
Investimento Global Sobe 37%, Mas Novos Projectos Recuam 15% e África Perde 33% no Financiamento de Infra-Estruturas
O investimento directo estrangeiro mundial aumentou expressivamente no primeiro semestre de 2026, mas a recuperação esconde uma tendência menos favorável: há menos novos empreendimentos, menos operações internacionais de financiamento de projectos e uma concentração crescente de capitais nas economias desenvolvidas e nas tecnologias estratégicas. Segundo a UNCTAD, África registou uma redução de 19% nos anúncios de novos projectos e de 33% nas operações de financiamento internacional, numa conjuntura em que o encarecimento do capital e as tensões geopolíticas estão a alterar os critérios de investimento.
Questões-Chave:
- Investimento directo estrangeiro mundial cresce 37% no primeiro semestre de 2026, face à média semestral de 2025, mas os novos projectos anunciados diminuem 15%;
- Fusões e aquisições internacionais atingem US$ 494 mil milhões nos primeiros nove meses, apesar de o número de transacções cair 23%;
- África regista uma redução de 19% nos novos projectos e de 33% nas operações internacionais de financiamento de projectos;
- Investimentos associados aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável recuam mais de 25% nas economias em desenvolvimento;
- Inteligência artificial, semicondutores e outras indústrias estratégicas concentram uma parcela crescente do capital, colocando novos obstáculos à industrialização das economias de menor rendimento;
- Para Moçambique, a mudança na estrutura do investimento internacional aumenta a importância da preparação dos projectos, da capacidade de financiamento e da integração das empresas nacionais nas cadeias de valor.
O investimento directo estrangeiro mundial registou uma recuperação expressiva no primeiro semestre de 2026, mas os dados mais recentes das Nações Unidas revelam que o aumento dos fluxos financeiros não está a ser acompanhado por uma expansão equivalente da actividade produtiva internacional.
Segundo o Global Investment Trends Monitor n.º 51, divulgado no domingo, 25 de Outubro, pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), os fluxos de investimento directo estrangeiro aumentaram 37% relativamente à média semestral de 2025, impulsionados sobretudo pelas economias desenvolvidas.
A evolução contrasta com uma redução de 15% nos anúncios de novos projectos de investimento, conhecidos como greenfield, e de 11% nas operações internacionais de financiamento de projectos.
A divergência evidencia uma característica central da actual conjuntura: as grandes transacções financeiras continuam a movimentar montantes elevados, mas a formação de novos empreendimentos e a expansão da capacidade produtiva apresentam sinais de enfraquecimento.
A UNCTAD salienta que o aumento do valor global das transacções está a ser sustentado por operações de grande dimensão, megaprojectos e movimentações financeiras concentradas em determinadas economias, em vez de uma recuperação generalizada do investimento internacional.
O relatório surge num momento em que governos, instituições financeiras, fundos soberanos e investidores empresariais estão reunidos em Doha, no Qatar, para a nona edição do World Investment Forum, realizada entre 25 e 27 de Outubro, sob o lema Investing in the Future.
Na abertura do encontro, Pedro Manuel Moreno, secretário-geral interino da UNCTAD, advertiu que a economia mundial entrou numa nova fase em que as decisões de investimento são crescentemente influenciadas pelas políticas industriais, pela segurança económica e pelas prioridades estratégicas dos Estados.
O responsável sintetizou a transformação com uma afirmação particularmente expressiva:
“Entrámos numa nova era do investimento: a era da estratégia.”
Segundo Moreno, durante décadas o capital internacional foi orientado sobretudo pela eficiência e pelos custos de produção. Actualmente, governos e empresas atribuem crescente importância ao controlo das cadeias de abastecimento, à segurança tecnológica e à localização das indústrias consideradas estratégicas.
Grandes Transacções Elevam os Valores, Enquanto o Número de Investimentos Diminui
A evolução das fusões e aquisições internacionais constitui um dos exemplos mais claros da divergência identificada pela UNCTAD.
