• Investimento orçado em 1,5 biliões de dólares
  • Ligação entre Beira (Moçambique) e Ndola (Zâmbia)
  • Transporte de até 3,5 milhões de toneladas métricas de combustíveis por ano
  • Redução do tráfego rodoviário no Corredor da Beira
  • Armazenamento em Sofala e Ndola incluído
  • Possibilidade de financiamento internacional com capital russo


Anunciado pelo Presidente Daniel Chapo na abertura da MMEC 2025, o novo gasoduto entre Beira e Ndola será uma infra-estrutura transformadora para o comércio energético regional, com impacto logístico, económico e geopolítico.

Integração Logística e Segurança Energética

O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou a construção de um gasoduto que ligará o porto da Beira à cidade zambiana de Ndola, num investimento estimado em 1,5 biliões de dólares. O anúncio foi feito à margem da abertura da 11.ª Conferência de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC), e marca um novo capítulo na cooperação económica e energética entre Moçambique e Zâmbia.

O projecto surge como resposta estratégica ao desafio do transporte de combustíveis, oferecendo uma alternativa segura e eficiente ao uso intensivo da Estrada Nacional n.º 6, frequentemente saturada por camiões cisterna que ligam o porto moçambicano ao interior da região.

Características Técnicas e Horizonte Temporal

A nova infra-estrutura terá capacidade para transportar, anualmente, até 3,5 milhões de toneladas métricas de produtos petrolíferos, e contará com instalações de armazenamento em ambos os países. O comissionamento está previsto para um horizonte de quatro anos, embora os detalhes sobre o financiamento do projecto permaneçam por clarificar.

Especula-se, no entanto, que possa haver ligação com um plano anterior de desenvolvimento de um gasoduto tripartido envolvendo Moçambique, Zâmbia e Zimbabwe, com financiamento russo.

Complementaridade com a Nova Refinaria

Durante o mesmo evento, foi ainda anunciada uma parceria entre a Petromoc e a Aiteo Eastern E&P Group para a construção de uma refinaria modular em Moçambique, com capacidade para processar 200.000 barris diários. O projecto inclui a instalação de reservatórios com capacidade para 160.000 toneladas de combustíveis líquidos e 24.000 toneladas de gás de petróleo liquefeito (GPL).

Chapo sublinhou que esta refinaria irá transformar Moçambique num actor relevante na cadeia de valor dos combustíveis líquidos, com benefícios em termos de criação de emprego e substituição de importações.

Um Contexto Energético em Ascensão

A par do gasoduto e da refinaria, Moçambique consolida a sua posição como fornecedor estratégico de gás natural liquefeito (GNL), com destaque para o sucesso do Coral Sul FLNG, que já registou mais de 117 carregamentos desde o início da operação. O país aguarda agora o reinício dos megaprojectos onshore – o Mozambique LNG (liderado pela TotalEnergies) e o Rovuma LNG (da ExxonMobil) – que juntos representam mais de 30 mil milhões de dólares em investimento.

 

Moçambique Como Hub Energético Regional

Estes desenvolvimentos reforçam a visão do Executivo moçambicano de posicionar o país como plataforma energética regional, apostando numa matriz diversificada e em soluções de infra-estrutura que liguem o litoral moçambicano aos mercados do interior africano, como a Zâmbia, o Zimbabwe e a RDC.

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