
Inflação fecha 2025 em 3,23%, com alimentos a liderarem a pressão sobre os preços
IPC de Dezembro mostra aceleração mensal de 0,49%, impulsionada sobretudo pelos preços dos produtos alimentares, num contexto de pressões sazonais e assimetrias regionais.
- A inflação mensal foi de 0,49% em Dezembro, com os alimentos a explicarem a maior parte da variação;
- A inflação acumulada em 2025 fixou-se em 3,23%, abaixo da média de 12 meses, que atingiu 4,37%;
- Tete, Beira e Xai-Xai lideraram os aumentos mensais de preços, evidenciando disparidades regionais.
Moçambique encerrou o ano de 2025 com uma inflação acumulada de 3,23%, num quadro de aceleração dos preços em Dezembro, impulsionada essencialmente pela subida dos produtos alimentares. Os dados do Índice de Preços no Consumidor (IPC), divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, confirmam uma pressão inflacionista moderada no plano anual, mas com sinais de maior volatilidade no curto prazo.
Alimentos voltam a ditar o ritmo da inflação mensal
Em Dezembro de 2025, o nível geral de preços registou um aumento mensal de 0,49%, reflectindo sobretudo a evolução dos preços da divisão de Alimentação e bebidas não alcoólicas, que contribuiu com cerca de 0,43 pontos percentuais para a inflação do mês.
Entre os produtos com maior impacto destacam-se o tomate, com um aumento expressivo de 17,0%, o feijão bóer, que registou uma subida acentuada de 72,7%, a alface (10,4%), a batata reno (8,7%) e a galinha viva (4,3%). Estes aumentos traduzem, em grande medida, factores sazonais associados ao período chuvoso e constrangimentos na cadeia de abastecimento.
Inflação anual mantém-se contida, mas com focos de pressão
No acumulado do ano, a inflação situou-se em 3,23%, com as divisões de Alimentação e bebidas não alcoólicas e de Restaurantes, hotéis, cafés e similares a assumirem um papel determinante, ao contribuírem com 1,87 e 0,70 pontos percentuais, respectivamente.
Produtos como peixe seco, pão de trigo, arroz em grão, carapau e refeições completas em restaurantes estiveram entre os principais responsáveis pela variação acumulada, reflectindo tanto pressões de custos como alterações nos padrões de consumo urbano.
Média de 12 meses expõe pressões estruturais no custo de vida
A inflação média dos últimos 12 meses atingiu 4,37%, valor superior à inflação acumulada do ano, sinalizando que as pressões inflacionistas foram mais intensas em parte significativa de 2025. As maiores variações médias anuais ocorreram nas divisões de Alimentação e bebidas não alcoólicas (10,25%) e de Restaurantes, hotéis, cafés e similares (7,76%), sectores fortemente sensíveis à evolução dos custos logísticos, energéticos e de matérias-primas.
Tete e Beira lideram subida de preços no plano regional
A análise regional revela que todas as cidades abrangidas pelo IPC registaram aumento de preços em Dezembro, com destaque para a Cidade de Tete (0,87%), seguida da Beira (0,71%) e de Xai-Xai (0,70%).
No acumulado do ano, Tete voltou a evidenciar a maior inflação, com 8,66%, contrastando com aumentos mais moderados em Maputo (1,25%) e Nampula (1,12%), o que sublinha a persistência de assimetrias regionais no custo de vida.
O comportamento do IPC em Dezembro confirma uma aceleração pontual dos preços, liderada pelos produtos alimentares, num quadro de inflação anual ainda contida. Os dados evidenciam, contudo, pressões sazonais relevantes e assimetrias regionais persistentes, com maior incidência em algumas capitais provinciais, num contexto de vulnerabilidades na cadeia de abastecimento durante a época chuvosa.
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