Nos primeiros nove meses de 2026, o valor das operações transfronteiriças aumentou 57%, alcançando US$ 494 mil milhões. Contudo, o número de transacções diminuiu 23%.
O crescimento reflecte, portanto, uma maior concentração de capital em operações de elevado valor, sem corresponder a um aumento do número de empresas adquiridas ou de transacções realizadas.
A distinção é economicamente importante porque as fusões e aquisições podem representar transferências de propriedade de activos existentes, enquanto os investimentos greenfield estão directamente associados à instalação ou expansão de novas unidades produtivas.
Embora as aquisições também possam gerar investimento subsequente, não asseguram automaticamente o aumento da capacidade instalada, da produção ou do emprego.
Investimento Mundial | Primeiros Indicadores de 2026
| Indicador | Variação | Observação |
|---|---|---|
| Fluxos de IDE · 1.º semestre | +37% | Face à média semestral de 2025 |
| Novos projectos anunciados | −15% | Estimativa anualizada |
| Valor de fusões e aquisições | +57% | US$ 494 mil milhões em nove meses |
| Número de fusões e aquisições | −23% | Estimativa de actividade |
Fonte: UNCTAD, Global Investment Trends Monitor n.º 51, 25 de Outubro de 2026. Os indicadores abrangem períodos de observação diferentes.
Os fluxos de investimento para economias desenvolvidas aumentaram mais de 70% relativamente à média semestral de 2025, sobretudo devido a movimentações financeiras através da Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo, e a uma quase duplicação das entradas de capital nos Estados Unidos.
Nas economias em desenvolvimento, o investimento directo estrangeiro registou um crescimento bastante mais moderado, de 8%, enquanto o número de novos projectos anunciados caiu mais de um quinto.
A evolução reforça uma preocupação identificada pela UNCTAD: os agregados financeiros podem apresentar sinais de recuperação mesmo quando diminui o número de iniciativas empresariais capazes de criar novas instalações produtivas, empregos e oportunidades para fornecedores locais.
África Regista Uma das Maiores Quedas no Financiamento de Projectos
O desempenho africano é particularmente significativo no conjunto dos resultados apresentados.
Segundo o relatório, os anúncios de novos projectos de investimento em África diminuíram 19%, enquanto as operações internacionais de financiamento de projectos recuaram 33%.
Esta última categoria abrange operações frequentemente utilizadas para financiar infra-estruturas energéticas, sistemas de transporte, empreendimentos industriais e outros investimentos de capital intensivo.
A queda de 33% no financiamento internacional de projectos não significa uma redução equivalente do valor monetário investido, mas indica que um número substancialmente menor de operações chegou à fase de anúncio ou estruturação financeira registada pela UNCTAD.
A redução assume particular importância num continente em que as necessidades de investimento em energia, transportes, água, saneamento e infra-estruturas produtivas permanecem elevadas.
O financiamento destes empreendimentos envolve frequentemente maturidades longas, riscos de construção, receitas futuras incertas e diferentes mecanismos de repartição de riscos entre investidores privados, instituições financeiras e Estados.
O encarecimento do capital, a volatilidade cambial e a incerteza geopolítica podem tornar mais difíceis os processos de financiamento, sobretudo em países onde os mercados domésticos de capitais apresentam reduzida profundidade.
A queda observada em África corresponde, assim, a um sinal de menor dinamismo na formação de novos investimentos, sem permitir concluir que todas as economias do continente estejam a enfrentar a mesma intensidade de contracção.
Financiamento do Desenvolvimento Sustentável Regride Mais de 25%
Uma das conclusões mais preocupantes do relatório relaciona-se com a redução do investimento nos sectores que sustentam o desenvolvimento económico e social.
Nas economias em desenvolvimento, o número de novos projectos anunciados em áreas relacionadas com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) caiu mais de 25%.
As áreas abrangidas incluem energia, infra-estruturas, saúde, educação, água, saneamento e sistemas agroalimentares.
