Governo do Reino Unido aboliu o plano para cortar os impostos dos que auferem rendimentos elevados

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O facto está sendo classificado como uma “grande inversão de marcha”, que mina a credibilidade do novo Governo, enquanto outra perspectiva considera o gesto como de “idoneidade e responsabilidade”

Na segunda-feira, o Governo do Reino Unido revogou um plano que previa corte na taxa máxima de impostos de renda depois de uma repercussão pública e turbulência nos mercados.

O novo Governo anunciou um enfaixe dos cortes de impostos poucas semanas antes da sua entrada em vigor, mas foi friamente recebido pelos mercados financeiros.  Baixar a taxa máxima de impostos de renda a mais de 150,000 libras (166,770 dólares) de 45% para 40% foi visto particularmente como politicamente tóxico, já que os britânicos lidam com uma crise de custo de vida.

Dias após o anúncio, a libra caiu severamente, acordos de hipoteca foram extraídos dos mercadose os títulos públicos do Governo do Reino Unido começaram a vender a uma taxa histórica que levou o Banco da Inglaterra a iniciar um programa de aquisição temporária para acalmar a volatilidade.

Na segunda-feira, o Ministro das Finanças Kwasi Kwarteng confirmou que o Governo estaria a polir o seu plano de cortar os impostos para os que auferem rendimentos elevados no país. “Está claro que a abolição da taxa de impostos de 45% tem sido uma distração para a nossa missão primordial de nos equiparar aos desafios que afrontam a nossa economia”, afirmou Kwarteng. “Como resultado, anúncio que nós não vamos proceder com a abolição da taxa de impostos de 45%. Nós ouvimos e entendemos.”

A libra, sucintamente, dá um salto

A libra britânica subiu bruscamente na manhã de segunda-feira em meio de informações que já circulavam dando conta de que Governo do Reino Unido estava para anunciar a inversão de marcha. A esterlinaestava 0.8% acima do dólar até certo ponto, mas caiu para 1.1212 dólares pelas 07:30 da manhã no horário de Londres depois que a informação foi confirmada. Jane Foley, estrategista sénior do Banco Holandês Rabobank, disse que “embora as ações do Reino Unido estejam a reagir bem à inversão de marcha, estas estão muito longe de sair dos bosques.”

O Banco da Inglaterra viu-se na contingência de intervir no mercado de títulos públicosdo Reino Unido, semana passada, suspendendo o início planeado de suas vendas de giltse, temporariamente, comprando títulos públicosde longa duração. As gilts são os títulos públicosdo Governo do Reino Unido. Os rendimentos de gilts de dez anos -o índice de interesse pago em títulos públicosque move inversamente aos preços- subiu a uma taxa recorde em Setembro, causando instabilidade no fundo de pensão e emissão de hipotecas. Os rendimentos de dois e trinta anos subiram a uma taxa mais alta desde 1994.

 Os rendimentos de gilts de dez anos estavam muito baixos na manhã de segunda-feira, 26 de Setembro, com a queda dos rendimentos a quase 2%, os de dois anos eram variáveis. “Haverá ainda emissão de mais gilts este ano, e como são as coisas, o apoio extraordinário do Banco da Inglaterra vai cessar em 14 de Outubro e, ajustes quantitativos devem começar em 31 de Outubro, embora haja muita especulação de que há muitas chances de isso não acontecer”, acrescentou Foley.

A grande reviravolta

Com o partido Conservador no poder em votação opcional desde o seu dito mini orçamento, que também foi criticado, em lance raro, pelo Fundo Monetário Internacional, com alguns dos membros do Partido a pronunciaram-se manifestamente contra a proposta.

Grant Shapps, antigo secretário dos transportes, disse numa entrevista a BBC, na manhã de segunda-feira, 03 de Outubro, que a revogação do corte da taxa máxima de impostos foi uma “reação sensível” porque cortes de impostos para “pessoas que menos precisam, chocou o povo de uma forma desproporcional.”

A reviravolta foi classificada por diversos círculos políticos e financeiros de Londres, como um grande e humilhante recuo da nova Primeira Ministra Liz Truss,que insistiu, mesmo até o domingo quer estava “totalmente comprometida” com o corte. Ela também revelou que o plano foi instigado por Kwarteng e não tinha sido anunciado em todo o seu Gabinete.

Truss admitiu num tweet, na segunda-feira, que “ a abolição da taxa de 45% foi uma distração da (nossa) missão de levar a Britânia à diante”. “O nosso foco é construir  uma economia de grande escala que financia os serviços públicos do mundo, levanta os salários e cria oportunidades pelo país”. Disse Liz Truss.

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