
● Puma Energy diz que a situação actual é insustentável
● Governo aponta revisão da legislação que regula o mercado interno de combustíveis
O Presidente da petrolífera Puma, para África, Fadi Mitri alerta que está iminente uma crise séria de combustíveis causada pela impossibilidade que as gasolineiras têm, no momento, de importar quantidades suficientes pelo facto de as mesmas se encontrarem numa situação ilíquida causada pela divida que o Estado tem para com estas que ascendem a os 380 milhões de dólares.
Fadi Mitri diz que a Puma faz o alerta movido pela responsabilidade corporativa e pela posição que detem no mercado moçambicano de combustíveis, dissipar duvidas e precaver o mercado (instituições, empresas, famílias e indivíduos) de que a situação é mesmo real e tende a agravar-se, dia após dia
Fadi Mitri aponta duas saídas: o Governo paga a divida, ou permite a subida de preço. O certo é que, para ele, a situação actual é insustentável e atingiu mesmo o ponto de ruptura.
Para Fadi Mitri, na situação actual quem subsidia o combustível, na prática, são as gasolineiras e estas, não têm nem a capacidade nem o dever de o fazer.
“Moçambique está hoje à beira de uma grave crise de combustíveis, por duas razões: o preço é muito baixo face ao custo real do produto e quem subsidia esta situação são as empresas do mercado retalhista petrolífero”, referiu Fadi Mitri num encontro com os media que serviu para prestar esclarecimentos e informar sobre a situação corrente no sector.
“O Governo deve cerca de 25 mil milhões de meticais à indústria das gasolineiras e esta é uma situação insustentável”, referiu o líder de uma das operadoras no mercado.
A situação é descrita por Fadil Matri, de tal ordem dramática, que as gasolineiras já não conseguem, por exemplo, ter acesso aos serviços financeiros, crédito junto a banca comercial em virtude da deterioração da sua saúde financeira.
“Quando a dívida se prolonga, os bancos começam a rejeitar os pedidos de crédito”
Mitri revelou que nos meses de maio e abril deste ano, as distribuidoras de produtos petrolíferos reduziram a importação de combustíveis em 54% face ao mesmo período de 2022, e que dentro de dois a três meses poderá haver escasses de combustíveis em Moçambique”.
Confrontado sobre qual a solução que advoga face a situação que se vive, reconhecendo-se que o Governo alega que não existem condições sociais e económicas para subir o preço. Mtri não vê outra solução que não seja subir os preços.
“Os preços devem subir, no gasóleo, em 4,55 meticais por litro. Na gasolina não é necessário. Isso não significa que haverá um reembolso imediato dos 25 mil milhões de meticais que o Governo deve, mas, com esta medida, a dívida começa a cair”. Frisa Mitri
“Se a dívida começar a cair, o mercado vai perceber que o Governo está a reagir”, ao fim de conversações que duram “há 18 meses” e “poderíamos começar a olhar para o futuro “, explicou.
Desde 1 de julho de 2022, data do último ajuste, a gasolina passou a custar 86,97 meticais (1,24 euros) e o gasóleo passou para 87,97 meticais (1,26 euros) por litro.
Num outro desenvolvimento, questionado pelo O.Económico sobre a sustentabilidade do modelo actual de fixação do preço de combustitivel em Moçambique, Matri disse que ‘design é bom, “mas tem as suas vicissitudes, e que era preciso lidar adequadamente com as implicações o figurino actual em vigor de determinação do preco de combustíveis em Moçambique.
Falando numa perspectiva mais estrategiuca para o desenvolvimento do mercado interno de combustíveis Fadi Matri, disse que o País tem condições de ser o hub regional do comercio de combustíveis e apontou a implantação de pipelines como uma medida que podem contribuir para uma maior eficiência, competividade e economias de escala que, a par de assegurar a estabilidade e a continuidade do abastecimento, podem ter impacto na redução dos preços no mercado interno, pelos ganhos de eficiência que podem proporcionar.
A Puma Energy detém cerca de 18% da quaota de mercado do retalho de combustíveis no País sendo que no ramos da aviação a sua quota é de 56%.
Governo atento a situação
Entretanto, o
Director Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis no Ministério dos Recursos
Minerais e Energia, Moisés Paulino, disse que o governo está a acompanhar
atentamente o desenrolar o mercado interno e internacional dos combustíveis
Em conferência de
imprensa, assegurou que as autoridades
“estão a monitorar a situação dos preços de combustíveis no mercado
internacional, com vista a minorar o seu impacto na actividade económica no
País.”
Como parte dos
esforços para encontrar saídas sustentáveis para a situação, revelou Moisés
Paulino, que o Executivo está a
trabalhar para rever o decreto sobre a marcação do preço de combustíveis, como
forma de salvaguardar a economia nacional e do consumidor final, dos possíveis
impactos do agravamento do preço praticado no mercado moçambicano.
“A revisão do decreto
afigura se como uma oportunidade para conferir maior flexibilidade ao Governo
na gestão do preço de combustíveis, no contexto de muita volatilidade nos
preços de combustíveis no mercado internacional”. Disse
Segundo Moisés
Paulino, “a redução dos níveis de produção do recurso anunciada semana passada
pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) vai provocar alguma
flutuação dos preços, não a nosso favor, mais sim daqueles que fazem este
negócio”.
Moisés Paulino
admitiu que internamente, os preços de combustível actualmente praticados na
rede de retalho não são os realísticos.
“O Governo está
tudo a fazer para que o agravamento do preço no mercado internacional não
afecte tanto a economia nacional, assim como o consumidor final. O que pode
acontecer é um ligeiro agravamento para acompanhar esta procura não boa no
mercado internacional dos preços a serem praticados no mercado interno”,
disse.
Sobre os
posiocinamentos que os oeradopres do sector tem vindo a tornar publico, quer
colectivamente , através da AMEPETROL, quer individualmente, como o fez a Puma
Energy, Moises Paulino classificou tais como como sendo, fundamentalmente
“pressão psicológica” por antecipação por antecipação, com vista a gerir a sua
futura liquidez (rentabilidade) que pode ser comprometida com
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