A redução foi particularmente expressiva nas energias renováveis, onde o número de operações internacionais de financiamento diminuiu cerca de um terço, em contraste com uma queda de apenas 4% nas economias desenvolvidas.
Estes números revelam que o capital internacional está a tornar-se mais selectivo precisamente em sectores caracterizados por necessidades elevadas de investimento de longo prazo.
O financiamento de infra-estruturas apresenta características distintas das operações financeiras convencionais. Os projectos exigem grandes desembolsos iniciais, apresentam períodos prolongados de recuperação do capital e dependem, frequentemente, de receitas futuras associadas à utilização das instalações.
Quando os custos de financiamento aumentam, parte destes investimentos perde atractividade comercial, sobretudo em economias com maior risco cambial ou regulatório.
A redução do número de operações pode, assim, comprometer a preparação de novos projectos que seriam necessários para ampliar a capacidade de geração eléctrica, melhorar sistemas de abastecimento de água ou modernizar redes de transporte.
O problema ganha maior expressão quando os países afectados dispõem de espaço orçamental limitado para substituir o financiamento privado por investimento público.
A UNCTAD identifica esta combinação de custos elevados do capital e incerteza económica como uma das principais razões para a deterioração da actividade internacional de financiamento de projectos.
Inteligência Artificial Reorganiza o Mapa Mundial do Investimento
Enquanto os investimentos em sectores tradicionais de desenvolvimento enfrentam restrições, as tecnologias estratégicas absorvem uma parcela crescente dos recursos internacionais.
Segundo a UNCTAD, mais de 40% do valor dos investimentos greenfield anunciados nos Estados Unidos durante 2026 esteve associado a sectores relacionados com inteligência artificial.
O relatório destaca, entre outros exemplos, o anúncio de uma expansão de US$ 76,5 mil milhões da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) nos Estados Unidos.
O movimento integra uma transformação mais ampla das estratégias industriais das grandes economias, caracterizada pelo recurso a incentivos fiscais, subsídios, mecanismos de avaliação de investimentos estrangeiros e políticas comerciais destinadas a assegurar capacidade produtiva em sectores considerados estratégicos.
Pedro Manuel Moreno, da UNCTAD, salientou na abertura do Fórum de Doha que estas indústrias — semicondutores, inteligência artificial, energia limpa e minerais críticos — representam actualmente quase metade do novo investimento greenfield mundial, comparativamente a aproximadamente um sexto há cinco anos.
O responsável advertiu que as oportunidades proporcionadas por esta transformação não estão distribuídas de forma equilibrada.
De acordo com a sua intervenção, as economias menos desenvolvidas e de rendimento médio-baixo recebem apenas cerca de 10% dos investimentos em sectores estratégicos, uma proporção inferior à sua participação noutros ramos de actividade.
O problema resulta das exigências de capital, energia, competências técnicas e capacidade institucional associadas às novas indústrias.
A instalação de centros de dados, por exemplo, necessita de abastecimento eléctrico fiável, conectividade internacional, instalações especializadas e quadros profissionais qualificados.
A UNCTAD revela que o valor dos investimentos anunciados em novos centros de dados nas economias em desenvolvimento diminuiu US$ 32 mil milhões, sugerindo maior concentração destas infra-estruturas nos países de rendimento elevado.
O fenómeno introduz o risco de aprofundamento das diferenças de produtividade entre economias.
Os países que atraem instalações tecnológicas avançadas podem acumular competências, fornecedores especializados e infra-estruturas digitais. Aqueles que permanecem à margem podem enfrentar maiores dificuldades para participar nas novas cadeias de valor.
Ao defender uma abordagem mais activa das políticas de investimento, Moreno considerou que os países em desenvolvimento necessitam de estratégias próprias, instituições mais eficazes, competências profissionais e parcerias empresariais capazes de converter oportunidades tecnológicas em capacidade produtiva.
Conflito no Médio Oriente Agrava a Contracção do Investimento
A instabilidade geopolítica constitui outro elemento determinante na evolução recente do investimento internacional.
