecoins por redes criminosas internacionais.

O GAFI, organismo global sediado em Paris e responsável por definir padrões no combate ao crime financeiro, revelou que apenas 40 das 138 jurisdições avaliadas até Abril de 2025 são “largamente conformes” com as suas normas relativas a criptoactivos — uma melhoria modesta face às 32 jurisdições conformes em 2024. O alerta surge no contexto da crescente interligação entre o sector cripto e os mercados financeiros tradicionais.

Entre os principais riscos identificados está o volume de transações ilícitas: carteiras cripto ligadas a actividades criminosas terão movimentado até 51 mil milhões de dólares em 2024, segundo dados da Chainalysis. A dificuldade de rastrear os beneficiários finais de transações virtuais continua a ser um obstáculo persistente.

O GAFI destacou ainda o uso de stablecoins — criptomoedas indexadas a moedas fiduciárias — por actores ilícitos como a Coreia do Norte, redes de financiamento ao terrorismo e tráfico de drogas. Estes instrumentos estão, segundo o GAFI, no centro das novas estratégias de lavagem de capitais.

As preocupações não são isoladas. Em Abril, a Autoridade Europeia de Valores Mobiliários (ESMA) advertiu que a rápida expansão do mercado cripto representa um risco potencial à estabilidade financeira, sobretudo pela crescente exposição ao sistema financeiro tradicional.

Em Fevereiro de 2025, ocorreu o maior roubo de criptoactivos já registado, quando o FBI revelou que hackers ligados à Coreia do Norte roubaram cerca de 1,5 mil milhões de dólares da bolsa ByBit — facto que a Coreia do Norte continua a negar oficialmente.

O apelo do GAFI reforça a urgência de uma arquitectura regulatória coordenada e eficaz à escala global. Com os criptoactivos a ultrapassarem fronteiras e ganharem relevância nos fluxos financeiros internacionais, a inércia regulatória poderá amplificar vulnerabilidades sistémicas. A cooperação internacional, a vigilância contínua e o reforço das capacidades institucionais tornam-se imperativos no actual ecossistema digital financeiro.