Governo Vai Apresentar Projecto Ferroviário Norte–Sul Avaliado Em 7,2 Mil Milhões De Dólares

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Executivo concluiu estudos preliminares e prepara ida ao mercado para mobilização de financiamento de uma linha com cerca de 1.500 quilómetros.

Questões-Chave:
  • O Governo vai apresentar, em Março, o projecto de construção da ferrovia Norte–Sul, avaliado em 7,2 mil milhões de dólares;
  • O projecto prevê uma extensão aproximada de 1.500 quilómetros;
  • O Executivo concluiu os estudos preliminares e prepara a mobilização de recursos financeiros;
  • As cheias reforçaram a necessidade de integração entre transporte rodoviário, ferroviário e marítimo.

O Governo moçambicano vai apresentar, em Março, o projecto de construção da linha ferroviária que ligará o norte e o sul do país, um investimento estimado em 7,2 mil milhões de dólares norte-americanos, num movimento que sinaliza uma aposta estrutural na diversificação e resiliência do sistema nacional de transportes.

Projecto Entra Na Fase De Mobilização De Financiamento

Segundo o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, o Executivo concluiu, ao longo do último ano, a avaliação da variante do traçado ferroviário Norte–Sul e encontra-se agora em condições de submeter o conceito à aprovação governamental, antes de avançar para o mercado com vista à mobilização de recursos financeiros.

“Finalizámos a avaliação da variante da ferrovia Norte–Sul e, uma vez aprovado o conceito, o Governo fará o anúncio formal. Acreditamos que até ao fim da época chuvosa, em Março, esse anúncio será feito”, afirmou o governante, à margem da reabertura da Estrada Nacional Número Um (EN1).

De acordo com Matlombe, a primeira fase do projecto terá uma extensão aproximada de 1.500 quilómetros, ligando de forma contínua as regiões Norte e Sul do país por via ferroviária.

Cheias Evidenciam Fragilidade Da Dependência Rodoviária

O Ministro dos Transportes sublinhou que a actual época chuvosa voltou a expor a vulnerabilidade da excessiva dependência do transporte rodoviário, defendendo uma abordagem integrada que combine infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias e marítimas.

“As chuvas demonstraram a importância de articularmos os diferentes modos de transporte, para evitar que o país fique refém de um único eixo terrestre”, afirmou João Matlombe, acrescentando que o sector concluiu igualmente estudos para um projecto rodoviário alternativo à EN1.

Ferrovia Como Eixo Estruturante Da Coesão Territorial

A ferrovia Norte–Sul é apresentada como um projecto estruturante para a coesão territorial, a mobilidade de pessoas e mercadorias e a redução dos custos logísticos internos, num país cuja geografia impõe longas distâncias e elevados custos de transporte.

A iniciativa insere-se numa visão de médio e longo prazo de reforço da resiliência económica, mitigação do impacto de choques climáticos e melhoria da competitividade dos corredores logísticos nacionais.

EN1 Reaberta, Mas Desafios Persistem

O anúncio do projecto ferroviário ocorre num contexto em que o país procura normalizar a circulação rodoviária após semanas de interrupções provocadas por chuvas e cheias. Na sexta-feira, o Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou a reposição do tráfego na EN1, principal artéria terrestre do país.

Antes disso, Daniel Chapo havia visitado o troço entre 3 de Fevereiro e Incoluane, onde recomendou o reforço de meios e o prolongamento dos horários de trabalho por parte do empreiteiro, permitindo a reabertura da via dentro do prazo inicialmente avançado.

Apesar da reposição da circulação, o Chefe do Estado reconheceu que as chuvas continuam a afectar milhares de famílias e garantiu que o Governo prosseguirá os esforços de apoio e mitigação dos impactos.

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