A UNCTAD identifica o conflito no Médio Oriente como uma fonte adicional de incerteza, com efeitos sobre os custos energéticos, as cadeias de abastecimento e as decisões empresariais de investimento.
Na Ásia Ocidental, os anúncios de novos projectos diminuíram 52% em 2026, enquanto as operações internacionais de financiamento de projectos registaram igualmente quedas expressivas.
A redução estende-se aos países do Conselho de Cooperação do Golfo, região que desempenha um papel importante no financiamento internacional de infra-estruturas, energia e empreendimentos imobiliários.
Segundo o relatório, os investimentos internacionais em financiamento de projectos anunciados por investidores do Golfo caíram para menos de metade no segundo trimestre de 2026, tanto na comparação homóloga como relativamente à média dos cinco anos anteriores.
O desenvolvimento é particularmente relevante porque, em 2025, os investidores destes países tinham anunciado compromissos superiores a US$ 93 mil milhões em financiamento internacional de projectos de energias renováveis e infra-estruturas.
A redução dos investimentos externos ocorreu simultaneamente com um aumento expressivo dos investimentos domésticos, embora grande parte dessa expansão tenha resultado de um único projecto imobiliário de aproximadamente US$ 55 mil milhões anunciado pelo grupo Emaar, no Dubai.
Esta divergência sugere uma possível reorientação dos capitais para oportunidades domésticas e operações de grande escala, num contexto em que a segurança económica e a gestão do risco ganharam importância.
A UNCTAD assinala ainda que, na primeira metade de 2026, os anúncios de projectos turísticos diminuíram 28% a nível mundial, enquanto os investimentos anunciados em transportes e armazenamento recuaram 22%.
A combinação de custos energéticos elevados, disrupções logísticas e maior incerteza geopolítica está, assim, a afectar sectores intensivos em capital e particularmente expostos ao comércio internacional.
Moçambique Enfrenta Uma Competição Mais Exigente Pela Captação de Capital
A evolução identificada pela UNCTAD apresenta consequências estratégicas para economias como a moçambicana, que necessitam de mobilizar capital externo para acelerar a transformação produtiva.
Moçambique dispõe de oportunidades de investimento em gás natural, mineração, energia, logística, agricultura e infra-estruturas de transporte. Contudo, a disponibilidade de recursos naturais ou a existência de necessidades de financiamento não asseguram, por si só, a concretização dos investimentos.
O novo contexto internacional acentua a importância das condições específicas de cada projecto: previsibilidade regulatória, sustentabilidade financeira, garantias de execução, infra-estruturas de suporte e capacidade de recuperação do capital.
A queda de 33% no número de operações de financiamento internacional de projectos em África sugere que a competição pelos recursos destinados a infra-estruturas será particularmente exigente.
Para Moçambique, esta tendência é relevante em três dimensões.
A primeira relaciona-se com os grandes projectos energéticos e mineiros. Embora possam mobilizar montantes elevados e alterar significativamente os fluxos de investimento directo estrangeiro, esses empreendimentos não asseguram uma expansão proporcional do investimento em outros sectores produtivos.
A segunda diz respeito à necessidade de diversificação económica. O desenvolvimento de cadeias agro-industriais, unidades de transformação, infra-estruturas logísticas e pequenas e médias empresas exige investimentos com características diferentes dos megaprojectos extractivos.
A terceira envolve a capacidade de estruturar projectos financeiramente viáveis. O financiamento internacional de infra-estruturas exige frequentemente estudos de viabilidade, modelos de receitas, repartição adequada dos riscos e mecanismos de contratação suficientemente robustos para atrair financiadores.
Neste contexto, instrumentos como o Banco de Desenvolvimento de Moçambique, os mecanismos de garantias e as parcerias público-privadas poderão assumir importância, dependendo da respectiva capacidade financeira e dos modelos de governação adoptados.
A experiência internacional também demonstra que o investimento produtivo tende a beneficiar de complementaridades: uma unidade industrial torna-se mais competitiva quando dispõe de energia fiável, transporte eficiente, fornecedores locais e acesso aos mercados.
