
Garimpo Ilegal Volta a Cobrar Vidas na Zambézia e Reacende Debate Sobre Sustentabilidade da Mineração Artesanal
A morte de cinco garimpeiros no distrito de Gurué expõe os custos humanos, económicos e institucionais de uma actividade mineira fora do controlo do Estado, num contexto de fragilidades estruturais e ausência de alternativas económicas nas zonas rurais.
- A mineração artesanal ilegal continua a representar elevados riscos humanos e económicos;
- A ausência de fiscalização efectiva e de enquadramento legal agrava acidentes fatais;
- Chuvas intensas e escavações precárias aumentam a vulnerabilidade das minas clandestinas;
- A informalidade mineira gera perdas fiscais e instabilidade social;
- Casos na Zambézia e em Manica reforçam a urgência de uma política integrada para o sector.
Garimpo Ilegal em Gurué Evidencia Falhas na Regulação Mineira
Uma operação ilegal de extracção de minerais terminou em tragédia no distrito de Gurué, província da Zambézia, onde cinco garimpeiros perderam a vida após o colapso de uma mina artesanal improvisada na localidade de Mavuo. O incidente foi confirmado pela Rádio Moçambique, citando fontes da Polícia da República de Moçambique e autoridades distritais.
Segundo as informações divulgadas, dez garimpeiros encontravam-se a trabalhar no subsolo quando a estrutura rudimentar da mina cedeu. Cinco conseguiram escapar com vida, enquanto os restantes morreram soterrados, num cenário que volta a evidenciar os riscos extremos associados ao garimpo ilegal.
As autoridades apontam como causas principais a ausência total de medidas de segurança, a precariedade das escavações e as chuvas intensas que se registam na região norte da Zambézia, factores que fragilizaram ainda mais a estrutura clandestina.
Mineração Fora da Lei e Custos para o Estado
A porta-voz da PRM na Zambézia alertou que este tipo de exploração ocorre completamente à margem da lei, dificultando a acção fiscalizadora do Estado e impedindo a aplicação de normas mínimas de segurança e protecção da vida humana. As autoridades apelaram às comunidades locais para abandonarem o garimpo ilegal e colaborarem na denúncia de novas frentes clandestinas.
Para além da dimensão humana, o episódio de Gurué volta a colocar em evidência os custos económicos da mineração ilegal. Especialistas sublinham que estas actividades geram perdas fiscais significativas, alimentam cadeias informais de comercialização de minerais e perpetuam economias paralelas sem qualquer contribuição estruturada para o desenvolvimento local.
A informalidade mina também a capacidade do Estado de planear, regular e integrar a mineração artesanal numa estratégia mais ampla de aproveitamento sustentável dos recursos minerais.
Pobreza, Falta de Alternativas e Risco Permanente
A procura por ganhos rápidos, num contexto de escassez de oportunidades económicas formais, continua a empurrar milhares de jovens e adultos para actividades de alto risco. Sem enquadramento legal, sem protecção laboral e sem seguros, o garimpo ilegal transforma-se numa estratégia de sobrevivência com elevado custo humano.
Analistas alertam que, enquanto não forem criadas alternativas económicas viáveis e mecanismos de formalização da mineração artesanal, o fenómeno tenderá a persistir, independentemente das operações pontuais de fiscalização.
Manica Reforça Alerta Sobre o Sector Mineiro
O caso de Gurué ocorre num momento em que a província de Manica enfrenta igualmente um cenário delicado no sector mineiro. Nos últimos meses, várias operações foram suspensas ou encerradas pelas autoridades devido a incumprimentos ambientais, práticas ilegais e conflitos com comunidades locais.
Embora estas medidas tenham gerado impactos económicos locais, incluindo perda de empregos e redução de rendimentos, o Governo justificou-as como necessárias para restabelecer a legalidade, proteger o ambiente e salvaguardar vidas humanas.
A coexistência desordenada entre mineração industrial, mineração artesanal legal e garimpo ilegal continua a criar um ambiente de instabilidade permanente no sector.
Um Desafio Económico, Social e de Segurança
A tragédia de Gurué e os encerramentos registados em Manica ilustram, de forma clara, os desafios estruturais da mineração em Moçambique. Sem uma política pública robusta que combine fiscalização efectiva, formalização da mineração artesanal e criação de alternativas económicas sustentáveis, o país continuará a pagar um preço elevado em vidas humanas, instabilidade social e desperdício de potencial económico.
Mais do que episódios isolados, estes acontecimentos reforçam que a gestão sustentável dos recursos minerais é uma questão económica, social e de segurança nacional. Enquanto o garimpo ilegal persistir como única opção para muitas comunidades, o custo continuará a ser suportado pelas populações mais vulneráveis — e pelo próprio Estado.
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28 de Janeiro, 2026
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