A política de atracção de investimento deve, por isso, considerar a articulação entre projectos, em vez de avaliar isoladamente o montante financeiro de cada compromisso anunciado.
Importa ressalvar que os dados agregados da UNCTAD não identificam a evolução específica do investimento em Moçambique em 2026. As implicações aqui analisadas resultam das tendências internacionais e regionais, não de uma medição directa dos fluxos para o país.
Fórum de Doha Coloca a Distribuição do Capital no Centro da Agenda Internacional
A divulgação do relatório coincidiu com a abertura do Fórum Mundial de Investimento 2026, em Doha, que reúne mais de cinco mil representantes de governos, instituições financeiras, empresas, fundos soberanos e organizações internacionais.
O encontro decorre num contexto de crescente concentração do investimento internacional.
Segundo o World Investment Report 2026, divulgado pela UNCTAD em Julho, mais de 80% do investimento directo estrangeiro mundial registado em 2025 foi absorvido por apenas 20 economias.
O mesmo relatório indicou que o investimento mundial tinha crescido 6%, para aproximadamente US$ 1,6 biliões, depois de dois anos de contracção.
A evolução de 2026 mostra que a concentração permanece elevada, agora acompanhada por uma redução do número de novos projectos.
Na abertura do Fórum, Pedro Manuel Moreno defendeu que a actual transformação exige uma nova abordagem das políticas de investimento, capaz de melhorar a participação das economias de menor rendimento nos sectores emergentes.
A própria agenda do encontro reflecte essa preocupação, incluindo debates sobre inteligência artificial, empreendedorismo, financiamento sustentável, reconstrução de economias afectadas por conflitos e desenvolvimento de novas cadeias de valor.
O responsável da UNCTAD considera que a resposta não deverá concentrar-se exclusivamente na eliminação de barreiras ao investimento, mas também na criação de capacidades institucionais e produtivas que permitam aos países competir por capital em condições mais favoráveis.
Mais Capital Não Está a Produzir Uma Recuperação Generalizada do Investimento Produtivo
Os resultados apresentados pela UNCTAD revelam uma alteração relevante na economia internacional: o crescimento dos fluxos de investimento directo estrangeiro está a tornar-se menos representativo da expansão efectiva da actividade empresarial.
O aumento de 37% registado no primeiro semestre foi sustentado por grandes operações financeiras e por uma concentração de capitais nas economias desenvolvidas, enquanto diminuíram os anúncios de novas unidades produtivas e as operações internacionais de financiamento de projectos.
Em África, a redução de 19% dos novos projectos e de 33% das operações de financiamento internacional coloca em evidência uma dificuldade particular: a expansão das necessidades de investimento em infra-estruturas coincide com uma menor disponibilidade de operações destinadas a concretizá-las.
A concentração crescente em inteligência artificial, semicondutores e outros sectores estratégicos modifica igualmente os factores que determinam a localização do investimento internacional.
Os custos de produção continuam importantes, mas a capacidade tecnológica, a segurança energética, as competências profissionais e as políticas industriais passaram a influenciar com maior intensidade as decisões das empresas.
A divergência entre os valores financeiros e o número de projectos pode aprofundar-se enquanto megatransacções continuarem a sustentar os fluxos globais.
O aspecto mais revelador do relatório reside na composição do investimento mundial: apesar do crescimento de 37% dos fluxos internacionais de capital, o número de novos empreendimentos continua a diminuir, enquanto África regista uma contracção de um terço nas operações de financiamento de projectos. Esta divergência evidencia uma recuperação financeira concentrada em grandes transacções, sem uma expansão correspondente da formação de nova capacidade produtiva.
Esta diferença estabelece uma distinção decisiva para a leitura económica do investimento: grandes volumes financeiros podem melhorar os indicadores agregados sem proporcionar uma expansão equivalente da capacidade industrial, das infra-estruturas e das oportunidades de emprego nas economias que mais necessitam desses investimentos.
















